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Terça-feira, 24/7/2018
A passos de peregrinos lll - Epílogo
Antonio Feitosa dos Santos

+ de 600 Acessos

A nossa saga continua. Aos 11 dias do mês de junio, segunda feira, tomamos o café cedinho e de malas em punho tomamos o ônibus, com objetivo final Jerusalém. Faríamos porém, diversas paradas para visitas, como veremos a seguir.

Seguimos pele vale do Jordão, de um lado e do outro, paisagens montanhosas e desérticas, quão incrível é a natureza e o empenho do homem, bananeiral, oliveiras, tamarineiras e damasqueiros em abundância, um misto de beleza humana e divina.

Nossa primeira parada foi em Jericó, uma das cidades mais antiga da terra. “Jericó é uma antiga cidade da Palestina, situada às margens do rio Jordão, encrustada na parte inferior da costa que conduz à serra de Judá, a uns 8 quilômetros da costa setentrional da parte árida do Mar Morto e aproximadamente a 27 km de Jerusalém”.

Nas proximidades da Cidade de Jericó, encontra-se o Monte das Tentações, uma montanha em cuja metade, ergueram um mosteiro ortodoxo, que tão somente o destemido homem, com a ajuda divina é capaz de tal façanha. Para se chegar ao mosteiro, precisa tomar um teleférico, para alcançar esse objetivo. E lá fomos nós, uns apreensivos, outros eufóricos e outros nem tanto. Chegamos lá, simplesmente um visual deslumbrante e mais uma etapa cumprida.

De volta, entramos na cidade Jericó. Aqui numa loja de cosméticos do mar morto, as mulheres principalmente e alguns homens, inclusive eu, fizeram a festa comprando produtos como: cremes para o corpo, para a noite e o dia, para os pés e mãos, sabonetes, uma diversidade infinda. Compramos mel de tâmaras e tâmaras secas, as melhores do mundo. Uma comprinha também faz bem e eleva o moral da turma peregrina, porque ninguém é de ferro, não é mesmo?

Ao saímos da cidade paramos na oliveira, (sicômoro de Zaqueu). Conta a bíblia que esse homem era muito baixinho e subiu nessa arvore para conseguir ver Jesus passar. Disse-lhe Jesus: Zaqueu desce dessa arvore, hoje repousarei em tua casa.

Seguindo viagem chegamos a Qumram, onde há vários manuscritos bíblicos, encontrados em sítios arqueológicos, nos arredores do mar morto.

Khirbet Qumram, “Ruína da Mancha Cinzenta”, sítio arqueológico situado na Cisjordânia, a cerca de 1 quilometro e meio a noroeste do Mar Morto, distando 12 quilômetros de Jericó e a leste, 22 quilômetros para Jerusalém. Aqui comtemplamos os achados, pinturas e os manuscritos de tempos idos.

No comercio local, compramos água, tomamos café e espreitamos a paisagem avermelhada e cinzenta da terra desnuda do deserto que nos rodeava. Daqui partimos para o mar morto.

O mar morto, realmente não há como ter vida numa água daquela, aliás não é agua, mas um caldo consistente de sal, pode-se ler um jornal deitado em sua superfície sem afundar.

Alguns peregrinos caíram naquele caldo, outros molharam os pés, eu molhei as pontas dos dedos e sai correndo para lavar em água doce.

Muito interessante ver a imensidão de água tão salgada. Acredito que em algumas dezenas de anos, tudo aquilo não passará de uma imensa salina. O sol é muito quente e quase não há vento na região, por isso, persiste ainda o nome água.

O sol já pendia baixo para o poente, quando saímos do mar morto, não sem antes fazer a contagem dos peregrinos, pela Marcia e Mei, as guardiãs da família. Ninguém faltando, seguimos firmes na direção de Jerusalém.

Subimos cortando o deserto da Judéia, para finalmente entrarmos triunfantes na cidade das cidades. Jerusalém a nova morada da nossa peregrinação, o Hotel Ramada.

Após o jantar veio via WatsApp, o horário do dia 12, a seguinte mensagem: “Família se alguém não estiver na recepção as 05h:30min vou considerar que não vai participar da Via Sacra”. Adivinhe a que horas acordamos.

Era doze de junho de dois mil e dezoito. Na velha Jerusalém, entre muros, há um grande mercado árabe-Judeu, é nas ruas internas desse mercado onde ficam as estações da via dolorosa, era ali, o monte do Gólgota.

Sua primeira estação é sob o portão de entrada na cidade velha, portão de Santo Estevão, onde começamos. Depois na (piscina probática, igreja de Sant’Ana fechadas), Fortaleza Antônia, (A Fortaleza Antônia era uma praça-forte construída por Herodes, o Grande, em Jerusalém, na extremidade oriental da muralha da cidade. Ligada ao Templo por uma galeria, e cujo nome homenageava o triunvirato romano).

Seguindo as Estações até o Calvário e o Santo Sepulcro, onde terminamos a Via Sacra. Voltamos ao café da manhã no hotel e logo depois, prosseguimos nossos caminhares.

Voltamos a Jerusalém antiga, até o Santo Sepulcro, onde em uma de suas capelas, Padre Aldo, celebrou a santa missa.

Segundo a nossa guia Mei, o Monte do Gólgota, onde se encontra o Santo Sepulcro, foi muito rebaixado pelos bizantinos. Na realidade eles fizeram o que hoje chamamos de terraplanagem, até conseguirem construir a igreja sobre a gruta do Santo Sepulcro de Jesus.

A gruta se encontra na parte central traseira da nave, em frente à entrada principal do templo. Donde conclui-se que aqui ele foi crucificado e enterrado até a sua ressureição. Ainda em frente à porta principal, encontra-se a lápide, onde o corpo de Jesus foi ungido.

Após uma grande fila, adentramos ao Santo Sepulcro, ou seja, o local onde seu corpo foi depositado, após a sua morte por crucificação. Duas pessoas por vez, entramos eu e a Mayre, uma breve oração saímos para que outro tivesse essa oportunidade única.

Do Santo Sepulcro, seguimos para Ein Karem. Esse lugarejo tem um significado especial por ser a cidade natal de Zacarias e Isabel, os pais de João Batista, e o local onde se deu inicialmente a Visitação, Maria, a mãe de Jesus se encontra com a prima Isabel antes do nascimento de João.

O primeiro lugar onde paramos foi na fonte que cedeu o seu nome ao antigo lugarejo, “Ein Karem, significa fonte do vinhedo”. Conhecida também como a Fonte de Maria, reza a tradição cristã, que a Virgem Maria parou lá para beber água enquanto visitava a sua prima Isabel. Essa fonte jamais parou de Jorrar água potável e cristalina.

Após a fonte, subimos uma imensa e íngreme escadaria até à Igreja Franciscana da Visitação, que marca a visita de Maria a Isabel em sua casa num pequeno sitio.

Belíssima igreja de dois andares concluída em 1955, sobre ruinas bizantinas e cruzadas. No pátio, os peregrinos podem ler um dos hinos mais decantado da igreja, Magnificat de Maria, que ela rezou quando encontrou com Isabel. Hoje, escrito em diversos idiomas na parede na frente da igreja.

Na capela no andar de cima pinturas retratando cenas históricas nas quais a Virgem de Nazaré tem um papel especial, como o Conselho de Éfeso, quando ela foi declarada Mãe de Deus.

Em seguida fomos visitar a Igreja de são João Batista, no lugar onde antes era a casa de seus pais. Fomos recebido por um frade brasileiro, muito simpático e fez uma preleção histórica da vida do santo. Belíssima igreja e repleta de uma energia revitalizadora da fé cristã. Já bem tarde voltamos para o hotel Ramada, para o jantar e o merecido descanso.

Aos treze dias de junho de 2018, levantamos cedo, tomamos o café, e de posse das nossas mochilas, fomos em direção ao ônibus, que nos levaria ao Monte das Oliveiras e a Belém na Cisjordânia.

No Monte das Oliveiras há um imenso cemitérios dos Judeus, avista-se do outro lado do vale, um enorme cemitérios dos Árabes, bem separado um do outro. No meio do monte há a Capela da Ascensão de Jesus Cristo, um pouco mais a baixo visitamos a gruta da traição a Jesus. Do lado oposto está a gruta donde nossa Senhora foi assunta de corpo e alma à glória celeste.

Descemos até a base do monte, para visitar a Igreja do Pater Noster, Igreja Dominus Flevit e o Jardim do Getsemani. Local esse, onde Jesus foi rezar logo depois da última ceia e lá foi feito prisioneiro. Por volta de meio dia seguimos para Belém de Judá, nessa viagem nossa guia Mei ficou, em virtude de dificuldades em adentrar nas terras palestinas, foi substituída temporariamente por Benjamim, guia palestino.

O nosso primeiro ponto de parada foi no campo dos pastores, contemplamos a igreja dos pastores, e mais uma vez padre Aldo celebrou uma missa na gruta número dois desse local, aqui Mayre fez a sua primeira leitura bíblica. O coral da família peregrina entoou os mais belos cantos, e ao final ouviu-se: Senhor eu creio, mas aumentai a minha fé.

Conhecemos ainda a gruta do leite, creio que o único lugar no mundo onde há uma imagem de nossa senhora de seio exposto amamentando Jesus. Pintura belíssima em um local de silêncio profundo. Visitamos a igreja da natividade, local onde se encontra a sala do estábulo, e o recanto da manjedoura onde Jesus ficou. Visitamos também a Basílica de Santa Catarina, muito bonita, como tudo na terra santa.

Visitamos ainda a gruta de são Jerônimo e em seguida retornamos para Jerusalém. Era hora de repousar para as próximas ações do dia 14 de junho.

No décimo quarto dia, mais uma vez tomamos o ônibus, as 9h:00 com destino ao portão de Jaffa nas muralhas da velha Jerusalém. Adentramos ao portão e percorremos o Mercado, parte Árabe e parte Judeu, após subir uma escada, nos deparamos com as piscinas probáticas e ao lado a igreja de Sant’Ana.

Um local importante, pois foi aqui, de acordo com a tradição, o nascimento de Nossa Senhora. Uma igreja em dois níveis, sendo o primeiro a nave principal da igreja, com uma acústica invejável. Aqui assistimos uma belíssima, musica por uma soprano do coral de um outro país. O segundo piso está sob o primeiro piso da Igreja, onde ficava a casa dos avós de Jesus, assim como o local destinado ao nascimento de Nossa Senhora. A presença de Maria mãe de Jesus se faz sentir da entrada a saída da igreja.

Logo depois, atravessamos uma praça e fomos em direção ao ônibus que nos aguardava. Circundamos as muralhas da velha Jerusalém, e novamente paramos, antes de um Shopping, caminhamos a pé, atravessamos o Shopping, subimos mais uma escada e nos deparamos com o portão dos Leões, onde a Mei sugeriu: são 11h:30, tempo livre até as 13h:45, todos devem estar de volta, para prosseguirmos até o Muro das lamentações.

Assim cada um fez como quis, uns foram ao mercado para realizar compras de lembranças para os familiares, outros foram almoçar ou lanchar, outros ainda visitaram lojas extramuros, exposição de ates etc. Depois dessas ações, voltamos ao portão de entrada nas muralhas, conforme estabelecido por nossa guia Mei, e logo após a contagem dos membros da família, seguimos a pé para o Muro das Lamentações.

Esse é um lugar sagrado por excelência para o judaísmo e é conhecido como Muro Ocidental (“Qotel HaMa'aravi הכותל המערבי em hebraico”). O Muro das Lamentações é o único vestígio do antigo templo de Jerusalém.

O Primeiro Templo, ou Templo de Salomão, foi construído no século X a.C. pelo Rei Davi e derrubado pelos babilônios em 586 a.C. O Segundo Templo, entretanto, foi construído por Zorobabel após o Exilio Babilônico, e voltou a ser destruído pelos romanos no ano 70 d. C., durante a primeira guerra Judaica-Romana.

“Quando as legiões do então general Tito destruíram o templo, só uma parte do muro externo ficou em pé. Tito deixou esse muro para que os judeus tivessem a amarga lembrança de que Roma vencera a Judeia (daí o nome de Muro das Lamentações)”. Fizemos nossas orações e a seguir, pela lateral, tomamos o ônibus e fomos para o topo do Monte Sião.

Subimos as escadarias que dão para a Abadia da Dormição. A 15 de agosto, católicos do mundo inteiro celebram a Festa da Assunção de Nossa Senhora, comemorando a elevação da Virgem Maria de Nazaré ao Céu, ao fim da sua vida terrena. A festividade é reconhecida pelas igrejas ortodoxas como Dormição, (adormecer), da Mãe de Deus. Esse também é o nome do Santuário católico em Jerusalém que comemora o evento: a Hagia Maria Sion ou Abadia da Dormição. A sólida igreja beneditina, com seu alto campanário em forma de cúpula, visível de vários pontos da cidade.

Por causa da santidade especial do local, tornou-se uma igreja judaico-cristã, conhecida como Igreja dos Apóstolos.

Conhecendo o Cenáculo: “Localizado em um andar acima da tumba do Rei Davi, o salão da Última Ceia, também chamado de Cenáculo, é onde Jesus e seus apóstolos dividiram a última refeição antes da crucificação, segundo a tradição Cristã. Acredita-se também que foi lá que muitos outros eventos importantes relatados no Novo Testamento aconteceram, como a aparição de Jesus para seus discípulos depois da Ressurreição”.

“O Cenáculo é dividido por três pilares em três naves. Os pilares e os arcos, janelas e outros elementos arquitetônicos góticos são uma clara indicação de que a sala foi construída pelos cruzados no início do século XII, em cima de uma estrutura muito mais antiga. A estrutura mais velha, de acordo com pesquisas arqueológicas, foi uma igreja-sinagoga das primeiras comunidades cristãs de Jerusalém”.

Ainda no Monte Sião, visitamos a Igreja de São Pedro Di Gallicantu. A Igreja de São Pedro Di Gallicantu é uma igreja católica romana, localizada na encosta oriental do Monte Sião, dos dias atuais, a poucos metros da saída da Cidade Velha, fora das muralhas de Jerusalém, no lugar da casa do Sumo Sacerdote Caifás.

Neste palácio, segundo as tradições, ocorreram o sinédrio e o julgamento de Jesus Cristo, descrito em (Mateus 26:58; Marcos 14:54 e Lucas 22:54). Os primeiros relatos dos peregrinos bizantinos, com algum apoio da arqueologia, apontam para a área da Igreja de São Pedro Di Gallicantu, como o possível local desse acontecimento. Finalizando nossa visita a este local, retornamos ao hotel, para banho e um breve descanso, antes do jantar de confraternização, hoje fora do hotel, como despedida da nossa peregrinação cristã.

As 8h:00, tomamos o ônibus e partimos para o jantar de confraternização e entrega do Certificado do Peregrino. Um jantar delicioso regado a um bom vinho e sangria. Ali, alguns dos participantes tomaram da palavra e teceram elogios a Marcia, nossa acompanhante e Mei, a nossa guia, de conhecimentos históricos e teológicos formidáveis, conforme fala do padre Antonio, que conta com minha anuência.

Depois do delicioso jantar tomamos o ônibus e regressamos ao hotel, já com o indicativo de malas prontas para o retorno aos nossos lares.

Na sexta-feira, 15 de junho de 2018, levantamos cedo, malas prontas e passaporte a mão, tomamos um café reforçado, tomamos o ônibus e partimos ao som de: quem parte, leva saudade, de alguém que fica chorando de dor... e lá fomos nós a busca de Emaús. Ruinas, tão somente ruinas, pouquíssimos habitantes, alguns frades e algumas freiras.

Num local reservado para orações por entre as ruinas, ali realizamos o mais lindo ato da nossa viagem, leitura de um texto bíblico, partilha do pão e do vinho, onde todos os participantes comungam de um só espirito, o Espirito Divino, na partilha do pão, como fizera o Cristo Jesus.

Vivemos o mais importante, o sentido espiritual de Emáus, o que essa passagem lembra. Jesus já ressuscitado, caminha pela estrada que sai de Jerusalém para Emaús, com dois dos seus discípulos e não é reconhecido por eles, até que ao chegarem ao povoado, Ele pega o pão e parte. Essa é a ideia central de Eamús, a partilha do pão, revelando o Cristo Jesus.

Prosseguimos a viagem, para Tel Aviv, onde ficava a velha cidade de Jaffa. Monumento ao seu antigo portão, jardins panorâmicos, muitas flores e esculturas, além de uma ampla vista panorâmica de Tel Aviv. Aqui nos separamos do meu filho, nora e seus pais, estes estenderiam a viagem até a Jordânia, por mais seis dias, após as despedidas, fortes emoções, eles seguiram para um hotel e nós, a outra parte da família, seguimos para o aeroporto de Ben Gurion (Tel Aviv).

Nesse aeroporto a comandante May, ficou até o instante em que o ultimo peregrino passou pela segurança israelense, fez entrevista, traduziu nossas respostas para o hebraico, aos seguranças, separou a família dos demais passageiros, uma verdadeira diva do turismo em Israel. Mairav Atmor-Mei, todá rabá.

As 15h:40 levantamos voo para Roma, onde chegamos as 18h:25 ao aeroporto Leonardo da vinci, Roma Itália. Lá eu, Mayre e Mariângela nos despedimos dos peregrinos de São Paulo, Ourinhos SP e Venâncio Aires RS, partindo de Roma as 22h:00 direto para o Rio de Janeiro, onde chegamos as 5h:00 da manhã de sábado. Graças a Deus, enfim em casa...

NOTA DO AUTOR:
Procurei ser o mais autêntico possível, é claro que algumas coisas deixei passar, e outras que ficaram aquém das minhas lembranças. Este pois, foi o modo que encontrei para agradecer a todos pelo companheirismo, aconchego, força e fé, sem estas características cristã, pouco andaríamos ou andaremos. Por alguns erros e falhas, minhas sinceras desculpas.
BR>Que assim seja por tempo indefinido. Bem e paz.

Rio de Janeiro em 25/06/2018
Santos.may@globo.com


Postado por Antonio Feitosa dos Santos
Em 24/7/2018 às 19h00


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