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Quarta-feira, 20/8/2014
Proposta Decente?
Marilia Mota Silva

+ de 7100 Acessos

"Depois de bem ajustado o preço, a gente deve sempre trabalhar por amor à arte", Millôr Fernandes dizia, exato como sempre.

Sim, trabalhar é preciso, por muitas razões, sendo dinheiro a mais convincente.

Há os idealistas, estóicos e uma nova categoria que andam chamando, sem intenção elogiosa, de escravos da internet mas nosso foco aqui está na maioria, os que trabalham pelo pagamento.

O fato é que, infelizmente, ainda não inventaram uma forma menos rústica de fazer a sociedade funcionar, produzindo bens e serviços que beneficiem a todos, alguns bem mais que outros.

Não é fácil. Cinco dias na semana, 12 horas por dia se contar o tempo gasto na condução, nossa vida, da tenra juventude até as portas da velhice pertence a quem nos paga o salário. Sorte sua se gosta do que faz. Se não gosta, também não está mal porque o desemprego seria pior. Ninguém disse que a vida é um passeio no parque - se for, é para poucos. Os demais fazem o possível.

Então quando um dos homens mais ricos do mundo diz que trabalhamos muito, que a semana de trabalho deveria ter três dias, todo mundo aplaude.

Finalmente alguém no topo dos 1% diz o que os trabalhadores sonham ouvir há muito tempo! Menos trabalho, mais vida! Fosse um zé mané que falasse, ninguém escutaria.

Carlos Slim , dono das telecomunicações no México e segundo homem mais rico do mundo, propôs uma "mudança radical" na vida dos trabalhadores, em palestra para líderes da América Latina, realizada em julho, em Montevidéu:

"Nós estamos fazendo tudo errado", disse. "Deveríamos trabalhar apenas três dias por semana, em turnos mais longos, de onze horas talvez. E em vez de aposentar-se aos 50 ou 60 anos, deveríamos trabalhar até mais velhos, até os 70 ou 75 anos - mas ter mais tempo livre enquanto trabalhamos. Com três dias na semana, haveria tempo para relaxar; melhor qualidade de vida. Quatro dias livres estimulariam a indústria do entretenimento e de outras atividades que nos manteriam ocupados" .

Ele deu a receita e está pondo em prática - timidamente ainda: reduziu a semana de seus funcionários para quatro dias, com pagamento completo.

As pessoas aplaudiram: "Quem não quer uma semana mais curta de trabalho? Mais tempo para viver, sem falar de tudo que temos que fazer até para estar pronta para o trabalho: lavanderia, supermercado, casa, médico, dentista, em vez de fazer tudo isso durante o expediente. E os pais teriam mais tempo para as crianças. A creche, as escolas também trabalhariam quatro dias, o ano letivo teria que se estender um pouco no verão, o que seria bom porque as férias hoje são muito longas".

Especulou-se nos blogues, artigos em jornais e comentários: "Como seria feito? Haveria uma turma de segunda a quarta, outra de quinta a sábado? E, claro, nem todos os trabalhos se enquadrariam nisso. Os ajustes seriam feitos caso a caso, desde que a nova norma fosse estabelecida. Quantas vantagens adviriam dessa medida. Menos trânsito, menos consumo de gasolina, menos gasto com condução, menos poluição. Mais empregos".

Nem tudo foi louvor. Um comentarista de tevê descarrilhou: "Pois ótimo, quero que meu competidor trabalhe menos. Eu vou trabalhar mais e ganhar todas as paradas".

Outros se revoltaram com a possibilidade de ver seus salários diminuídos (nos Estados Unidos o costume é pagar por hora trabalhada). E houve os que suspeitassem que o magnata, depois de amealhar muitos bilhões de dólares, descambou para o comunismo.

Longe disso.

Turnos de onze horas, três a quatro dias na semana. A redução da carga horária seria mínima. E onze horas é muito! Imagine uma pessoa de 60, 70 anos, num caixa de supermercado, na reposição de estoques, mesmo sentada em mesa de telemarketing, ou editando livros, das nove da manhã às oito da noite. Mais o tempo na condução. Mal teria tempo de se alimentar e dormir.

Mas isso não é tudo. Na palestra, Carlos Slim menciona "desafios financeiros ligados à longevidade". E propõe o acréscimo de pelo menos dez anos na idade mínima para aposentadoria. Os trabalhadores que se aposentariam aos 65 anos, fazendo jus à pensão, veriam esse benefício adiado por dez anos, período em que continuariam a pagar sua contribuição.

A "mudança radical" seria muito benéfica para as contas do governo. O ônus recairia todo sobre o trabalhador. Poucos tem o privilégio de trabalhar no que gostam, assim como são poucos os que tem saúde para trabalhar até os 75 anos. Considerando que a expectativa de vida está em torno disso, o déficit nas contas da previdência seria reduzido significativamente.

"Acho que a teoria do Slim é boa, desde que não se tenha chefe!", resumiu Nerino Piotto, empresário, radialista, avô da Sofia, e que também escreve no Blog do Alfaro ."E me arrisco até a dizer que se poderia ir além dos 75, com boa qualidade de vida. Desde que sem chefe!!!"

Certamente! Sem chefe, por vontade própria - não por determinação legal - esse seria o melhor dos mundos. Não se contam as horas, nem os anos, nem mesmo o pagamento importa tanto quando se trabalha com independência e por gosto. Mas esse é um privilégio que não contempla o trabalho assalariado. A não ser que a pessoa se aposente, não muito tarde, e possa enfim se dar essa oportunidade.


Marilia Mota Silva
Washington, 20/8/2014


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