E Benício criou a mulher... | Gian Danton | Digestivo Cultural

busca | avançada
27984 visitas/dia
1,1 milhão/mês
Mais Recentes
>>> Alaíde Costa e Toninho Horta mostram CD em parceria na CAIXA Cultural São Paulo
>>> O Julgamento Secreto de Joana D'Arc com Silmara Deon estreia no Teatro Oficina
>>> Novo app conecta, de graça, clientes a profissionais e prestadores de serviço
>>> Inauguração da Spazeo com show do Circuladô de Fulô - 28/07
>>> CONFRARIA COMEDY SE APRESENTA EM OSASCO, NESTE SÁBADO, TRAZENDO DIVERSOS CONVIDADOS
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Entrevista com a tradutora Denise Bottmann
>>> O Brasil que eu quero
>>> O dia em que não conheci Chico Buarque
>>> Um Furto
>>> Mais outro cais
>>> A falta que Tom Wolfe fará
>>> O massacre da primavera
>>> Reflexões sobre a Liga Hanseática e a integração
>>> A Fera na Selva, filme de Paulo Betti
>>> Raio-X do imperialismo
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Tempo & Espaço
>>> Mão única
>>> A passos de peregrinos ll
>>> PRESSÁGIOS. E CHAVES IV
>>> Shomin-Geki, vidas comuns no cinema japonês
>>> Con(fusões)
>>> A passos de peregrinos l
>>> Ocaso
>>> PRESSÁGIOS. E CHAVES I
>>> Sob o mesmo teto
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Cisne Negro: por uma inversão na ditadura do gozar
>>> Lui Liu
>>> Sociedade dos Poetas Mortos
>>> O dia em que não conheci Chico Buarque
>>> Leis de incentivo e a publicação independente
>>> Amor e relacionamentos em tempos de transição
>>> O óbvio final de Belíssima
>>> Defesa dos Rótulos
>>> Reflexões sobre a Liga Hanseática e a integração
>>> 9º Búzios Jazz & Blues - I
Mais Recentes
>>> O cachorro Skoz - Cão ao mar
>>> O cachorro Skoz - Passeio no ar
>>> Seu cliente pode pagar mais - 3ª edição
>>> O Pássaro Azul
>>> Zagreb
>>> The Rough Guide to Turkey
>>> Prague
>>> Dados Sobre a Coréia
>>> The Rough Guide to Morocco
>>> Lonely Planet - Argentina
>>> Lonely Planet - Bermuda
>>> Lonely Planet - Zimbabwe
>>> Hill Country
>>> Guatemala Sensacional
>>> Nova York no Meu Bolso
>>> Itália by Train
>>> Buenos Aires de A a Z
>>> Badajoz
>>> Imigrantes da Bessarábia - Jornada em Terras Tropicais
>>> Let's Visit Thailand
>>> The Man Who Deciphered Linear B - the Story of Michael Ventris
>>> Jean-Pierre Mocky
>>> Dialoguer Avec Son Ange - Une Voie Spirituelle Occidentale
>>> La Société de Consommation de Soi
>>> Cadernos de Lanzarote - Diário 1
>>> Marcelo Caetano - O Homem Que Perdeu a Fé
>>> A Construção da Beleza
>>> História dos Conceitos - Debates e Perspectivas
>>> Cidadania Proibida - O Caso Herzog Através da Imprensa
>>> Cleo e Daniel
>>> Children and Television
>>> Cholera and the Ecology of Vibrio Cholerae
>>> The Encyclopedia of Ancient Egypt
>>> Maravilhas do Conto de Aventuras
>>> Reproposta - a Revista da Terceira Idade para Todas as Idades
>>> Scribes, Warriors and Kings - The City of Copan and the Ancient Maya
>>> O'Neill - Long Day's Journey Into Night
>>> The Fall of Constantinople 1453
>>> Morality
>>> Collaboration in the Holocaust - Crimes of the Local Police in Belorussia and Ukraine, 1941-44
>>> Gandhara - The Memory of Afghanistan
>>> Tales, Speeches, Essays and Sketches
>>> A Evocação do Zé Batalha - uma História Afro-brasileira - Teatro Rural
>>> Na Relva da Tua Lembrança
>>> The Quest For Paradise - Visions of Heaven and Eternity in the World's Myths and Religions
>>> Assombrações e Coisas do Além
>>> Dicas Úteis Para Uma Vida Fútil
>>> Coiote
>>> Mães Que Mudaram o Mundo
>>> Quem é Lou Sciortino?
COLUNAS

Segunda-feira, 19/8/2013
E Benício criou a mulher...
Gian Danton

+ de 5200 Acessos

De 1968 a 1985, um artista reinou absoluto nos cartazes de filmes nacionais. Suas mulheres elegantes e extremamente sensuais povoaram a imaginação de milhões de brasileiros. Eram tão bons que muitos se sentiam logrados por não encontrarem nas películas mulheres tão lindas quanto as dos cartazes. Ao mesmo tempo, nas bancas de revistas, centenas de livrinhos de bolso traziam sua marca. É a história desse artista que Gonçalo Júnior conta em E Benício criou a mulher... (Opera Graphica, 2012, 416 páginas), obra ganhadora do prêmio HQ Mix na categoria melhor livro sobre quadrinhos.

Gonçalo Júnior é um dos mais importantes biógrafos brasileiros e tem se especializado na história editorial brasileira. Seu livro A guerra dos gibis é um clássico ao mostrar como impérios de comunicação, como as organizações Globo, surgiram a partir do lucro gerado pela venda de gibis. Outras obras que seguem essa linha são Maria Erótica e o clamor do sexo e Alceu Pena e as garotas do Brasil.

Benício começou sua carreira como ilustrador publicitário na década de 1950, em Porto Alegre. Em 1953 foi para o Rio de Janeiro tentar realizar o sonho de se tornar pianista. Ele iniciou na editora RGE, de Roberto Marinho, como aprendiz de desenhista. Sua função era adequar as histórias em quadrinhos estrangeiras (a maioria tiras) ao formato gibi da editora. Durante três anos cuidou da adaptação de diversos personagens, entre eles o mais difícil de todos (segundo o próprio Benício): Príncipe Valente, de Hall Foster.

Mas o sonho do artista não era os quadrinhos (ele desenhou uma única história em toda sua vida, Foi o destino, escrita por Edmundo Rodrigues e publicada na revista Cinderla), e sim as ilustrações. Seu alvo eram as revistas femininas, como Cinderela e Querida. Assim, ele passou a produzir desenhos com cenas de amor e espalhar por sua prancheta. As mulheres eram sempre lindas, com olhos grandes, vivos e lábios generosos. Logo ele estava produzindo capas e ilustrações internas para as revistas femininas da RGE.

Em 1965 ele voltou para capital gaúcha, mas continuou aparecendo mensalmente nas bancas de revistas graças às capas feitas para os livros de bolso da editora Monterrey. Suas capas eram tão espetaculares que há quem colecione os pockets apenas por causa das ilustrações.

Entre os trabalhos para a Monterrey, o que mais se destacou foi a espiã Brigitte.

Brigitte era filha de Giselle, a espiã nua que abalou Paris, folhetim do jornalista David Nasser que havia salvado o jornal Diário da Noite, elevando suas vendas na década de 1940 e foi republicada pela Monterrey na forma de livros de bolso. O sucesso foi tanto que, quando a série terminou de ser publicada, o dono da editora teve a ideia de continuá-la através de uma outra personagem: a filha de Giselle.

Brigitte era uma estonteante morena de cabelos negros levemente cacheados, olhos azuis, pele dourada como pêssego e corpo escultural. Seu codinome era "Baby" e era a agente secreta mais perigosa do mundo. Sabia usar todos os tipos de armamentos e nunca se afastava de uma pequena pistola com cabo de madrepérola, que prendia com uma liga na coxa esquerda. Sempre que ia usá-la, fazia surgir as roliças coxas por entre o vestido, o que a fez ser conhecida também como "a espiã de pernas provocantes". Benício já era famoso pelas capas de Brigitte quando começou a produzir cartazes para cinema. A primeira encomenda veio do ator, diretor e produtor Adolfo Chadler, que em 1968 lhe pediu uma ilustração para o filme Os carrascos estão entre nós sobre a caça de nazistas que haviam se refugiado na América Latina após a II Guerra. O filme não fez grande sucesso e é mais lembrado exatamente por ter sido o primeiro a contar com a capa de Benício.

No cartaz o personagem principal apontava uma arma e agarrava uma loira linda, com olhos assustados. A imagem tinha tudo que faria de Benício o mais bem pago ilustrador brasileiro: o erotismo, a sofisticação, a composição muito primorosa e o hiper-realismo. O trabalho chamou a atenção de Osvaldo Massaini, um dos maiores produtores cinematográficos brasileiros, que o contratou para realizar a capa de diversos outros filmes, entre eles Independência ou morte e A madona de Cedro.

Nesse ponto, o livro chega a um dos seus assuntos mais interessantes: o trabalho de Benício para a Boca do Lixo, reduto de produção cinematográfica localizado no centro de São Paulo. Nesse local circulavam diretores, atores, atrizes, cafetões , prostitutas e aspirantes a atrizes buscando uma chance. O termo criado para batizar a produção dessa época, pornochanchada, talvez dê uma imagem irreal do que era produzido. Na maioria os filmes insinuavam muito e mostravam pouco, puxando muito mais para o humor do que para o erótico. Nesse sentido, os cartazes e os títulos com grande apelo sexual ajudavam a aumentar a bilheteria. Entre os títulos: A Virgem, Cada um dá o que tem, O grande gozador, Deixa amorzinho... deixa, A noite das imorais.

A obra de Gonçalo ajuda a preencher a lacuna bibliográfica sobre a Boca do Lixo, mas esse importante momento do cinema popular brasileiro por si só dava um livro com foco nos bastidores das produções. Como o foco é a obra de Benício, Gonçalo se atém mais ao trabalho com os cartazes.

O livro é repleto de ilustrações de Benício. Só por isso já valia a compra, em especial pelas coloridas. A capa, por exemplo, abre em uma orelha dupla com três imagens femininas belíssimas. De negativo apenas a falta de uma melhor revisão (há trechos praticamente repetidos dentro de um mesmo capítulo). Mas, de resto, é uma obra obrigatória para colecionadores.


Gian Danton
Macapá, 19/8/2013


Quem leu este, também leu esse(s):
01. Sebastião Rodrigues Maia, ou Maia, Tim Maia de Renato Alessandro dos Santos
02. Piada pronta de Luís Fernando Amâncio
03. Dilúvio, de Gerald Thomas de Jardel Dias Cavalcanti
04. Como se me fumasse: Mirisola e a literatura do mal de Jardel Dias Cavalcanti
05. Reflexões sobre o ato de fotografar de Celso A. Uequed Pitol


Mais Gian Danton
Mais Acessadas de Gian Danton em 2013
01. E Benício criou a mulher... - 19/8/2013
02. Conservadores e progressistas - 29/7/2013
03. Billy Wilder: o mestre do cinema, parte I - 8/4/2013
04. Procure saber: os novos donos da história - 21/10/2013
05. Biocyberdrama: quadrinhos pós-humanos - 20/12/2013


* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site



Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




DICIONÁRIO AMOROSO DE CURITIBA
MARCIO RENATO DOS SANTOS
CASARÃO DO VERBO
(2014)
R$ 30,00



O DOM DE CURAR E A CHAVE DA BOA- NOVA NOVO PENTECOSTES- VOLUMES 8 E 13
VÁRIOS AUTORES E GEORGE KOSICK
LOYOLA
(1979)
R$ 12,00



RATIONAL-EMOTIVE THERAPY WITH ALCOHOLICS AND SUBSTANCE ABUSERS
ALBERT ELLIS, JOHN F. MCINERNEY, RAYMOND DIGIUSEPPE E RAYMONG J. YEAGER
PERGAMON PRESS
(1989)
R$ 45,30
+ frete grátis



GUARDIÕES DE SONHOS: O ENSINO BEM-SUCEDIDO DE CRIANÇAS AFRO-AMERICANAS, OS
GLORIA LADSON-BILLINGS
AUTÊNTICA
(2008)
R$ 41,83



OSTRACADILHOS
GEORGIANA GUINLE
STRAVAGANTE
(1991)
R$ 10,00



BURACOS BRANCOS
JOHN GRIBBIN
FRANCISCO ALVES
(1985)
R$ 19,00



FUGIR
JEAN-PHILIPPE TOUSSAINT
BERTRAND BRASIL
(2008)
R$ 19,00



ANJOS E DEMÔNIOS
DAN BROWN
SEXTANTE
(2018)
R$ 10,00



FANGIRL
RAINBOW ROWELL
PAN MACMILLAN
(2014)
R$ 20,00



ANJOS- SERES DE LUZ, MENSAGEIROS CELESTES, PROTETORES DOS HOMENS
PAOLA GIOVETTI
SICILIANO
(1995)
R$ 20,00





busca | avançada
27984 visitas/dia
1,1 milhão/mês