Moro no Morumbi, mas voto em Moema | Julio Daio Borges | Digestivo Cultural

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Domingo, 15/11/2020
Moro no Morumbi, mas voto em Moema
Julio Daio Borges

+ de 1800 Acessos

Não sei se já escrevi sobre isso. Se já escrevi, vocês me perdoem.

Estou no Morumbi há mais de vinte anos, mas continuo votando em Moema. Por quê?

Hoje, saindo de casa - com uma preguiça monumental de sair para votar -, me perguntei por quê.

Mas, quando chego em Moema, me vêm as lembranças...

Primeiro que eu nunca lembro em qual rua fica a minha zona eleitoral. Ela já mudou de escola umas duas ou três vezes - e eu sempre procuro na última hora.

Desta vez, desisti de procurar na internet. O site da justiça eleitoral não funcionava direito. O site da Folha não listava as zonas. E o do Estadão só abria para quem era assinante...

Fui; guiado pelo meu inconsciente. Pego sempre a Faria Lima, depois a República do Líbano em direção à 23 de Maio - e viro à direita onde acho que dá a altura... O fato é que, de dois em dois anos, sempre viro na mesma rua - e me esqueço do nome dela.

Então, vou me aproximando do prédio do Alê e do Fê, na Tupiniquins (o lado dos índios, em Moema). Sei que a escola é por ali...

Hoje, passei o prédio deles - onde o Alê mora hoje - e nada... Até que, um ou dois quarteirões depois - voilà! -, o colégio da minha zona eleitoral.

Desta vez, tinha um monte de gente perdida na porta, já que algumas seções mudaram - e eu fiquei pensando se não devia ter pesquisado melhor antes de sair para votar...

A votação, em si, foi tranquila, mas não é sobre isso que eu queria falar.

Queria contar de encontrar o Tio Alex e a Tia Regina - os pais do Alê e do Fê - na mesma escola onde costumo votar...

De uma vez, andando por Moema, encontrar a Tia Regina - e ela me contar que estava mandando remédio pro Alê, na Inglaterra, porque ele achava que estava ficando careca ;-)

Depois, de uma vez em que fomos na Darco - alguém se lembra da Darco? - e compramos umas mochilas, daquelas de mochileiro, para embarcar pra Bahia...

E de chegar na Bahia e do cara da pousada perguntar “se não tinha [mochila] pra homem”... As mochilas não eram, exatamente, cor-de-rosa - eram roxas, ou melhor: púrpura... (O cara da pousada queria fazer uma graça...)

Depois, lembrei de o quanto andei por Moema, na minha adolescência. Cruzei, inúmeras vezes, do lado dos passarinhos para o lado dos índios - para ir no shopping Ibirapuera, para ficar olhando as lojas de discos (quase escrevi lojas de CDs - mas não eram ainda)...

Lembrei, também, que ainda vou escrever “A arte de andar pelas suas de São Paulo” (porque “pelas ruas de Moema” não soa tão bem)... Uma homenagem ao grande Rubem Fonseca, que escreveu “A arte de andar pelas ruas do Rio de Janeiro”.

(Nietzsche também escreveu sobre os benefícios de se pensar andando...)

Na Jauaperi, me lembrei de uma ficante. E, na sequência, me indaguei por que não namorei a ficante... (Ela era legal...)

Por fim, virei na Lavandisca e lembrei da Paulivel (é Paulivel mesmo), concessionária do meu Escort... Onde eu vinha, nos primeiros tempos, naquela época em que os carros quebravam... (Eu ia escrever: “Naquela época em que os calouros ganhavam carros...”)

O fato é que as ruas de cujo nome não me lembro (muito bem)... me trazem lembranças.

E, para terminar, eu procuro comer um pastel em Moema. Para manter a tradição. Na verdade, para lembrar da época do Vestibular, onde eu sempre comia pastel antes das provas - e o Papai perguntava: “E a feijoada? Vai comer feijoada hoje?”

Era o jeito de ele dizer “vamos manter a tradição do pastel, porque está funcionando!”. E funcionou mesmo.

E me lembrei de sair da prova da primeira fase da Fuvest - e de encontrar o Ricardo Reis (que passou na Pinheiros)... E a gente conferindo quantos pontos havia feito...

Assim, finalmente, eu me lembro por que sempre desisto de mudar de zona eleitoral nos anos subsequentes... Porque gosto de vir em Moema - de reviver esses momentos.

Pois, como disse Guimarães Rosa, o que lembro... tenho.

P.S. - Isso porque nem contei de quando o Diego era mesário e o Papai ficava tirando sarro dele... O Diego não acreditava - quando a carta de convocação entrava debaixo da porta... Mas, depois, ele nos entretinha com as histórias da zona eleitoral em que trabalhava...


Julio Daio Borges
São Paulo, 15/11/2020


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