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Domingo, 16/6/2019
Em segundo plano
Ricardo Gessner

+ de 600 Acessos

Recentemente assisti a uma palestra sobre novas tendências pedagógicas. É o tipo de prática que faço para melhor compreender os meandros dos círculos dantescos deste submundo chamado pedagogia: um inferno criado por gente que não habita nele.

Nesses casos, é comum o conferencista utilizar-se de perguntas retóricas para criar a impressão de genialidade; indagar sua plateia sobre algo aparentemente óbvio, mas que, ao mesmo tempo, deixa a todos surpresos, sugerindo que todos somos ingênuos. Noutras palavras, é comum o conferencista valer-se de algo tão antigo como o é a pergunta retórica. Nessa palestra, foi a vez de: “Vocês sabem onde está o conhecimento?”. Como de praxe, esperou poucos segundos para, em seguida, sacar seu smartphone modernoso do bolso e responder: “Está aqui, na palma da mão”. Pensei: “Não seria mais adequado se o conhecimento estivesse no cérebro?”.

Seu intuito era, obviamente, endossar a concepção de que o aluno é cada vez mais independente; de que o aluno sabe e tem autonomia para buscar suas respostas; de que o professor é um mero intermediário, em grande parte desatualizado e que não pode ser o “detentor do conhecimento”. O smartphone passou a ser. Facilmente confundem-se os meios com os fins: o ensino é direcionado para a tecnologia, não para o aprendizado.

É um gesto que me espanta em vários aspectos. O primeiro deles é que tudo isso é apresentado como se fosse novidade, isto é, a tecnologia sobrepondo-se às formas tradicionais de conhecimento; no entanto, isso é tão antigo quanto a espécie humana. Quando vejo um entusiasta, como aquele palestrante, elevar a tecnologia e o aluno, exaltando sua autonomia e independência, vejo que o universo possui um ritmo cíclico e, naquele momento, ele está se atualizando.

Imagino o seu equivalente: um vendedor de livros, logo depois que a imprensa foi inventada, com uma pasta debaixo do braço, uma mala no chão, na porta de um mosteiro. O vendedor manuseia o livro debaixo dos olhos espantados de um monge, e diz: “Veja só! Agora não é mais necessário o trabalho dos copistas; basta armazenar esse instrumento na biblioteca para ter o conhecimento ali. Não é mais preciso memorizar nenhum livro; basta guardá-lo na estante”.

Quando a relação entre conhecimento e tecnologia está em jogo, a segunda tende a ser valorizada por aqueles que não estão diretamente envolvidos com o conhecimento. A invenção da escrita fez surgir o copista; a invenção da imprensa, o editor; o smartphone, palestrantes entusiastas. E, nesse processo, o conhecimento permaneceu, e permanecerá, em segundo plano.


Postado por Ricardo Gessner
Em 16/6/2019 às 18h58


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