Plágio | Daniel Bushatsky | Digestivo Cultural

busca | avançada
27897 visitas/dia
846 mil/mês
Mais Recentes
>>> Especialistas apresentam a relação entre tradução e edição
>>> Com direção de Vivien Buckup, Ney Piacentini estreia solo com contos de Machado de Assis e Guimarães
>>> Teatro do Incêndio comemora 20 anos com nova temporada de O Santo Dialético
>>> Shopping D recebe a "Casa do Medo"
>>> Projeto com estudantes e grafiteiros destaca a importância do campo para a cidade
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Aqui sempre alguém morou
>>> Breve resenha sobre um livro hediondo
>>> Alice in Chains, por David De Sola
>>> Simpatia pelo Demônio, de Bernardo Carvalho
>>> Afinidade, maestria e demanda
>>> O Quixote de Will Eisner
>>> Era uma vez um inverno
>>> Caindo as fichas do machismo
>>> Uma livrada na cara
>>> YouTube, lá vou eu
Colunistas
Últimos Posts
>>> Nirvana pra todos os gostos
>>> Diego Reeberg, do Catarse
>>> Ed Catmull por Jason Calacanis
>>> Lançamento e workshop em BH
>>> Reid Hoffman por Tim Ferriss
>>> Software Programs the World
>>> Daphne Koller do Coursera
>>> The Sharing Economy
>>> Kevin Kelly por Tim Ferriss
>>> Deepak Chopra Speaker Series
Últimos Posts
>>> Último debate dos candidatos à prefeitura na Globo
>>> Olhar perdido
>>> O que está acontecendo com elas ?
>>> Armaduras
>>> Etapas de uma pintura III (movie)
>>> Origâmis
>>> Eleições Municipais e o Efeito DunDum!
>>> Dente-de-leão
>>> MARINHA
>>> O que dizer depois da reunião de orientação
Blogueiros
Mais Recentes
>>> 89 FM, o fim da rádio rock
>>> 89 FM, o fim da rádio rock
>>> Solteirice
>>> Os desajustados
>>> Havona, por Jaco Pastorius
>>> Livro de leitura
>>> Homens x Mulheres, ainda
>>> Entrevista com João Pereira Coutinho
>>> Manual do Publicitário
>>> Paixão e sucata
Mais Recentes
>>> A Ação do Espírito Santo na Alma
>>> A Montanha Mágica (NOVO)
>>> Como um Anjo Canibal
>>> Optimal A1 Arbeitsbuch
>>> Tem um Garoto no Meu Quarto
>>> O Caçador de Pipas
>>> A Anatomia de uma Dor- Um Luto em Observação
>>> Um Sonho na Amazônia - Volume 3
>>> Teorias da Psicopatologia e Personalidade-Ensaios e Críticas
>>> Natureza e Seres Vivos 4º edição
>>> Planejamento e Estratégia Empresarial
>>> Estação Carandiru
>>> Planejamento Estratégico: Conceitos, Metodologia e Práticas
>>> O Silêncio Amoroso de Deus
>>> Mestre Dos Mares
>>> Balzac E A Costureirinha Chinesa
>>> Che Guevara: A Vida em Vermelho
>>> Samuel Klein e Casas Bahia - Uma Trajetória de Sucesso
>>> Base teórica de crítica textual - 2ª ed.
>>> Quando A Vida Escolhe
>>> Educação, Teatro e Matemática Medievais
>>> Chá das cinco com Aristóteles e outros artigos
>>> Revolucione seu negócios
>>> O menino no espelho
>>> Factotum
>>> A condição judaica
>>> Radiônica e Radiestesia
>>> A vida na ponta dos pés
>>> Corinthians x Outros
>>> História da Música Brasileira
>>> Manual do candidato as eleições- Carta do bom administrador Público-Pensamentos Políticos
>>> Pesquisa operacional na tomada de decisões
>>> Deixados para Trás Teen - Vol. 2 - Segunda Chance
>>> Uma História De Trabalho E Superação - Votorantim 90 Anos
>>> Anjos e Demônios - A Primeira Aventura de Robert Langdon
>>> Dicionário de Nomes
>>> Memórias eróticas de Paris na Belle Epoque
>>> Ser Negro no Brasil Hoje
>>> Contos do dia a dia
>>> Direito de ser Feliz
>>> Só o Amor Consegue
>>> Giselle - A amante do inquisidor
>>> O Código da Vinci
>>> Os Homens que Não Amavam as Mulheres
>>> Primeiras Estórias
>>> Histórias e Conversas de Mulher
>>> De Moto Pela América Do Sul
>>> Humilhados E Ofendidos
>>> Memórias Perdidas
>>> Coraline
COLUNAS

Segunda-feira, 4/4/2011
Plágio
Daniel Bushatsky

+ de 4200 Acessos
+ 4 Comentário(s)

O primeiro caso de plágio da história brasileira aconteceu em 1888. O quadro de Pedro Américo, O Grito do Ipiranga, que retrata a cena da Independência Brasileira é uma cópia quase idêntica de uma obra famosa de Jean-Louis Ernest Meissonier, o quadro 1807, Friedland, que celebra uma famosa vitória de Napoleão Bonaparte.

Não obstante o quadro de Pedro Américo não representar nem de perto os acontecimentos, que de glamorosos não tinham nada, pois o Brasil Colônia estava afundado em crises e o Príncipe Regente passava mal (intoxicação alimentar, provavelmente), ficou o triste registro de a primeira obra artística famosa brasileira, pós-independência, ser acusada de plágio.

Pedro Américo, no texto de apresentação da obra, na academia Real de Belas Artes de Florença, no dia 8 de abril de 1888, 66 anos depois da Independência, não citou possíveis semelhanças com a obra de Meissonier. Limitou-se a explicar as mudanças factuais, deixando claro que a pintura tinha uma intenção moral (e talvez de manipulação do povo, em minha opinião).

A acusação de plágio feita pelo jornalista Elcio Gaspari na edição da revista Veja de 15 de novembro de 1982 nunca ficou realmente provada. Isto porque, para a historiadora Claudia Valladão de Mattos, por exemplo, a obra que retrata Napoleão foi, somente, detalhadamente estudada por Pedro Américo.

Polêmica à parte, o fato é que para leigos a obra da Independência é plágio da vitória de Napoleão.

Como não estudamos história o suficiente na escola, a acusação de plágio contra o Brasil voltou a se repetir 122 anos depois, quando da apresentação do logotipo elaborado pela cidade do Rio de Janeiro para as Olimpíadas. As acusações vieram de todos os lados e, mais uma vez, o Brasil e os organizadores saíram pela tangente com argumentos pouco concretos e de amplo sentido, tais como: "inspirado", "lembra", "coincidência".

As palavras que possuem "todo" e "nenhum sentido" relembram o país que já nasceu com sua história alterada, por um possível plágio, sem que ninguém fizesse nada a respeito.

No caso da logomarca das Olimpíadas, o desenho se parece com dois já existentes: o da Telluride Foundation, no estado de Colorado, dedicada à filantropia e o quadro A dança, de Henri Matisse. Ou seja, a inspiração, lembrança e coincidência vieram de duas obras e não de uma só! Haja coincidência!

O que é uma pena nos casos de plágio (e, por favor, não estou dizendo que foi plágio os narrados acima) é a prepotência de achar que vai conseguir enganar organizadores e participantes quanto à originalidade de uma obra.

Quando o evento ainda é importante, como a Independência do Brasil ou as Olimpíadas no Rio de Janeiro, a ilicitude continua a mesma, mas a falta de noção e a vergonha para o Brasil aumentam em progressão geométrica.

Com um pouco de estudo, todos saberiam que cedo ou tarde os plágios são descobertos. Um país que nasceu, artisticamente falando, com uma cópia, poderia mostrar que 122 anos depois é todo original.

Se definir o que é plágio exige técnica e cuidado, pois inspiração não é crime, um pouco de bom senso também deve ser acrescentado à mistura. Ou seja, na dúvida, é cópia, e para o Brasil se destacar, o que menos precisamos é de dúvida.

Vale aqui um parêntese: segundo o dicionário eletrônico Houaiss, plágio é "apresentação feita por alguém, como de sua própria autoria, de trabalho, obra intelectual etc. produzido por outrem".

A título de comparação, a Bosch, empresa mundialmente famosa pelas várias áreas de atuação, passando de amortecedor para carro a fogão, em 2004 registrou 2.791 patentes. Para explicar, é patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial.

Supõe-se, assim, que para a filosofia da Bosch, copiar é mais que uma vergonha. A empresa está orientada a sempre ser criativa.

Assim, aqui fica o recado: ou reforçamos as aulas de História ou as de Criatividade. Em ambos os casos o resultado será o aprendizado do que é plágio e a vergonha de se copiar obra feita por alguém como se fosse sua.

Mas o grande resultado mesmo seria tirar um pouco da prepotência de quem não só imita, como ainda acha que ninguém vai descobrir: casos de plágio estão toda hora na mídia.

Espero que daqui para frente "inspirado", "lembra", "coincidência" virem inspiração, esforço e criatividade.

Viva a descoberta! Viva a Bosch!


Daniel Bushatsky
São Paulo, 4/4/2011


Quem leu este, também leu esse(s):
01. O Véu, de Luis Eduardo Matta de Fabio Silvestre Cardoso
02. As urbes e o pichador romântico de Pilar Fazito


Mais Daniel Bushatsky
Mais Acessadas de Daniel Bushatsky em 2011
01. Plágio - 4/4/2011
02. Felicidade - 14/2/2011
03. O que queremos do Natal? - 21/11/2011
04. Souza Dantas, Almoço e Chocolate - 4/7/2011
05. Preconceitos - 14/3/2011


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

ENVIAR POR E-MAIL
E-mail:
Observações:
COMENTÁRIO(S) DOS LEITORES
9/4/2011
11h29min
Muito pertinente o texto. Mas, na minha opinião, depois do plágio, como muito bem explicitado pelo autor, é "apresentação feita por alguém, como de sua própria autoria, de trabalho, obra intelectual etc. produzido por outrem", a pior (senão, tão execrável quanto) atitude intelectual é não assumir a paternidade de uma ideia. Então o autor vem e diz que a obra de Pedro Américo e o logo das Olimpíadas do Rio são plágios e depois me sai com um "e, por favor, não estou dizendo que foi plágio os narrados acima"??? Que vergonha!
[Leia outros Comentários de Albarus Andreos]
8/6/2011
14h29min
É o plágio do plágio! O autor do logotipo da Telluride Foundation poderia dizer que foi inspirado no quadro "A dança", de Matisse. O autor do logo do RIO já "chupou" direto da Telluride, talvez pensando que ninguém ia se lembrar de uma fundaçãozinha perdida lá no Colorado.
[Leia outros Comentários de José Frid]
11/6/2011
12h08min
Será fácil resolver o problema. Já que Matisse não pode requisitar os seus "direitos", o dinheiro ganho por quem "criou" a logomarca das Olimpíadas seja devolvido ou entregue para uma "obra" e tem que ser "real" e "autêntica" de "caridade". Não foi assim, com esse espírito de caridade que norteou a "cópia", "lembrança", etc. Será um bom exemplo para o futuro e evitará novos "criadores" de algo já existente. E não venham dizer que se trata de "criatividade" copiar o que é bonito. Abraços!
[Leia outros Comentários de Cilas Medi]
30/11/2012
17h29min
Engraçado que o autor não cita qual é a fonte da informação histórica contida no primeiro parágrafo. Não seria isso plágio???
[Leia outros Comentários de JB]
COMENTE ESTE TEXTO
Nome:
E-mail:
Blog/Twitter:
* o Digestivo Cultural se reserva o direito de ignorar Comentários que se utilizem de linguagem chula, difamatória ou ilegal;

** mensagens com tamanho superior a 1000 toques, sem identificação ou postadas por e-mails inválidos serão igualmente descartadas;

*** tampouco serão admitidos os 10 tipos de Comentador de Forum.




Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS - ORIGEM E PERSPECTIVAS
ROMILDO MOREIRA
APACEPE
(2011)



A NOVA ALIANÇA
WATCHMAN NEE E WITNESS LEE
ÁRVORE DA VIDA
(2000)
+ frete grátis



ORIGEM, NATUREZA E FINALIDADE DA PENA- TABU, PECADO E CRIME
LYDIO MACHADO BANDEIRA DE MELLO ( AUTOR NO WHO'S WHO)
GUIMARÃES
(1949)
+ frete grátis



AMAZÔNIA, NATUREZA, HOMEM E TEMPO
LEANDRO TOCANTINS
BIBLIOTECA DO EXÉRCITO
(1982)
+ frete grátis



MAIGRET E OS CRIMES DO CAIS
GEORGES SIMENON
L&PM
(2009)
+ frete grátis



MORRENDO DE VERGONHA
BARBARA G.MARKWAY; CHERYL N. CARMIN; C.ALEC POLLAR- TERESA FLYINN
SUMMUS
(1999)
+ frete grátis



O ANJO, COMO MESTRE INTERIOR
JEAN -YVES LELOUP
VOZES
(2010)
+ frete grátis



GUINADA NA VIDA
ANDREA CAMILLERI
RECORD
(2005)
+ frete grátis



NÃO PERDOE! SE NÃO SOUBER O QUE É PERDÃO!
VANDER DEVIDÉ
SER MAIS
+ frete grátis



REFLEXÕES SOBRE MEUS CONTEMPORÂNEOS
CHARLES BAUDELAIRE
EDUC
(1992)
+ frete grátis





busca | avançada
27897 visitas/dia
846 mil/mês