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Quinta-feira, 5/9/2019
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Inequações de um travesseiro

Qualquer número vezes zero é zero
Qualquer palavra vezes nada é nada

De qualquer sonho vezes a madrugada
brotam ecos de uma batalha

Equações desesperadas...

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Postado por Metáforas do Zé
5/9/2019 às 22h01

 
Caroço

O rio nasce
no retorno das águas,
justamente onde
os ventos se renovam.

Quando a palavra
ganha força
expirando-se boca a fora

Nó dos redemoinhos
semente de meus caminhos

Na lapela
brota a flor.

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Postado por Metáforas do Zé
4/9/2019 às 09h59

 
Serial Killer

Apesar de pari-passo ferir caminhos,
quilhas não deixam rastros,
graças ao álibi das águas
Portanto, escrevo, assim como,
quem mata o tempo...

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Postado por Metáforas do Zé
3/9/2019 às 21h41

 
O jardim e as flores

Não carregue mágoa, por nada nem por ninguém,
A liberdade do ser humano é se deixar levar,
Fui, voltei, tornei a ir e os ventos me levam assim.
Não sei sorrir, para depois chorar,
Não risco o nome de quem escreveu em minha página,
Pois o perfume das rosas não sucumbe ao do jasmim.

Há quem não tolera colher flores num jardim,
São efêmeras as flores, mesmo aquelas de pétalas raras,
Eu, você, nós, vós e os outros também efêmeros são.
Já não lembro em detalhes do que tu me falaras,
Foram palavras e sentimentos vãs que na página não ficaram,
Caíram no recanto vazio de aconchego, amor e emoção.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/9/2019 às 16h46

 
Agradecer antes, para pedir depois

Agradecemos pouco a quem nos concede a dádiva de ter o que pedimos, ou achamos merecer. Pedir é o nosso ponto forte. Assim pensamos e assim agimos.

Poucos são os que realmente sabem pedir. Deus nos concedeu a vida o maior e o melhor de todos os presentes. Caso pudéssemos desfrutar de todas as dádivas.

Deus não distribui ouro, pedras preciosas, dinheiro, patrimônio em geral. Ele, porém, nos premia com saúde, força de vontade, disposição, inteligência e capacidade de trabalho, para conseguirmos os bens materiais que acharmos essenciais ao nosso gosto e desejo.

Quer pedir a Deus? Peça a fé, a saúde, a coragem, a esperança, o ânimo, a vontade e muita disposição para caminhar cada dia. Gratuitamente tudo lhe é dado no decorrer da vida terrena. É caminhando que conseguimos alcançar cada meta planejada por nós mesmos.

Não adianta pedir um emprego, um trabalho, uma nova oportunidade e ficar parado a espera. Nada lhe é dado gratuitamente.

Você precisa correr atrás dos seus sonhos. Saia do seu conforto, vá a luta diária, faça por onde e Deus lhe concederá o suficiente, para si e os seus irmãos. Ele não lhe dará o que você quer, mas o que você precisa, na quantidade e no tempo necessário.

Saber compreender o tempo de Deus, não é fácil para nós humanos. Se ao menos compreendêssemos que Deus “É”, Ele está em nós e assim estará em todos os lugares aonde estivermos. Ele é bom e justo, creio eu, com Deus não perecermos jamais. Senhor aumentai a minha fé.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/9/2019 às 14h49

 
Esse é o meu vovô

O amadurecimento da pessoa, como individuo, permite escarafunchar os recônditos do cérebro, em assuntos dos quais, não havia interesse antes. O fato de ser jovem e pouco pensante, acerca do real alcance do tempo na vida humana é fator preponderante aos marinheiros de primeira viagem.

Alguém me perguntou da diferença entre ser pai e avô. Embora eu tenha do meu ponto de vista, poucas divergências, na condução base de criação, educação e segurança emocional de filhos e netos, penso pois, haver dois diferentes caminhos a serem trilhados.

Para quem é jovem e se sente pai, porque não basta ser, cria-se os filhos com elevado espirito de futuro. Faz parte desse futuro, uma boa escola, uma boa universidade, um bom relacionamento e chegamos a pensar nas amizades adquiridas pelos nossos filho, as boas e as más companhias, entre outros.

Em virtude de todo esse futurismo, deixamos de viver momentos maravilhosos com os filhos, momentos que se esvaem nos córregos do tempo e por certo, não voltarão a ocorrer novamente. É regra do tempo, o que passa, passou, não volta mais.

Sê avô é diferente. Você está pronto para absorver cada instante do neto ou no meu caso neta. Não deixo passar nada, curto cada momento que estamos juntos. Conto-lhe estórias que nem sei como as crio, de onde saem. São estórias de macacos, porquinhos, dragões, florestas, cavernas e muitas outras. O raciocínio não tem limite para tal.

Ela também me conta suas estórias, procura imitar-me até nos gestos. Rimos juntos, degustamos laranjas, morangos, tangerinas e seguimos curtindo a nossa presença em nós mesmos. Quanta delicia! Pena que o tempo não pare.

Nesse caminhar de avô, busco saborear cada instante com a minha neta. Tenho a impressão de que a minha vida se tornou mais efêmera do que antes. Procuro viver esses momentos da vida, junto dela, como se não houvesse o amanhã.

O tempo nos impõe isso. A cada até logo entre avós e netos, creio eu ser como uma despedida. Então peço por mais um amanhã, mais outro tempo, tempo sempre tão especial, para quem é, e quer ser avô.

Quando se é pai, acredita-se que há um longo caminho a ser percorrido. Acha-se também que há um tempo para tudo, durante todo o tempo. Mas quando se é avô, esse tempo não é tão longo assim. Por isso devoto todo o tempo disponível, para viver a honraria de ouvir da graciosa netinha: esse é o meu vovô. Com uma autoridade de quem descobriu na simples frase, o significado da posse. Bendita posse.

Rio, 12/08/2019

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
1/9/2019 à 00h43

 
Grito primal III

Com ingênuo erotismo transbordam
de viço as taças dos lírios ressonando
gemidos da carne nos vazios
das calmas vulvas brancas.

Não é tempo de espinhos.
Não é hora de despedidas.
Nem de langorosos amores.
Nem de incontidas paixões.

Vermelhos vermelhos,
os lábios do sol provam imaginária bebida
macerada entre pétalas de seda.

Também tem seu tempo
a voracidade da luz sorvendo
o sêmen das flores.


(Do livro Nada mais que isto)

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Postado por Blog da Mirian
31/8/2019 às 09h02

 
INDEFINIÇÕES

Dado o ermo das horas,
dos meus lábios flui aquilo que sinto.
Ou escondo.
Por isso reescrevo versos.
Por isso inicio diálogos com o desconhecido.

E a noite chega. E a casa dorme.
E no telhado repousam nuvens e teias.
E nas rosas de linha da cortina
sinto o perfume das flores vivas.

Mas a conjunção aditiva não ousa sustentar
palavra e carícia que, do indefinido,
se façam completude.

E nada poderá conter o que findará
em cópula e beijo.

E assim a espera não se conclui.

A desfiar o tecido das vestes, meu sangue flui.
Meu corpo estremece ante o desejo
de ser mensagem codificada.

Despojando-se à leitura.


Do livro 50 poemas escolhidos pelo autor.

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Postado por Blog da Mirian
26/8/2019 às 10h03

 
João Gilberto: o mito


Fonte: Wikimedia


Um crítico, que eu sempre lia, insistia na superioridade de João Gilberto em relação a vários cantores da história. Era por volta dos anos 1990. O CD ainda era, então, uma novidade. Sairia, por essa época, uma coletânea — foi a era das coletâneas -, com mais de 30 músicas, do cantor. O título, hoje, soa ainda mais apropriado, O mito.

Foi um dos epítetos que sempre se colaram na imagem do músico. Mito por ser o criador de um estilo musical, por esse estilo ter sido o símbolo de uma época, por engendrar uma revolução na técnica, e por dar ao ato de cantar um modo que, influenciado por cantores norte-americanos, tornou-se inconfundivelmente seu.

Naquele álbum em CD, percebi com o tempo, estava condensada, em excelente qualidade de remasterização, uma oportunidade de repetidas vezes, escrutinar os estilos musicais, a variação melódica, o fraseado constante da voz e — acreditem — a volúpia de violinos que pontuava as demais canções.

A regra geral era tentar se desacostumar das músicas voluptuosamente repetitivas do dia a dia e tentar se habituar, entender, se quisermos, uma voz que não gritava, não era histérica, mas que procurava dar a densidade necessária da expressão do sentimento em música.

Eu, já quase habituado ao cool jazz de Miles Davis e, especialmente, de Chet Baker , procurava perscrutar essas afinidades eletivas, que se misturavam com o samba canção, com a música de Caymmi, e com um espírito de época.

João Gilberto pertenceu a outra época. Mas nem por isso deixou de buscar se adaptar a novos estilos e novas canções. Sua versão de Besame mucho, se não exemplo total dessa adaptação, é uma demonstração perceptível da incorporação de um clássico dentro do seu próprio timbre.



O violonista me fez voltar duas casas musicais. De um lado, me aprofundar no jazz; de outro, voltar para a música brasileira, quando a música ainda era uma forma de expressar o mundo e não reivindicá-lo. Aisthesis =sensação.

Certa vez enumerei, para amigos, as três interpretações mais bonitas da história da música brasileira. Digladiavam-se, em minha esquina mental musical, Insensatez, Coisa mais linda, ocupando os primeiros lugares.

Essas músicas me deixaram, e deixariam, espera-se, a qualquer ouvido "destreinado", a impressão de que se está diante de, "mesmo" em remasterização (sim, cultura industrial), uma experiência na qual na primeira nota, a ser sussurrada, e na terceira, levemente expandida, se tem, em uma junção incomum, a harmonia entre uma das mais belas técnicas musicais e uma das mais expressivas formas de vocalização.



Se há influência sobre João Gilberto, como é sabido, deve-se, para muitos, ao Jazz. Nesse aspecto, sua glória internacional, está ligada à música norte americana. O álbum Getz /Gilberto, de 1963, foi um fenômeno em todos os sentidos.

Ele consolidou e expandiu mundialmente a bossa nova. Presente em especiais de TV, em filmes e séries, a música de espírito carioca, se tornaria uma música-mundo. O pai da bossa nova estaria inserido em um circuito musical inaudito para qualquer outro músico brasileiro, com exceção, à época, e graças à bossa, de Tom Jobim.



Tempos depois, me depararia com uma curiosidade. Ruy Castro, em Tempestade de ritmos: jazz e música popular no Século XX (2007), faria uma revelação para mim. Dizia ele:

“E os que ainda acreditam que foi de Chet Baker que João Gilberto tirou sua maneira de cantar é porque nunca ouviram Joe Mooney. Neste você encontrará a mesma liberdade de divisão, o fraseado bem-humorado e até uma razoável semelhança de voz. Não, Mooney não foi a única influência de João Gilberto — ponha aí também Orlando Silva, Lucio Alves, o Page Cavanaugh Trio, entre outras —, mas, que foi decisiva, foi. Uma influência que só se revelaria cinco ou seis anos depois, quando João Gilberto finalmente sintetizaria a sua batida de violão e mudaria sua maneira de cantar”.

E o que fiz? Fui atrás do que se estranha. Não conhecia metade desses nomes. Joe Mooney, por exemplo, ainda permanece um fantasma. Quando o colocava para pessoas ouvirem e dizia que influenciara João Gilberto, ficavam abismados.

Há dois dias de sua morte, ainda, erroneamente, cantarolava, tentando de maneira esdrúxula, imitar as interpretações do legendário músico. Aquele CD, do início de minha juventude, me marcaria, como uma música que, de modo recompensador, mas não gratuito, repete-se na minha esquina mental musical.

É inútil dizer que João Gilberto morreu. Estou colocando aquele álbum da década de 1990... Seu título é: O mito.


Este texto foi publicado em 07/07/2019 no Diário Online

Relivaldo Pinho é autor de, dentre outros livros, Antropologia e filosofia: experiência e estética na literatura e no cinema da Amazônia, ed.ufpa, 2015.
relivaldopinho@gmail.com

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Postado por Relivaldo Pinho
15/8/2019 às 19h23

 
Alma em flor

O
desejo
floresce

não
se
consuma

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Postado por Metáforas do Zé
12/8/2019 às 11h05

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