Mamãe falhei | Luís Fernando Amâncio | Digestivo Cultural

busca | avançada
45137 visitas/dia
2,3 milhões/mês
Mais Recentes
>>> Circomuns Com Circo Teatro Palombar
>>> Prêmio AF de Arte Contemporânea abre inscrições para a edição comemorativa de 10 anos
>>> Inscrições abertas para o Prêmio LOBA Festival: objetivo é fomentar o protagonismo de escritoras
>>> 7ª edição do Fest Rio Judaico acontece no domingo (16 de junho)
>>> Instituto SYN realiza 4ª edição da campanha de arrecadação de agasalhos no RJ
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> A pulsão Oblómov
>>> O Big Brother e a legião de Trumans
>>> Garganta profunda_Dusty Springfield
>>> Susan Sontag em carne e osso
>>> Todas as artes: Jardel Dias Cavalcanti
>>> Soco no saco
>>> Xingando semáforos inocentes
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Esporte de risco
>>> Tito Leite atravessa o deserto com poesia
Colunistas
Últimos Posts
>>> Jensen Huang, da Nvidia, na Computex
>>> André Barcinski no YouTube
>>> Inteligência Artificial Física
>>> Rodrigão Campos e a dura realidade do mercado
>>> Comfortably Numb por Jéssica di Falchi
>>> Scott Galloway e as Previsões para 2024
>>> O novo GPT-4o
>>> Scott Galloway sobre o futuro dos jovens (2024)
>>> Fernando Ulrich e O Economista Sincero (2024)
>>> The Piper's Call de David Gilmour (2024)
Últimos Posts
>>> O mais longo dos dias, 80 anos do Dia D
>>> Paes Loureiro, poesia é quando a linguagem sonha
>>> O Cachorro e a maleta
>>> A ESTAGIÁRIA
>>> A insanidade tem regras
>>> Uma coisa não é a outra
>>> AUSÊNCIA
>>> Mestres do ar, a esperança nos céus da II Guerra
>>> O Mal necessário
>>> Guerra. Estupidez e desvario.
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Micronarrativa e pornografia
>>> Os dois lados da cerca
>>> A primeira vez de uma leitora
>>> Se eu fosse você 2
>>> Banana Republic
>>> Da Poesia Na Música de Vivaldi
>>> Os autômatos de Agnaldo Pinho
>>> Construção de um sonho
>>> Quem é mesmo massa de manobra?
>>> A crise dos 28
Mais Recentes
>>> Secrets of Yoga de Jennie Bittleston pela Dk (2000)
>>> Stress Você pode ser o Próximo Previna-se de João Vilas Boas pela Vilas (1998)
>>> O que é Ensinar de Regis de Morais pela E.p.u (1986)
>>> As Aventuras de Sandy e Junior de Toni Brandão pela Simbolo
>>> Humor nos tempos do Collor de Jó Soares / Veríssimo / Millôr Fernandes pela L&PM (1992)
>>> Def 2013 Pocket - Dicionário de Especialidades Farmacêuticas de Merck pela Epuc (2013)
>>> O Biscateiro de Abdias José dos Santos pela Vozes (1981)
>>> Deadpool - Meus Queridos Presidentes de Posehn Duggan - Moore pela Panini Comics (2015)
>>> Europa - Guia Visual - Folha De São Paulo de Publifolha pela Publifolha (2005)
>>> Formação de Professores e Trabalho Docente de Vários Autores pela Metodista (2007)
>>> Coleção Enciclopédia Disney - 8 Volumes de Disney pela Planeta (2001)
>>> Fórum dos Coordenadores de Joaquim Barbosa / Bárbara Sicardi pela Metodista (2003)
>>> O Último Portal de Eliana Martins / Rosana Rios pela Seguinte (2003)
>>> Batman Planetary - Edição de Luxo de Warren Ellis - John Cassaday - Dc Comics pela Panini (2014)
>>> Mentes Tranquilas, Almas Felizes de Joyce Meyer pela Thomas Nelson (2001)
>>> Democracia Francesa de V Giscard D Estaing pela Difel (1977)
>>> Esperança Viva - Uma Escolha Inteligente de Ivan Saraiva pela Casa Publicadora (2016)
>>> Manual Merck de Veterinaria de Merck pela Roca (2001)
>>> Conjugar Es Fácil En Español De España Y De América (spanish Edition) de González Hermoso, Alfredo pela Edelsa Grupo Didascalia (1997)
>>> Amy, Minha Filha - Amy, My Daughter de Micht Winehouse pela Record (2012)
>>> Avaliação da Inteligência de Marília Ancona-Lopez pela E.p.u (1987)
>>> O Menino do Dedo Verde de Maurice Druon pela Jose Olympio (1973)
>>> Contos E Lendas - Os Doze Trabalhos De Hércules de Christian Grenier - Carlos Fonseca ilustrador pela Cia Das Letrinhas (2013)
>>> Educação do Olhar Vol2 de Vários Autores pela Mec (1998)
>>> Tres Sombras de Cyril Pedrosa pela Quadrinhos Na Cia (2019)
COLUNAS

Sexta-feira, 11/3/2022
Mamãe falhei
Luís Fernando Amâncio
+ de 7000 Acessos

Arthur do Val, um dos principais membros do Movimento Brasil Livre (kkkk), foi cobrir a guerra da Ucrânia. Ele, deputado estadual por São Paulo, viu ali uma oportunidade de fomentar o engajamento de seus seguidores (698 mil no Instagram) produzindo coquetéis-molotov para a resistência ucraniana. Era uma missão humanitária.

Porém, como sentencia a sabedoria popular, peixe morre pela boca. Vazaram áudios em que o político se referia de forma desrespeitosa às mulheres ucranianas. Elas seriam “fáceis por serem pobres”. Os arquivos compartilhados também podem denotar racismo, já que o deputado afirma que as mulheres do leste europeu (louríssimas, como se sabe) seriam as mais “top” em qualquer balada no Brasil. Mulheres miscigenadas, aparentemente, são inferiores para ele.


O conteúdo dos áudios, evidentemente, desmascarou a solidariedade internacional de do Val. E, apesar de mais de meio milhão de paulistanos terem o escolhido no pleito para prefeito em 2020, sua pré-candidatura para o governo estadual caiu em desgraça.

Vera Iaconelli, em artigo para a Folha desvendou a ascensão da figura do “moleque” na política nacional. Segundo ela, o moleque não é uma criança, mas um sujeito crescido que se vangloria por agir de forma errática. Seu trunfo é não agir de forma socialmente aceitável.

Arthur do Val – que espécie de adulto se autodenomina “Mamãe Falei”? – e seus comparsas no MBL ganharam visibilidade justamente por esse comportamento. Eram jokers profanando exposições de arte, universidades e escolas públicas. Jovens sem limites, mas que pediam censura aos conteúdos da temível ideologia de gênero e ao marxismo que se ensina para nossas criancinhas. Garotos que se opunham aos políticos tradicionais, e que não vacilaram, num segundo momento, em se filiar aos partidos mais conservadores no mercado – os da bancada da bala, dos agrotóxicos, da Bíblia etc.

Sem se restringir à política, podemos observar a figura do moleque em outras esferas de nossa cultura. Lembram de como atuavam os repórteres do Pânico e do CQC, constrangendo celebridades e cidadãos comuns? Eram as características que compunham o personagem “Joselito sem noção”, do Hermes e Renato.

No futebol, por exemplo, o jogador mais vitorioso em atividade, o brasileiro Daniel Alves se intitula “Good Crazy”. Um maluco do bem. Ele se veste muitas vezes de forma excêntrica em cerimônias e usualmente posa para fotos com a língua pra fora e olhos arregalados. Sua conta no Instagram computa 35,3 milhões de seguidores que devem apreciar a postura de descontração do lateral-direito.


Neymar, o melhor jogador brasileiro de sua geração, possui 171 – e não é maldade, a consulta foi feita em 08/03/22 – milhões de seguidores. Apesar dos 30 anos, ainda é chamado de “Menino Ney” pelos fãs. Atualmente, sua presença em festas e seus affairs chamam mais a atenção do que seu desempenho em campo. Ele declarou há poucas semanas, sem qualquer pudor, que gostaria de atuar na liga norte-americana de futebol para usufruir de um maior período de férias.

Na música também encontramos a figura do moleque. Se ouvimos os principais sucessos recentes da música sertaneja, por exemplo, percebemos letras que exaltam o excesso de bebida, os relacionamentos fugazes e o que poderíamos chamar de “vida de farra” .

Não estou aqui em um julgamento moralista. Ninguém precisa ouvir música existencialista na balada. Só destaco elementos que corroboram meu argumento. De que a exaltação da figura do moleque está entranhada em nossa cultura contemporânea.

É quase uma síndrome tardia de Peter Pan. Os adultos exemplares para nossa juventude são justamente aqueles que não se comportam como... adultos.

Lembram de quando o presidente andava de jet-ski em Santa Catarina enquanto a Bahia vivia uma tragédia por conta das chuvas no fim do ano passado? E dele se recusando a usar máscara em aglomerações no momento em que o país batia recorde de contaminados e de mortos na pandemia? 19,4 milhões seguem ele no Instagram. 57,8 votaram o elegeram para o cargo máximo do país em 2018.

Existem moleques de todas as idades.

Arthur do Val, ou Mamãe Fal(h)ei, foi exposto. O conteúdo sexista e racialista do áudio causa repugnância em quem tem lucidez. Só que não somos tantos assim. Em breve, talvez no TikTok, surgirá um novo “moleque” para ser cultuado.


Luís Fernando Amâncio
Belo Horizonte, 11/3/2022

Quem leu este, também leu esse(s):
01. As iluminações musicais de Rodrigo Garcia Lopes de Jardel Dias Cavalcanti


Mais Luís Fernando Amâncio
Mais Acessadas de Luís Fernando Amâncio em 2022
01. As fezes da esperança - 1/7/2022
02. Epitáfio do que não partiu - 8/4/2022
03. Mamãe falhei - 11/3/2022
04. A pior crônica do mundo - 23/9/2022
05. Uma alucinação chamada dezembro - 11/2/2022


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




Thammy - Nadando Contra a Corrente
Marcia Zanelatto
Best Seller
(2015)



Zac e Mia
A. J. Betts
Novo Conceito
(2015)



Clínicas Pediátricas da América do Norte - Volume 5 / 1987 - Bases Terapêuticas em Urologia Pediátrica
Curtis A Sheldon MD; Bernard M Churchill MD
Interlivros
(1987)



Liderança Fora Do Quadrado
Jon R. Katzenbach; Zia Khan
Elsevier
(2011)



A Senhora da Serra
Virgílio Moretzsohn
Record
(1989)



Livro Religião Quando Chega a Hora
Zibia Gasparetto
Vida e Consciência
(2002)



Memórias Póstumas de Brás / Cubas Dom Casmurro
Machado de Assis
Nova Cultural
(1995)



Em Seu Lugar
Jennifer Weiner
Record
(2005)



Bahia - Museus
Paulo Gaudenzi
Riex



Nua - O Caso Blackstone
Raine Miller
Suma De Letras
(2014)





busca | avançada
45137 visitas/dia
2,3 milhões/mês