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Domingo, 15/7/2018
A passos de peregrinos ll
Antonio Feitosa dos Santos

+ de 700 Acessos

Após a narrativa da nossa viagem por terras italianas, vivenciando as belíssimas histórias dos seus santos, da cultura, costumes e passado do seu povo, convido-os a caminharem juntos conosco, pelas terras, nas quais Jesus caminhou e deixou marca indelével para as gerações futuras, a fé e a promessa de uma nova vida, e das quais foi Ele próprio, o Protagonista por toda a Terra Santa.

Ao sétimo dia de junho de 2018, despertamos cedinho, malas prontas, passaportes cuidadosamente separados, sem o café da manhã, mas tudo bem, estávamos na recepção do hotel, prontos para o novo desafio. Agora no Oriente Médio, continente Asiático, a Terra Santa em Israel.

Tomamos o ônibus em direção ao aeroporto de Roma, o Leonardo da Vinci. Uma sacola de lanches rápidos e água foi entregue a cada um de nós. A voz do padre Aldo se fez ouvir, era a oração do dia, e ao mesmo tempo a despedida de Roma, da Itália, do continente europeu.

No aeroporto os mesmos procedimentos, Mari nos acompanhou até o momento do embarque. Por volta das 10h:00, horário de Roma, levantamos voo com destino a Terra Santa. Por que terra santa? (Hebraico: Eretz Hakodesh; Árabe: Al-Ard Al-Muqaddasah). É uma região localizada entre o rio Jordão e o mar mediterrâneo, na atualidade é dividida entre Israel, Cisjordânia e Jordânia. É chamada de Terra Santa pelo seu valor histórico para as três maiores religiões monoteístas da terra. São elas: cristianismo, judaísmo e islamismo. Por isso a Terra Santa é considerada como o centro espiritual da terra.

Por volta das 14h:00, 1h:00 a mais em relação a Roma, para nós brasileiros 6h;00 a mais, aterrissamos em solo israelense. No aeroporto de Tel Aviv -Ben Gurion, os procedimentos costumeiros, a família cada vez mais coesa, capitaneada pela Marcia (nossa competente acompanhante), somada ao Jonas, guia local intermediário, porque a nossa guia israelense, por razões pessoais, só nos encontraria a noite. Fomos a busca do ônibus que nos conduziria ao hotel. Marcia fez a contagem costumeira dos membros familiares e prosseguimos para o Hotel Herods, as margem do mar mediterrâneo em Tel Aviv.

Ainda cedo da tarde, alguns dispuseram-se a tomar um banho de mar, outros foram conhecer algumas ruas das adjacências, outros foram curtir a beleza do relevo mediterrâneo da região, entre esses eu e a esposa, tomamos um café na cafeteria do hotel e fomos passear no calçadão a beira mar de Tel Aviv.

O jantar foi servido as 19h:30, todos os peregrinos estavam presente. Seguiu-se a apresentação da nossa guia, de nome tão complicado, Meirav Atmor, sua sugestão foi para que a chamássemos de Mei e assim foi feito. A culinária israelense é sem dúvida excepcional, como reza o costume de toda a costa mediterrânea. Depois do delicioso jantar, fomos descansar, no dia seguinte, após o café da manhã teríamos muita chão para percorrer em direção a Tiberias ou Tiberíades.

No oitavo dia de Junho de 2018, em seguida ao café matinal, de malas prontas e muita disposição, tomamos o ônibus e partimos as 8h:00 da manhã, rumo a cidade de Tiberias, com paradas e visitas a diversos locais históricos dessa terra e desse povo.

Nossa primeira parada foi em Cesárea Marítima, - Cesárea homenagem ao imperador romano César Augusto - capital romana na Judéia do primeiro século e uma das mais importantes cidades das cruzadas.

Já desgastada pelo tempo e pelo homem, me pareceu ter sido uma cidade progressista e de arrojado sistema de comercio marítimo, por toda a estrutura de que dispunha. Um verdadeiro museu a céu aberto. Pode-se ver ainda, ruinas do hipódromo, o que fora o palácio do Rei Herodes e o belíssimo Anfiteatro Romano.

O complexo arquitetônico compreende construções de diferentes épocas, desde o período helênico (século 3 a. C.) até o período das cruzadas século (12 d.C.), mas foi durante o imperialismo do Rei Herodes (37 a 4 a.C.), que cesárea ganhou destaque e se tornou o maior centro cultural greco-romano da região Oriental do Império Romano.

Após vislumbrar tanta beleza histórica, seguimos na direção do monte Carmelo. Nome derivado do hebraico Karmel, cujo significado é “jardim”, “campo fértil”, ou “vinha do Senhor”. Lá situa-se o Santuário de Stella Maris – Opus Dei, Mosteiro das Carmelitas Descalças.

Muhraqa, assim chamado o lugar onde ocorrera o sacrifício do profeta Elias em enfrentamento aos profetas de Baal.

A Bíblia não revela quase nada sobre a vida pessoal e familiar do profeta Elias. Sabemos apenas que ele era um tisbita (de Tisbi), lugarejo da terra de Gileade, que significa o monte de testemunho, (Gênesis 31;21), na região montanhosa a leste do rio Jordão, situado no reino da Jordânia.

O profeta Elias viveu no século lX antes de Cristo, durante os reinados de Acabe e Acazias, no reino do norte. A época o povo de Israel tinha se dividido em dois reinos. Judá era o reino do sul com capital em Jerusalém, e Israel era o reino do norte com capital em Samaria.

Ainda no monte Carmelo ou monte do Carmo, foi celebrado a santa missa pelo nosso guia espiritual, padre Aldo, e cânticos entoados pelo coral da família peregrina.

Prosseguindo a viagem chegamos a cidade de Haifa. Deslumbrante cidade banhada pelo mar mediterrâneo, um relevo costeiro de encantar qualquer ser humano, que goste de apreciar o belo. Comtemplamos também os Jardins Bahá’i, de delicados contornos e exuberância de verdes ramagens e belíssimas flores.

Haifa é uma cidade onde a religião predominante é a Bahá’i. Mas o que é essa religião? A fé Bahá’i é monoteísta, fundada por Bará’u’lláh, um nobre persa que viveu no século XlX. Seus ensinamentos afirmam que existe um único Deus e que as grandes religiões mundiais tem a mesma origem e essência divina.

Segundo eles, os fundadores das religiões majoritárias trouxeram ensinamentos e maturidades de diversos povos, em diferentes momentos de suas histórias. Entre esses mensageiros designados como “manifestantes de Deus” estão: Krihna, Buda, Abraão, Moisés, Zoroastro, Cristo, Maomé, e mais recentemente o Báb e Bahá’u’lláh.

Descobrimos também, um prédio da Universidade de Haifa, que foi projetado pelo famoso arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer. Nossa guia Mei dava banhos de conhecimentos históricos, a ela o nosso mais profundo respeito.

Após o vislumbre de tamanha beleza, seguimos em direção a Tiberíades, onde chegamos à tardinha ao Hotel Caesar, fincado as margem do mar da Galileia.

Fomos muito bem recepcionados, como em todos os outros, parece-me que as boas vindas é comum nos hotéis dessa região. O cansaço era um convite a cama, após um bom banho, deitei e dormi até a hora do jantar. Após a janta tirei algumas fotos do mar da galileia, dos seus barquinhos, réplicas do barco do pescador Pedro, do belíssimo pôr do sol, que refletia sobre as colinas do Golan - Ne’ot Golan - mais um banho e cama pra que te quero, sabia que ao amanhecer o dia seria de jornada.

No dia 9 de junho, logo após o café, empunhamos nossas mochilas e seguimos em direção a uma daquelas réplicas do barco de São Pedro. Hasteamos a Bandeira brasileira, emocionante, e enquanto deslizávamos sobre as águas do lago de Genezaré, em contrita fé celebrávamos, todos juntos a Santa Missa, belíssima celebração, e na qual o padre Aldo mais uma vez disse: Senhor eu creio, mas aumentai a minha fé.

Ao termino, do ato religioso, contemplamos aquelas águas, cada um a seu modo, local onde provavelmente Pedro e os outros pescadores, recolheram peixes para a alimentação deles e da população local. Quiçá tenha Jesus participado dessas pescarias e se alimentado também desses pescados.

Em seguida saímos para o monte das bem-aventuranças. Esse monte está situado entre Cafarnaum e Genezaré. Não se sabe ao certo onde ocorreu o “Sermão da Montanha”, mas este lugar tem sido comemorado há 1600 anos.

Outra sugestão do local para o “Sermão da Montanha”, antes conhecido como Monte Eremos, está localizado entre Cafarnaum e Tabgha, nessa montanha foi construído uma capela católica em 1939 pelas irmãs franciscanas, com o apoio do governo italiano, Mussolini. Aqui também fizemos uma leitura bíblica, com todo o grupo sentado em frente à igreja franciscana, logo após adentramos aos recinto do templo, para orações e contemplação.

A seguir fomos para a Igreja da Multiplicação dos Pães e dos Peixes. Localizada em Tabgha, ao noroeste do mar da Galileia, celebra-se ali o milagre dos pães e dos peixes, que de acordo com o Novo Testamento, foi feito por Jesus naquele lugar. Lá procedeu-se uma leitura bíblica maravilhosa por Olívio e uma explanação pela nossa guia Mei, que mais me parecia uma teóloga, nos alimentando de ensinamentos bíblicos e históricos. Mais um lugar indescritível, mesmo querendo explicar, apenas o sentimento de estar nesse lugar, pode nos proporcionar os ensinamentos requeridos pela fé.

Na sequência, tomamos o ônibus em direção a igreja da Pesca, um local convidativo a meditação, árvores nativas, pássaros entoando seus sublimes cantos, brisa suave a escorrer por sobre o corpo e um silêncio convidativo para ouvir. Lá em uma capela estava a possível mesa de pedra, Mensa Cristi, onde provavelmente se dispunha a alimentação para os pescadores a época. Local onde Jesus fez sua aparição pela terceira e última vez, após sua morte, aos seus apostulos. Fomos até a margem do mar, banhamos nossos pés, oramos na capela, votamos ao ônibus e tomamos o rumo das ruinas de Cafarnaum.

Cafarnaum está localizada ao extremo norte do mar da Galileia. Percebi ser uma das mais preservadas ruinas da terra Santa. Sobre as ruinas da sinagoga do primeiro século, a sinagoga de Jesus, vê-se os escombros bem preservados, da sinagoga construída no quarto século pelos bizantinos, com paredes ainda intactas, algumas colunas de pé, os escombros também preservado da casa da sogra de Pedro, sob a construção da igreja católica octogonal e moderna.

Essas observações nos dão a dimensão espiritual daquela, que se tem como a cidade de Jesus de Nazaré, “Yeshua Hamashach”, o messias prometido ao povo da Terra Santa.

Cafarnaum parece ter sido uma cidade, na qual moravam muitos pescadores e talvez tenha sido um dos senários mais importantes do ministério de Jesus Cristo.

Depois dessa maratona, fomos renovar a promessa do batismo no rio Jordão. Um lugarejo com toda infraestrutura, pronta para atender peregrinos do mundo inteiro. Lojas, shoppings, restaurantes entre tantos outros. Seguimos até a margem do rio de águas claras, num local especialmente preparado para renovação das promessas batismais.

Iniciou-se uma leitura sobre o batismo e Padre Aldo, proferiu algumas palavras dessa confirmação, em coro respondidas por nós peregrinos. Em seguida de bata branca, caminhou alguns passos da margem e de peregrino em peregrino foi confirmando o batismo, enquanto apanhava a água e despejava sobre a cabeça. Um ato emocionante e de renovação da fé em Jesus Cristo.

O rio Jordão, em si, não tem nada de sobrenatural, mas foi cenário de milagres pelo poder divino, tais como: a travessia do rio Jordão por Josué; a subida de Elias ao céu (a água, como represada lhe permitiu a passagem de um lado a outro); a cura de Naamã; a última e mais importante para a religião católica, o batismo de Jesus, por João Batista.

A localização do rio Jordão fica na fronteira oeste entre Israel e a Jordânia e a leste com a Síria. Ele desagua no mar da Galileia e em continuação para o sul, acaba por desaguar no mar morto.

Ao fim da tarde, Marcia e Mei procedem a contagem dos fiéis, faltava um, o Edson, lá foi a Mei a sua procura, brincadeiras à parte, retornamos para o hotel em Tiberias. Finalizando o segundo dia de peregrinação pela Terra Santa e o nono dia de uma jornada intensa, de força e fé.

No dia 10 de junho de 2018, domingo, após o café da manhã, tomamos o ônibus em direção ao monte Tabor. Localizado na Galileia, diante da cidadezinha de Nain e próximo ao lago da galileia.

Observando a paisagem árida da região, chegamos ao pé do monte. A estrada que nos leva ao topo, não comporta ônibus, por suas curvas sinuosas e altas elevações. Tomamos as vans, que nos aguardavam e iniciamos a subida. Vista deslumbrante, indescritível e temerosa, nosso irmão peregrino, Cesário, solicitou algumas vezes para o motorista ir mais devagar.

No topo do monte há duas Basílicas, que comemoram a Transfiguração, uma ortodoxa e a outra católica, cujo frade, brasileiro, nos recebeu para a visita e a Santa Missa que seria celebrada.

Um lugar de sonhos, de meditação, de conforto espiritual, um paraíso na terra. Logo depois da visita a Basílica católica, fotos e contemplação, fomos ao local onde provavelmente Jesus foi visto pelos discípulos falando com os profetas, segundo a Bíblia, Pedro quis construir tendas para Jesus, Moisés e Elias.

Foi neste local que realizamos a Santa Missa, e pela segunda vez proferi a primeira leitura e Cesário a segunda leitura desse ato religioso. Me comovi ao ver um casal, não participante do grupo, assistir à missa com tanto fervor pessoal. Que Jesus os abençoem sempre aonde quer que estejam. Aqui também eu e o meu irmão de leitura nos emocionamos, talvez por nos sentir de pé, no provável solo em que Jesus e seus discípulos estiveram.

Logo em seguida retornamos as vans e descemos pela íngreme estrada que nos levou a base do Tabor. Caminhamos até o ônibus, que partiu em direção a cidade de Nazaré.

Nazaré fica em uma região montanhosa, na parte alta do vale de Jezreel. Não é citada no Antigo Testamento, também não tinha destaque algum na tradição Judaica posterior, só vem a ter maior importância no Novo Testamento, justamente com a tradição Cristã, nas narrativas de Mateus e Lucas.

Aqui visitamos a Basílica da Anunciação, segundo a Bíblia, local onde o Anjo Gabriel enviado por Deus, visitou Maria em seu sexto mês de gravidez.

Uma suntuosa estrutura. Em seu interior a gruta aonde se deu a anunciação do anjo.

Visitamos ainda o local da carpintaria de José, que segundo Mei, não parece ser ele o grande carpinteiro, pois não havia, assim como não há árvores madeireira naquela região. Hoje há alguns carvalhos plantados e oliveiras, que por certo não produz madeira de lei. Possivelmente ele trabalhou a pedra, muito abundante na região.

Também visitamos a Fonte de Maria, a Igreja de São José e outros destaques desse lugar que nos fala de amor. É um lugar aconchegante, como colo de mãe, da nossa Mãe Maior, a Virgem Maria Mãe de Jesus de Nazaré.

Almoçamos em um ótimo restaurante, indicado pela Mei, e a seguir partimos em direção a Caná da Galileia.

Em Caná da Galileia, segundo a bíblia, Jesus fez o seu primeiro milagre. Nesse lugar transformou a água em vinho, atendendo um pedido sugerido por Maria sua mãe. Com esse ato, manifestou sua glória divina e suscitou a fé de seus discípulos.

Visitamos a igreja do primeiro milagre, contemplamos todo o seu interior, inclusive as salas e capelas inferiores. Numa delas o nosso guia espiritual, padre Aldo, procedeu a renovação das promessas matrimoniais. Uma cerimônia emocionante dos casais ali presentes. Foram estes os casais a renovar as promessas do matrimonio: Cesário e Maria Antônia, Arno José e Miriam, André e Maria Silvério, Rafael e Rafaela, Odair e Nair, Edson e Celina, Feitosa e Mayre, Paulo Fernando e Valdete Regina, e de todos os casados representados por uma das partes e os por enquanto descompromissados com o matrimônio.

Ao termino comemorou-se com vinho em pequenos cálices de madeira, providenciados por nossa guia Mei, segundo minha classificação, (prática historiadora e teóloga).

A família comemorou efusivamente o evento, com abraços de felicitações, sorrisos, fotos e muito carinho. Cansados, mas eufóricos, retornamos ao hotel Caesar para o jantar e um merecido descanso, porque amanhã tem mais.

Todas as noites, Marcia nos passava o horário da saída no dia seguinte, dessa vez veio o aviso, levantar cedinho e de malas prontas, pois era a nossa última noite em Tiberias.

Amanhã 11 de junho de 2018, será um novo dia e mais um novo caminhar de Tiberias a Jerusalém eu estarei nesse novo caminhar. Vamos juntos?


Postado por Antonio Feitosa dos Santos
Em 15/7/2018 às 10h53


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