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Sábado, 2/5/2015
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Museus Parte I - Origens Históricas

Se consultarmos um dicionário da língua portuguesa para o significado da palavra "museu", de modo geral vamos obter o seguinte:
Museu: substantivo masculino, derivado do grego museîon, através do latim museum, em português museu, ao pé da letra, "templo ou lugar consagrado às musas".
Significado: lugar onde reúnem curiosidades de qualquer espécie ou exemplares artísticos e científicos: (sentido figurado) coleção de coisas várias e velhas¹.
As musas eram filhas do deus grego Zeus com Mnemósine (deusa da memória), e sua função era guadar as ciências, as artes e os tesouros da cultura. Existem diversos relatos do Mouseion de Alexandria, que data do século III a.C. e ficava em Atenas, que era antes uma instituição filosófica, lugar de contemplação.

Origens históricas do museu

Os museus existem há séculos e ao longo dos anos assumiram múltiplos objetivos. O século XX foi um marco, quando eles tiveram que se modificar diante das transformações relacionadas à compreensão das sociedades e seus fenômenos culturais. Foi então que o contexto educacional (formação e motivação de público) ganhou força e se estabeleceu como resposta à demanda por sua democratização de acesso. A exposição é de modo geral, a forma de comunicação dos museus e centros culturais com o público. Atualmente, esta comunicação está se tornando cada vez mais variada, não existindo mais o antigo museu, apenas "expositor de coisas antigas", conceito que por muito tempo dominou e ficou calcado no inconsciente do público.

A origem dos museus está relacionada com a vontade de colecionar objetos. Esse hábito é encontrado em muitos momentos ao longo da história da humanidade e pode ter diferentes objetivos como manter a memória, obter reconhecimento social, etc
A partir do século 16, na Europa, eram comuns os Gabinetes de Curiosidades, que eram salas onde eram expostos objetos de toda espécie, como animais empalhados, conchas, moedas, louças, esculturas, enfim, produtos da natureza e do homem.
Ao longo da história, os donos dos gabinetes privados começaram a permitir que viajantes e estudiosos visitassem o espaço. Ainda que restrita, essa visitação começa a se parecer com os museus públicos que conhecemos.
Foi a partir do século XVIII que se ampliou o caráter "público" das coleções apoiado pelas novas noções de cidadania, surgidas a partir da Revolução Francesa de 1789, porém eles ainda não estavam direcionados para o público em geral (não haviam legendas nas obras ou textos de apoio por exemplo). A observação era entendida como suficiente para se compreender a importância dos objetos expostos. O primeiro museu público foi o Louvre, criado em 1793 em Paris por Napoleão para exibir obras de arte confiscadas nas colônias francesas.
No século XIX, sob a influência da Revolução Industrial, começam a surgir novas formas de expor objetos, tais como: uso de cenário e aparatos que podiam ser tocados, por exemplo. O papel educacional se intensificou e foram criadas estratégias para facilitar a comunicação com o público, seleção dos objetos que deveriam compor a exposição, o aumento do espaço entre os objetos e introdução de legendas e textos com informações sobre os objetos. Percebe-se que o projeto curatorial, como hoje é chamado, é de fato um fator importantíssimo na comunicação e formação de público.
O museu moderno resulta do humanismo do Renascimento, do espírito do Iluminismo do século XVIII e da democracia do século XIX.
O período posterior a 2ª Guerra Mundial é caracterizado por estudiosos de diferentes áreas do conhecimento como um marco para significativas mudanças na história do pensamento. Uma aceleração sem precedentes na produção de tecnologias e comunicação e informação, transformou a sociedade e isso reflete nas instituições, sobretudo nas de caráter cultural e educacional.
O museu, como expressão cultural, também foi impactado por essa transformação e atravessou profundos questionamentos que visavam o desenvolvimento de uma função social. Em 1946 foi fundado o Internacional Council of Museums - ICOM, uma organização não-governamental. Isso possibilitou troca de experiências, ampliando o conceito do museu e mudanças nas relações dos museus com a sociedade com uma ampliação das funções sociais: de locais de guarda e estudo de coleções passam a locais de debates de ideias e atualização em relação às correntes vigentes no exterior.

No Brasil, devido ao interesse e iniciativas privadas, São Paulo avançou no relacionamento com o circuito de artes internacional nos anos 50, após longo período de hegemonia cultural francesa.
O Museu de Arte Moderna da São Paulo — MAM, foi fundado em 1948, pelo industrial ítalo-brasileiro Francisco Matarazzo Sobrinho, mais conhecido por "Ciccillo" Matarazzo. Foi um dos primeiros museus de arte moderna no país, com modelo inspirado no Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York, que era dirigido na época pelo milionário e grande incentivador Nelson Rockefeller. No caso do MAM de São Paulo, a maior parte do acervo inicial pertencia ao casal Ciccillo e Yolanda Penteado.
O encontro do experiente profissional museológico Pietro Maria Bardi, com o jornalista e visionário Assis Chateaubriand em São Paulo, resultou na organização do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand — MASP, com um programa inovador no meio museológico brasileiro.
Em 1951 o Masp trouxe o influente concretista Max Bill, e esta foi a primeira exposição de Bill fora da Suíça. Paralelamente, o mecenas Ciccilo Matarazzo trouxe a 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1951 com 21 países participantes, seguindo os moldes da Bienal de Veneza.
A 2ª Bienal de São Paulo em 1953, foi uma das mais importantes porque trouxe fragmentos de todos os movimentos culturais que aconteceram durante o período da 2ª Guerra Mundial (1936/ 1945), como a pintura abstrata e geométrica dos principais artistas modernos para o público, e além disso possibilitou novos horizontes para os artistas brasileiros.
Os museus e espaços expositórios foram melhorando a comunicação com seus públicos. As exposições passam a ser cada vez mais compreesíveis, com legendas, textos e objetos interativos. Interação que ultimamente tem sido unanima nas grandes exposições, senão fator principal. Cabe questionarmos o uso da interação como ferramenta de transmissão de conhecimento ou mero intreterimento, mas isso fica para um próximo post.

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Postado por Blog de Thereza Simoes
2/5/2015 às 20h19

 
No portal da escolha

A memória que está antes da escrita

Trás lembranças das tranças dos caminhos olvidos

Em quantos anos meu Deus?!...

Agora,

A memória irrompe afora

No labirinto

Que se entranham segredos

Gradeados em fosso

Buraco sem medida

Do fim.

As grades guardam

Gritos

Sussurros

Insultos

Pragas Jogadas no tempo da vida

Atravessam gerações

Ações escoadas naquele tempo imemorial

De antigos preceitos e orações

Que interferem no presente

Como transversais do passado ao futuro>

Construídas pela maldade

De não deixar ser

Aquela que se é

Mas

Eu sou o que sempre quis Ser

No âmago da vida que se tece em histórias

Reveladas em Musas da Poesia

Um dia

Talvez

Eu conte de mim em Romance.

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Postado por Blog de Rita de Cássia Oliveira
2/5/2015 às 15h07

 
Somos ignorantes

A expressão ignorante, infelizmente, ganhou um tom pejorativo, ofensivo muitas vezes. Vai alguém chamar o outro de ignorante!

Todos, no entanto, somos ignorantes. Eu sou. Tu, que me lês, também és. Alguns são "ingnorantes" (sic), outros "igonorantes" (sic). Ah, tu não sabes o que significa sic? És um ignorante.

Pois é, até Sócrates (o filósofo, não o jogador de futebol, seu ignorante!) se dizia ignorante: "só sei que nada sei", afirmava ele. Ora, justamente por isso, o oráculo de Delfos confirmou ser ele o mais sábio dos homens. Quando assumimos que não sabemos tudo, somos sábios. Porém, é lógico que seremos sábios não apenas assumindo a ignorância, mas procurando o conhecimento.

Por isso, não concordo quando chamam o dicionário de "amansa burro". Ora, quem procura o Aurélio ou o Houaiss, entre tantos outros, busca o significado de alguma palavra que não conhece ou a forma correta de escrevê-la. O dicionário, na verdade, é o "Pai dos inteligentes".

Então, qual é a diferença entre o ignorante e o burro? É simples: o burro não sabe e prefere não ficar sabendo. O ignorante não sabe, mas busca saber, busca o conhecimento. Anota aí: todo burro é ignorante, mas nem todo ignorante é burro.

Mas voltando a Sócrates. O filósofo, cuja mãe era parteira, se dizia "parteiro de idéias", pois fazia com que seus discípulos trouxessem à luz o conhecimento escondido dentro de cada um. A luz, então, passou a ser sinônimo de conhecimento, saber. Lembram quando o Professor Pardal, das histórias em quadrinhos, tinha uma grande ideia? Aparecia sempre uma lâmpada logo acima de sua cabeça. Existem expressões como "uma luz no fim do túnel" e "me dá uma luz". Tivemos o Iluminismo no séc. XVII, chamado de "Século das Luzes", contrapondo à "Idade das Trevas" como ficou conhecida a Idade Média. Se a pessoa pensa racionalmente, dizemos que ela é lúcida. E quando vamos explicar alguma coisa, vamos esclarecer, deixar tudo claro.

Platão, que foi discípulo de Sócrates, criou o Mito da Caverna para expressar a questão do conhecimento. Dentro de uma caverna viviam várias pessoas acorrentadas. Tinham como luminosidade o reflexo do sol na parede ao fundo, na qual eram refletidas as sombras de tudo que passava na entrada. Como nunca viram outra coisa, essas pessoas imaginavam que as sombras vistas eram a realidade. Que aconteceria, se um deles conseguisse sair da caverna? Primeiro, veria as coisas refletidas na parede como elas são realmente, descobrindo que, durante toda sua vida, havia visto apenas sombras de imagens. Depois, voltaria à caverna e contaria aos outros o que viu, tentando libertá-los. A maioria, porém, não acreditaria nele. Outros, quem sabe, poderiam ouvi-lo e também sairiam da caverna procurando conhecer a realidade. Ora, a caverna seria o mundo em que vivemos. O homem que se liberta seria o filósofo ou qualquer pessoa que não quer permanecer nas trevas da ignorância. A luminosidade do sol seria a luz da verdade.

Devemos sempre seguir essa luz. E não vai aqui nenhuma conotação religiosa, tipo "luz divina", até porque sou ateu (ou à toa, como me chama minha esposa). Quando falo em luz, é a interior, o brilho que todos temos dentro de cada um de nós ("conhece-te a ti mesmo"), mas fica escondido justamente por questões externas (entre elas as religiosas ou políticas). Quantas pessoas deixam de expressar sua opinião, preocupadas com que os outros vão pensar!

Sejamos, pois, ignorantes, mas busquemos, sempre, conhecer o que não conhecemos, saber o que não sabemos.

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Postado por Blog de Cassionei Niches Petry
2/5/2015 às 11h34

 
Sobre ruivos e formigas

Graziela pintou os cabelos, ficou ruiva e detestou. Insatisfeita, quer retornar aos antigos castanhos. Por mim ficaria assim um bom tempo, bendita menina dos cabelos longos que ficam belos em qualquer cor. Gosto quando ela passa deixando aquele vermelho espalhado no ar e me trazendo recordações. Certa vez, a minha classe no colégio Osvaldo Cruz recebeu dois novos alunos. Era mês de maio e o frio começava a chegar. O casal de irmãos entrou na sala timidamente, cada um sentou-se num canto. Vestiam casacos leves e usavam capuz, deixando no ar fagulhas de mistérios. Só no quarto dia revelaram o segredo: ambos eram ruivos. Diante do assombro de todos, fui o primeiro a dar-lhes a mão, não representavam para mim nenhuma espécie de perigo, embora o fascínio daqueles fios vermelhos atiçando o vento. Foi fácil fazer amizade com o menino. Renato adorava formigas, tinha o costume estranho de segui-las pelos gramados, queria saber onde daria o caminho e ficava contente quando se via diante do fim da trilha. Seu rosto sardento se abria num sorriso enquanto apontava aos gritos o formigueiro. Sem perceber, acabei adquirindo o mesmo costume. Até hoje, quando vejo uma trilha de formigas, sinto vontade de segui-las até encontrar o formigueiro. Com custos me contenho, armado no medo bobo de me tornar aos olhos dos outros um adulto tolo que segue formigas. A irmã do Renato foi a primeira garota a espalhar em meu peito as chamas da paixão, aquela pequena pontada no peito cada vez que nossos olhos se cruzavam. E banhado na ilusão, sonhava com castelos intransponíveis, no alto do penhasco, de onde uma princesa ruiva escondia toda a riqueza que eu, um amarrotado plebeu, poderia sonhar. Roberta era linda e sabia disso. Impunha o respeito misturado com admiração e nós, ingênuos garotos, medíamos cada palavra quando era preciso falar com ela. "cabelos ruivos hipnotizam" disse uma professora com o olhar severo, incomodada com tanta idolatria que devotávamos à menina dos cabelos de fogo. Com o passar do tempo, aqueles novos amigos, encantaram a todos. Um dia fui até a casa deles fazer o trabalho de ciências. A mãe me recebeu com total cordialidade e carinho, fez bolo de fubá, café com leite, contou histórias da outra cidade na qual moravam. Tinha o riso fácil e uma covinha na bochecha que saltava cada vez que sorria. Achei estranho seus cabelos negros que nada lembravam os dos filhos. Lá pelas seis da tarde, o pai dos meus amigos surgiu na porta de entrada e o mistério se desvendou: Era um senhor enorme, bastante gordo, devia ter a idade que tenho hoje. Do semblante de olhos enormes, se destacavam os cabelos encaracolados e completamente ruivos. Usava bigodes e barba no queixo, tudo vermelho, se transformando numa espécie de ser de outro planeta. Mal se sentou no sofá e já foi acendendo um cigarro e todos saímos de perto dele. No final daquele ano meus amigos foram embora para outra cidade. Estavam acostumados, a profissão do pai os obrigava àquelas mudanças. Nunca mais tive notícias. Tentei encontrá-los no Facebook, mas não me recordo o sobrenome e então a tarefa se tornou impossível. Fico com eles guardados na lembrança e na esperança que tenham se dado bem, já fazendo minha tarefa de escritor, compondo caminhos, imaginando o fim dessa história: Roberta se casou e foi morar em outro país, tem três filhos, todos ruivos, vive bem ao lado do marido, mantém a faceirice de quando menina e ainda causa mistérios indesvendáveis nas cabeças de todos os homens que cruzam o seu caminho... e nem por um segundo se lembra de mim. Renato se transformou num homem enorme feito o pai, dá aulas de biologia numa faculdade e mantêm a doçura de criança. Mora numa casa de vasto quintal que dá de fundos a uma pequena mata. Diversas vezes é pego seguindo os caminhos das formigas.

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Postado por Blog de ANDRÉ LUIZ ALVEZ
2/5/2015 às 11h23

 
Sobre ruivos e formigas

Graziela pintou os cabelos, ficou ruiva e detestou. Insatisfeita, quer retornar aos antigos castanhos. Por mim ficaria assim um bom tempo, bendita menina dos cabelos longos que ficam belos em qualquer cor. Gosto quando ela passa deixando aquele vermelho espalhado no ar e me trazendo recordações. Certa vez, a minha classe no colégio Osvaldo Cruz recebeu dois novos alunos. Era mês de maio e o frio começava a chegar. O casal de irmãos entrou na sala timidamente, cada um sentou-se num canto. Vestiam casacos leves e usavam capuz, deixando no ar fagulhas de mistérios. Só no quarto dia revelaram o segredo: ambos eram ruivos. Diante do assombro de todos, fui o primeiro a dar-lhes a mão, não representavam para mim nenhuma espécie de perigo, embora o fascínio daqueles fios vermelhos atiçando o vento. Foi fácil fazer amizade com o menino. Renato adorava formigas, tinha o costume estranho de segui-las pelos gramados, queria saber onde daria o caminho e ficava contente quando se via diante do fim da trilha. Seu rosto sardento se abria num sorriso enquanto apontava aos gritos o formigueiro. Sem perceber, acabei adquirindo o mesmo costume. Até hoje, quando vejo uma trilha de formigas, sinto vontade de segui-las até encontrar o formigueiro. Com custos me contenho, armado no medo bobo de me tornar aos olhos dos outros um adulto tolo que segue formigas. A irmã do Renato foi a primeira garota a espalhar em meu peito as chamas da paixão, aquela pequena pontada no peito cada vez que nossos olhos se cruzavam. E banhado na ilusão, sonhava com castelos intransponíveis, no alto do penhasco, de onde uma princesa ruiva escondia toda a riqueza que eu, um amarrotado plebeu, poderia sonhar. Roberta era linda e sabia disso. Impunha o respeito misturado com admiração e nós, ingênuos garotos, medíamos cada palavra quando era preciso falar com ela. "cabelos ruivos hipnotizam" disse uma professora com o olhar severo, incomodada com tanta idolatria que devotávamos à menina dos cabelos de fogo. Com o passar do tempo, aqueles novos amigos, encantaram a todos. Um dia fui até a casa deles fazer o trabalho de ciências. A mãe me recebeu com total cordialidade e carinho, fez bolo de fubá, café com leite, contou histórias da outra cidade na qual moravam. Tinha o riso fácil e uma covinha na bochecha que saltava cada vez que sorria. Achei estranho seus cabelos negros que nada lembravam os dos filhos. Lá pelas seis da tarde, o pai dos meus amigos surgiu na porta de entrada e o mistério se desvendou: Era um senhor enorme, bastante gordo, devia ter a idade que tenho hoje. Do semblante de olhos enormes, se destacavam os cabelos encaracolados e completamente ruivos. Usava bigodes e barba no queixo, tudo vermelho, se transformando numa espécie de ser de outro planeta. Mal se sentou no sofá e já foi acendendo um cigarro e todos saímos de perto dele. No final daquele ano meus amigos foram embora para outra cidade. Estavam acostumados, a profissão do pai os obrigava àquelas mudanças. Nunca mais tive notícias. Tentei encontrá-los no Facebook, mas não me recordo o sobrenome e então a tarefa se tornou impossível. Fico com eles guardados na lembrança e na esperança que tenham se dado bem, já fazendo minha tarefa de escritor, compondo caminhos, imaginando o fim dessa história: Roberta se casou e foi morar em outro país, tem três filhos, todos ruivos, vive bem ao lado do marido, mantém a faceirice de quando menina e ainda causa mistérios indesvendáveis nas cabeças de todos os homens que cruzam o seu caminho... e nem por um segundo se lembra de mim. Renato se transformou num homem enorme feito o pai, dá aulas de biologia numa faculdade e mantêm a doçura de criança. Mora numa casa de vasto quintal que dá de fundos a uma pequena mata. Diversas vezes é pego seguindo os caminhos das formigas.

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Postado por Blog de ANDRÉ LUIZ ALVEZ
2/5/2015 às 11h23

 
A pátria educadora (Crônica)

Foto: Feitosa dos Santos

As pessoas que criaram o slogan "A pátria educadora", têm noção do significado da palavra educação? Ou apenas constroem frases bonitas? O que seria uma pátria educadora para eles?

Por ser professor sei que uma pátria educadora, seria aquela qualificadora dos seus professores, com ambiente de trabalho saudável, salários adequados para dedicação exclusiva, material didático de qualidade e em quantidade suficiente, segurança e respeito de todos pela nobreza do oficio de ensinar.

Pátria educadora é aquela cuidadora dos seus alunos como um todo, é aquela que investe pesado na educação, prima pela literatura mãe, no nosso caso o português, investe na ciência e na tecnologia de ponta para iniciação cientifica de seus alunos.

Pátria educadora não permite o total abandono do ambiente escolar, não permite a insegurança instalada no meio acadêmico, não abandona os seus trabalhadores a própria sorte e por certo não tolera a propaganda enganosa nos meios educacionais.

A pátria educadora é muito mais que um discurso. É ação, soma, parceria, empenho, credibilidade e acima de tudo isso cuidar muito bem dos seus professores e alunos, do contrário, nunca será uma pátria verdadeiramente educadora e nunca terá um povo verdadeiramente educado.

Rio 01/05/2015
Feitosa dos santos

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/5/2015 às 17h38

 
Não cortem-lhes a cabeça!

Cada obra, cada texto, cria um ponto de ligação/identificação com o leitor(a). Todos temos preferências, e por conta das experiências pessoais de cada um, diferentes umas das outras.
Em Alice, do Lewis Carroll, este é o meu trecho favorito:


"Uma grande roseira imperava na entrada do jardim: as rosas que nela cresciam eram brancas, mas havia três jardineiros que se ocupavam em pintá-las de vermelho. Alice achou que aquilo era uma coisa estranha e aproximou-se para ver melhor. Justamente na hora que chegou perto deles, ouviu um dos jardineiros dizer:
"Cuidado, Cinco! Não jogue tinta em mim!"
"Eu não tive culpa", disse o Cinco em um tom aborrecido. "O Sete empurrou meu cotovelo."
Nisso o Sete olhou para cima e retrucou:
"Muito bem, Cinco! Sempre colocando a culpa nos outros!"
"É melhor você não falar nada!", disse o Cinco. "Ontem mesmo eu ouvi a Rainha dizer que você merecia ser decapitado!"
"Por quê?", disse aquele que tinha falado primeiro.
"Não é de sua conta, Dois!", disse o Sete.
"É sim, é da conta dele!", disse o Cinco. "E eu vou dizer pra ele... é porque você levou raízes de tulipa ao invés de cebolas para a cozinheira."
O Sete jogou o pincel fora, e estava começando a falar "Bem, de todas as injustiças...", quando seus olhos caíram sobre Alice, que os estava observando. Ele calou-se subitamente: os outros olharam ao redor e todos curvaram-se em respeitosa reverência.
"Vocês poderiam dizer-me, por favor", disse Alice, um pouco timidamente, "por que estão pintando estas rosas?"
O Cinco e o Sete não disseram nada, mas olharam para o Dois. O Dois começou, em um tom baixo:
"Porque, de fato, você vê, Senhorita, esta deveria ser uma roseira vermelha, e nós plantamos uma roseira branca por engano, e, se a Rainha descobrir, nós todos seremos decapitados, sabe. Portanto, você vê, Senhorita, estamos fazendo o melhor possível, antes que ela chegue para..."
Neste exato momento, o Cinco, que estivera todo o tempo olhando ansiosamente para o jardim, gritou: "A Rainha! A Rainha!"
E os três jardineiros atiraram-se instantaneamente de bruços no chão. Havia o som de muitas passadas, e Alice olhava ao redor, doida para ver a Rainha.
(...)"E quem são esses?", perguntou a Rainha, apontando para os três jardineiros que estavam ainda estendidos ao lado da roseira. Isso porque, vocês sabem, como eles estavam de bruços e a parte de trás do baralho era igual a todo o resto do baralho, ela não poderia dizer se eles eram jardineiros, ou soldados, ou cortesãos ou três das crianças reais.
"Como é que eu poderia saber?", disse Alice surpreendida por sua coragem. "Não é da minha conta." A Rainha ficou vermelha de raiva e depois de encará-la por um momento como uma fera selvagem, começou a gritar: "Cortem-lhe a cabeça! Cortem-lhe..." 
 "Besteira!", retrucou Alice, em tom alto e decidido, e a Rainha calou-se. 
O Rei pousou sua mão sobre o braço da esposa e disse timidamente: "Deixe pra lá, minha querida: ela é apenas uma criança!" 
A Rainha afastou-se dele com raiva e disse para o Valete: "Vire-os!" 
O Valete os virou, muito delicadamente, com um pé. "Levantem-se!", disse a Rainha com uma voz estridente e alta, e os três jardineiros instantaneamente saltaram e começaram a fazer reverências para o Rei, a Rainha, as crianças reais e todo o resto do pessoal. 
 "Parem com isso", gritou a Rainha. "Vocês me deixam tonta." 
Então, virando-se para a roseira, ela continuou falando: "O que vocês estavam fazendo aqui?" 
"Para servir à Sua Majestade", disse o Dois, humildemente, ficando sobre um joelho enquanto falava, "nós estávamos tentando..." 
"Eu entendo!", disse a Rainha, enquanto examinava as rosas. 
"Cortem-lhes a cabeça!" e o cortejo prosseguiu, com três dos soldados ficando para trás para executar os desafortunados jardineiros, que correram na direção de Alice em busca de proteção. "Vocês não serão decapitados!", disse Alice, colocando-os dentro de um grande jarro de flores que estava por perto. Os três soldados ficaram confusos por um minuto ou dois, procurando por eles e então voltaram para o final do cortejo. 
"As cabeças já foram cortadas?", berrou a Rainha. 
"Suas cabeças se foram, para servi-la, Majestade!", os soldados gritaram em resposta. 
"Muito bem!", gritou a Rainha. "Você sabe jogar críquete?"



Eu prefiro rosas brancas!



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Postado por Blog de Carla Lopes
1/5/2015 às 17h09

 
Existência Errante

Intróito

Avoé Musas!!!

Esse corpo bomba?

Bomba.

E bambeia a beira do só

Que sou em si



Mesmo em frente de mim

Em solidão necessária

Em solilóquio

No som do vento que faz as árvores

Que arboram a sacada da minha morada

No alto do espaço da minha medida.

Eu!!!

E os pássaros cantam na música do vento.

O quanto preciso de mim

Assim



Em sintonia da plenitude de existir

Na querela da vida em meio a tantas outras vidas.

O rosto

No espelho que não é meu

Mas

Necessário a mim

Pois

Eu

Sou

O avesso de mim

No outro

Lado do rosto

Esquerdo ou direito

Ensimesmado na unidade do estilhaço

De múltiplos caminhos iluminados

A serem escolhidos pela verdade

Que extraio

Da errância que assumo

Para ser que Sou!!!

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Postado por Blog de Rita de Cássia Oliveira
1/5/2015 às 17h07

 
Sobre futebol e modernidade



Em uma postagem em seu blog Todo Prosa sobre o falecimento de Ariano Suassuna, o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues comentou suas diferenças com o autor de O Romance d'A Pedra do Reino. Rodrigues se colocou como nascido em uma geração globalizada, já com todo um contato com tecnologias da informação, o que o afastava do nacionalismo de Suassuna, esse em uma realidade em que as tradições locais falavam mais alto.

Esse pensamento de cultura globalizada e do choque de gerações provocado pelos mesmo é um ponto-chave para a leitura de O Drible, livro de Rodrigues que tem como enfoque a relação entre pai e filho fortemente baseada pelo futebol. As diferenças entre os personagens Murilo Filho e Murilo Neto, cada um de uma geração diferente, são o pilar para um drama que é, ao mesmo tempo, uma homenagem à paixão nacional.

No enredo, Murilo Filho é jornalista dos tempos românticos do jornalismo brasileiro, uma figura à semelhança de Nelson Rodrigues, apaixonado pelo futebol e também pelas letras. Machista, beberrão, grosso, ele vê no sue filho o contraponto às suas próprias convicções. Murilo Neto não tem o mesmo amor do pai pelo futebol e cresceu em um mundo globalizado. As referências à música e aos programas de TV são constantes, mostrando o choque do pai ao ver o filho escutando Rick Wakeman e com gostos mais globalizados. A juventude de Murilo Filho nos anos 80 mostra seu aspecto cultural em conflito: é um mundo onde o rock predomina, onde não há mais espaço para o romantismo e para utopias, onde o pragmatismo reina supremo. Pai e filho em dimensões fortemente opostas. Referências a séries como Perdidos no Espaço e Topo Gigio são constantes, construindo também um retrato do Brasil de algumas décadas atrás.

As principais mostras desse distanciamento são as falas de Murilo Filho a Murilo Neto sobre futebol, momento resgatado quando o pai é diagnosticado com doença terminal. O velho assiste gravações de partidas e tenta repassar ao filho a mesma paixão com que analisa os lances. O jovem, ao contrário das expectativas do pai, passa praticamente batido pelas suas explicações esportivas. E esse afastamento se dá em todas as perspectivas, evidenciando que não há de fato um vínculo familiar entre os dois.

Um dos pontos altos de O Drible são as referências ao futebol, que balizam todo o fio narrativo e aparecem constantemente nos trechos dedicados a Murilo Filho. Da Copa do Mundo ao futebol de várzea, toda a mágica que envolve o brasileiro entre as quatro linhas está aqui. A trajetória do craque Peralvo nesse ponto é importantíssimo: é o terceiro personagem da história, existente nas lembranças de Murilo Filho, e que quebra a narrativa do drama familiar para repercutir o futebol em si. Saído da minúscula Merequendu no interior de Minas Gerais para tentar a carreira como jogador profissional no Rio de Janeiro, quase superou Pelé, em um dos momentos mais marcantes desse livro.

O estilo de escrita de Sérgio Rodrigues é singular. Há constantes mudanças de vozes na narração, variando entre a primeira e a terceira pessoa, focando em Murilo Filho, Murilo Neto ou em Peralvo. A aula de história sobre o cotidiano perpassa três épocas distintas (1950, 1980 e os tempos presentes) em uma constância de detalhes que aproxima o leitor dessas realidades. E sem contar no estilo agradável de escrita do autor, que capta a tenção do leitor.

O Drible é um sinal de um novo viés da literatura contemporânea do Brasil. Se os clássicos da literatura nacional aos quais os leitores se acostumam fazem referências a um país do passado, as vozes mais novas buscam justamente esse novo panorama, globalizado e de uma cultura interligada com a de outros países. Se uma das principais referências de Rodrigues no livro é a série Túnel do Tempo, pode-se dizer que seu livro é uma viagem entre o Brasil de hoje em dia com o do passado, em um choque de conflitos no qual o futebol permanece como a maior das paixões.

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Postado por Blog do Carvalhal
1/5/2015 às 14h18

 
Fahrenheit 451*, Oralidade e Memória

O caixão passa despercebido pela multidão, inerte pelas imagens paralisantes de uma televisão. Uma criança — pois a infância é menos distraída — pergunta aos pais: quem é o morto? O pai responde, sem tirar os olhos entorpecidos: "É a literatura, meu filho. Ela não tem mais lugar nesse mundo".

Já nos anunciava Ray Douglas Bradbury, escritor da história que deu origem à obra prima de François Truffaut "Fahrenheit 451" (1966) que a televisão nos deixaria órfãos do prazer literário. Embriagados pelo imediatismo dos videoclipes, em poucos anos não só deixaríamos de ler, como passaríamos a repreender aqueles que quisessem passar horas solitárias em companhia de um livro.

As palavras podem soar extremistas, ou mesmo absurdas. No entanto, é inegável a metáfora. Até mesmo nossas refeições são apimentadas pelo televisor. Dificilmente uma pessoa passa um dia sem ligar o aparelho. Postas de lado, as pequeninas folhas tornam-se cada vez mais amareladas, esquecidas na cabeceira. O livro se tornou uma espécie de adorno, mais um item indispensável na decoração de uma morada.

O início do filme já anuncia uma de suas simbologias. Os créditos são lidos por uma voz em off. Não há nenhuma letra, nada que possa ser lido pelo espectador. A primeira cena do filme já demonstra o suspense que irá permear toda a trajetória da película. Um rapaz recebe um telefonema que o alerta do perigo de permanecer em sua casa. Em poucos segundos ele abandona o recinto. Na sequência, uma equipe de bombeiros chega ao local e começa a busca por livros. A primeira referência é uma edição condensada de Dom Quixote. Toda a literatura impressa presente na casa é defenestrada. No meio de uma multidão de curiosos transeuntes, os livros são incendiados pelos bombeiros.

Em nenhum momento do filme fica explícito qual é o país ou a época. Entretanto, trata-se claramente de um regime totalitário no qual as pessoas são proibidas de ler. O único meio de comunicação permitido para os cidadãos é a televisão — fonte de informações nitidamente manipuladas.

O protagonista, Montag (Oskar Werner), é um jovem bombeiro dedicado ao trabalho. No princípio do filme ele não se questiona sobre a natureza de seu ofício, nem entra em conflitos existenciais. Todavia, ao conhecer uma vizinha, a professora Clarisse (Julie Christie), sua vida é posta em xeque. Ela o questiona se ele nunca lê nada daquilo que queima. A primeira epifania do filme é então anunciada — por que se deve incendiar os livros se nem ao menos se sabe o que neles está contido?

A partir desse momento, Montag aproveita suas buscas para guardar os livros em sua casa. Com uma dificuldade terrível, consegue ler as primeiras linhas de David Cooperfield (Charles Dickens). É engraçado identificar o movimento infantil da personagem. A falta de intimidade com a leitura faz dele um analfabeto funcional: é preciso ler em voz alta e pausadamente.

Em contraposição à evolução interna de Montag está sua mulher, também vivida pela atriz Julie Christie. A personagem Linda é praticamente um zumbi. Passa os dias em frente à televisão, absorvendo sem consciência crítica tudo aquilo que lhe é mostrado. Toma diversos comprimidos que a anestesiam dos sentimentos mais sofridos.

Um dos momentos fundamentais para compreender a mente de uma sociedade pautada em televisores é o diálogo entre Montag e Linda. Logo depois da transformação instantânea da personagem principal pela leitura, ambos discutem sobre a importância do livro. Ela demonstra uma profunda ojeriza. Diz ao marido que os livros deixam as pessoas tristes. A essa altura, Montag já se deu conta de que a tristeza é parte integrante e essencial do ser humano.

Montag vê-se, pois, títere do sistema. Incendiar a memória humana já não é mais concebível para ele. O ápice de sua epifania ocorre quando ele testemunha uma velha senhora a preferir ser queimada junto com seus livros do que existir em um mundo desprovido da imaginação literária.

A obra de Truffaut é toda envolta em maneirismo. A inversão dos valores humanos — salvaguardar a cultura e a história através das bibliotecas — é uma forma de lidar com a ambivalência constituinte do humano. O uso dos paradoxos por Truffaut não é apenas intuitivo ou acidental. Colocar as coisas de cabeça para baixo — bombeiros que provocam fogo, pessoas voluntariamente impossibilitadas de ler, livros vistos como armadilhas para a humanidade, etc. — tudo faz parte de um tear chamado Nouvelle Vague, movimento artístico da década de 60. Os realizadores que participaram dessa vanguarda, como Godard em Acossado, tinham como principal objetivo expor a palavra louca.

Talvez o grande triunfo do filme ainda fique para o final. Após o abandono de sua função, Montag descobre através de Clarisse que há uma sociedade alternativa, marginal ao regime totalitário. É a sociedade dos homens-livros. Todas as pessoas que não suportaram a ditadura televisiva formam uma espécie de aldeia onde cada um tem a obrigação de se tornar um livro, decorando-o.

É necessário ressaltar que a origem etimológica da palavra decorar tem o sentido de colocar no coração. Ou seja, em seu signo primeiro, decorar nada tem a ver com o movimento mecânico de ensino.

Sendo assim, os homens-livros têm a missão de memorizar o livro preferido e depois disso queimá-lo, para não serem condenados pelo regime. A beleza da mensagem é simples: nenhuma ditadura pode atingir o coração e a imaginação do ser humano.

Fahrenheit 451 e a Idade Média: aproximações

A primeira consideração diz respeito ao livro. No filme os livros são considerados diabólicos, elementos que retiram o homem do contato com seus semelhantes. É uma oposição à dimensão sagrada que o livro assumiu durante os tempos medievais. Há uma inversão de tudo: bombeiros que incendiam, televisões que educam, livros amaldiçoados. De acordo com Chevalier & Gheerbrant (2002), "o livro fechado significa a matéria virgem, conservando o seu segredo, mas se aberto a matéria está fecunda e o conteúdo é tomado por quem o investiga".

As casas do filme também requerem uma breve análise: são todas à prova de fogo. Isso pode carregar o sentido de que toda forma é preservada, frente ao conteúdo. Os primeiros livros da Idade Média tinham características semelhantes: como eram objetos muito caros para serem confeccionados, suas capas eram enfeitadas por diamantes. As pessoas gostavam de mostrar os livros como símbolo de status.

A supremacia do fútil, da superficialidade é apontada por diversas ocasiões no filme. Uma muito nítida é a personagem Linda, esposa de Montag. Ela supre suas angústias com pílulas que a retiram da tristeza. Para ela a verdade não tem nenhuma importância, "porque dói". Outro exemplo é o toque. Em várias cenas é possível ver as personagens a tocar em suas peles, como se o corpo fosse a única fonte de prazer.

Assim como as bruxas foram condenadas por estarem a difamar a palavra de Deus, a enxergar outras realidades inconcebíveis para a Igreja Católica, os livros em Fahrenheit 451 são oráculos da dúvida, do sofrimento, da transcendência. Diz o capitão a Montag: "A única maneira de sermos felizes é que sejamos todos iguais". O diferente, aquele que tem consciência crítica torna-se demasiado perigoso para os regimes totalitários.

O filme apresenta duas imagens muito belas que dizem respeito à memória. A primeira delas é um dos últimos diálogos que Montag tem com sua mulher. Ele a questiona onde foi que os dois se conheceram. Ela não consegue mais se recordar. A incapacidade de lembrar-se impede a evolução do ser humano.

A segunda imagem é ainda mais nítida. No fim do filme, quando Montag descobre que existe uma sociedade alternativa, na qual as pessoas são os livros, é quase impossível não ter o questionamento: isso é totalmente inverossímel! Nenhuma pessoa é capaz de decorar um livro inteiro!

Só um pesquisador atento pode desconstruir essas exclamações. Apenas alguém que estudou a fundo a Idade Média conhece a capacidade do ser humano de memorização. Decorar — de coração — é algo que há em nossas capacidades intelectuais, embora tenha se perdido ao longo do tempo. Segundo Bradbury (2003):

- [...] Todos nós possuímos memória fotográfica, mas passamos a vida aprendendo a bloquear as coisas que estão realmente lá dentro. Simmons trabalhou nisso durante vinte anos e agora dispomos de um método pelo qual podemos evocar tudo o que já tenhamos lido. Montag, algum dia você gostaria de ler a República de Platão?

- Claro!

- Eu sou a República de Platão. Gostaria de ler Marco Aurélio? O senhor Simmons é Marco Aurélio. [...] Quero que conheça Jonathan Swift, autor daquele pernicioso livro político, As viagens de Gulliver! E esse sujeito aqui é Charles Darwin, e este aqui é Schopenhauer, este outro é Einstein, e este aqui ao meu lado é o senhor Albert Schweitzer, um filófoso realmente muito gentil. Estamos todos aqui, Montag. Aristófanes, Mahatma Gandhi, Gautama Buda, Confúncio, Thomas Love Peacock, Thomas Jefferson e o senhor Lincoln, se você quiser. Somos também Mateus, Marcos, Lucas e João. [...] Somos todos fragmentos e obras de história, literatura e direito internacional. Byron, Tom Paine, Maquiavel ou Cristo, tudo está aqui. (2003, p. 186-187)

O menino que está a guardar o livro de seu tio, em uma das últimas cenas, é uma metáfora para a aparente dicotomia memória/esquecimento. Ele só consegue memorizar as últimas frases porque coincidem com a neve e a morte do seu mentor. O esquecimento é o desejo do menino em eternizar o seu tio, tal como na Idade Média o esquecimento dos poetas não está assim tão distante da memória. Segundo Ferreira (1991), esquecer também faz parte do legado do trovador medieval pois é algo:

que desliza, sob os mais diversos pretextos, nas sequências narrativas, situações em que se mascaram, eufemizam ou simplesmente se omitem fatos e passagens. Deve-se lembrar a questão da seletividade e de como o indivíduo, a comunidade ou o próprio atrito entre eles expulsa os elementos indesejáveis, aquilo que faz explodir a tensão. A dupla esquecimento/memória, portanto, é apenas uma aparente oposição. Numa grande medida, estas oposições são instrumentos conjuntos e indispensáveis em projetos narrativos que dão conta de eixos do conflito.

A oralidade, tanto no filme como na Idade Média, é parte constitutiva da comunidade. É só no grupo de exilados que Montag encontra seu lugar, liberto da ditadura igualitária que paralisa. Jamais seria possível encontrar seu caminho sem estar no mundo com outras pessoas que o compreendessem.

As pessoas que eram responsáveis pelas tertúlias medievais também representavam o arquétipo da comunidade na qual viviam. Segundo Zumthor, "A voz poética assume a função coesiva e estabilizante sem a qual o grupo social não poderia sobreviver" (ZUMTHOR, 1993: 139).

Uma última consideração que aproxima os leitores da Idade Média ao protagonista do filme é o ruminar. Montag precisa ler em voz alta, devagar. Passa os dedos por cima das palavras, como uma criança que inicia a alfabetização. Porque na realidade é uma metáfora: ele está a irromper todo um mundo imaginário, como se fosse a primeira vez — e é.

Não é possível nem necessário imaginar se Bradbury ou Truffaut pensaram em resgatar os antigos ensinamentos da oralidade ou da memória. Todavia, o filme ultrapassa as óbvias análises. Não é apenas um alerta aos perigos totalitários. Não é um hino de amor à literatura, somente. É um filme que toca em nossas potencialidades adormecidas. Desperta das trevas conceitos e símbolos que caminham com a humanidade há milhares de anos. Arde os olhos como o fogo.

_________________________________________________________

*O título Fahrenheit 451 é uma referência à temperatura que os livros são queimados. Convertido para Celsius equivale a 233 graus.



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Postado por Consultório Poético
1/5/2015 às 13h49

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