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Segunda-feira, 17/8/2015
Armagedon
Raul Almeida

+ de 900 Acessos

A gente vai envelhecendo e estabelecendo padrões de comportamento que ficam, definitivamente, impressos em nossas mentes, tal e qual a foto 3x4 do documento de identidade. Assim, aproveitando a necessidade de regularizar uns papeis, ou seja, reconhecer firmas no cartório, estiquei ate a rua são Jose e seus bares de calçada buscando meu amigo que, todas as tardes assina o ponto logo depois do almoço.

Olhei para lá e para cá e não deu outra: Lá estava ele, com o seu inseparável maço de cigarros acompanhado do isqueiro Zippo, as costas semicurvadas por maus hábitos ao sentar-se, o copo de chope, o jornal dobrado sobre a cadeira do lado, as pernas cruzadas e o olhar perdido no nada da multidão indo e vindo apressada.

Cheguei de frente, com a mesma expectativa de uma conversa divertida, uns momentos agradáveis e o exercício da velha e boa filosofia de mesa de bar, especialidade que enriqueceu com livros especializados que comprou em quantidade.

As saudações e todo o ritual de boas vindas, praticado sempre que nos encontramos, precedeu o pedido do meu copo, com o colarinho rigorosamente medido, os petiscos e a troca do cinzeiro.

- Então, como andam as reflexões sobre tudo e mais alguma coisa? Perguntei.
- Olha, cheguei a conclusão que morri e não deitei.
O mundo é uma aberração. A humanidade é de fato, um problema que o Criador não contava que fosse ocorrer.
- Está soando meio herético, respondi
. A humanidade é a sublime criação! É a forma mais fácil de se imaginar como e de onde sai tudo isto. De acordo com a tradição, somos imagem e semelhança do Maioral!
- Aí é que quebra a rocha! Respondeu, com uma frase de batuqueiro. Semelhança, é como um carro qualquer e um Mercedes ou Bentley. Até pode parecer, mas não é.

Fiquei calado. Não encontrei nenhuma linha de raciocínio para continuar um assunto tão bizarro. Então, já pedindo a reforma do meu copo, pedi maiores explicações. Não estava entendendo bem a historia.
- Não existe maior prazer que um bom amor de cama.
Começou a falar em tom de afirmação definitiva.
Você acha que existe? Indagou desafiador.
Será possível encontrar melhores e/ou maiores sensações? E completou, imperativo: Não existe.
- E daí, o que tem a ver um bom chamego com a idéia da humanidade ser uma aberração?
- O que você chama de chamego é algo que deveria ser prerrogativa exclusiva do Maioral e , ele a deixou escapar.
O cio perene, o prazer prolongado, controlado, sublime, etc, não estava nos planos originais, daí pecado original, a tal árvore do bem e do mal, e todos os outros sofismas para explicar essa qualidade dos seres humanos:Reproduzir-se sem o dom divino da imortalidade.
Dei uma gargalhada indiscreta, e fiquei esperando a conclusão do assunto e o que mais viria depois dessa conclusão monumental.
- Os povos do primeiro mundo estão acabando. Estão sendo substituídos por sub-povos que, em breve, estarão no lugar dos atuais ingleses, alemães, franceses, suecos, noruegueses, suissos, austríacos, e por aí vai.
Quer dizer que quem não está nesta relação de nacionalidades é gente de segunda, é sub-povo? Isto cheira a um preconceito abissal!
Você acordou de mal humor, enfiou o pé no penico e está querendo tocar fogo no mundo! HAHAHAHA...
Voltei a gargalhar, pressentindo o humor debochado e caustico que sempre aparece por trás das falas do meu amigo.
Pense bem: Esses paises estão encolhendo em matéria de população. Os naturais estão sendo substituídos por imigrantes e caminhantes de todas as partes do mundo. Essas nações estão sendo modificadas completamente.
Metade da Alemanha de hoje é turca. O turco nacido na Alemanha não é nem turco nem alemão. É aleturco. Não é protestante e o seu islamismo não é fundamentalista. Está progredindo e experimentando um modo de viver e relacionar-se diferente do que deixou para trás, em sua aldeia. Por sua vez, a França está cheia de marroquinos, sudaneses, senegaleses, argelinos e outros naturais de outras localidades, que vão nascendo, mudando de hábitos, aprendendo novos conceitos de civilização e modernizaçao da própria cultura. Seus descendentes ainda se dirão franceses, mas com o tempo serão franroquinos ou seja lá o que for, o francês mesmo, não esta repondo a população. E assim acontece desde o começo dos tempos.
Os que evoluem param de fazer filhos. Ficam só com o prazer de viver uma vida bem vivida.
É como um raio de luz que segue em direção ao infinito até extinguir-se.
Os outros vão se reproduzindo, inflando suas tribos, depois se matando em guerras, evoluindo e, finalmente, parando de reproduzir-se.
É quando atingem o ponto de descolamento do mundo, quando viram sutilezas etéreas, referencias históricas, se é que viram alguma coisa a ser substituída por novos invasores, imigrantes, mutantes geográficos, etc

Discordei, até porque se a gente segue concordando, a conversa acaba. Tem que haver o contraditório, tem que ocorrer a discussão.
- Continuo com afirmação que o destino do mundo é mesmo acabar.
- O erro do projeto foi equipar o casal primevo com a genitália completa. Era só não colocar as bolas no cara e pronto!
Agora a gente fica esperando a próxima guerra, o próximo terremoto ou meteoro gigante que vai liquidar tudo para que se volte a estaca zero e o projeto do Maior recomeçar sob uma nova perspectiva.
Ele já tentou com dinossauros pequenos, depois gigantes. Já tivemos gregos e romanos, e agora se sabe que existem meios para resolver a parada em poucos minutos.
Os arsenais nucleares existem, basta um idiota apertar um botão e o mundo vai virar luz... O sublime, o sutil e volátil resíduo atômico, os bósons...
Mais uma vez, o Maioral vai passar a borracha em tudo, zerar a fatura e propor a si mesmo uma nova representação de si mesmo. E ainda tem gente que diz que a vaidade é um pecado. Não será um exclusivo dom divino?

-Mas, o que é que tudo isso tem com o começo da nossa conversa? Você disse que morreu e não deitou.
- Pois é o que é viver?
- Acho que já vivi. Houve um tempo em que eu ia alem do bar, do jornal, da padaria, do noticiário da TV. Tive meus momentos de deus, com filhos, amigos, criatividade,vaidade e ambição. Tive opinião, vontade de lutar pelas minhas idéias, fiz um bocado de coisas.
E o tempo passou, sai da validade, fiquei obsoleto. Ranzinza. Critico, cético.
Agora só falta redigir o obituário, aprovisionar para o churrasqueiro e, bem, vamos pedir mais uma? Perguntou.
Concordei com a saideira, argumentei sobre a aridez e amargura do discurso do dia, tentei encontrar alguma palavra para ser o mote da continuação do nosso dialogo, mas já estava ficando tarde, e não gosto de pegar a barca quando está muito cheia.

Nos despedimos com um abraço, coisa que não fazíamos havia tempo.


Postado por Raul Almeida
Em 17/8/2015 às 09h58


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