Os intelectuais e a gastronomia | Ricardo Gessner

busca | avançada
42961 visitas/dia
922 mil/mês
Mais Recentes
>>> TV Brasil pré-estreia Atos com Antonio Pitanga nesta segunda (19/11)
>>> TV Brasil apresenta programação temática na Semana da Consciência Negra
>>> Baterias Brasileiras do Sesc Belenzinho apresenta shows com Pupillo e Curumin
>>> Refúgios Musicais do Sesc Belenzinho apresenta banda de haitianos Surprise
>>> Avesso - O Musical aborda conflito de gerações em musical jovem de fortes emoções
* clique para encaminhar
Mais Recentes
>>> Goeldi, o Brasil sombrio
>>> Do canto ao silêncio das sereias
>>> Vespeiro silencioso: "Mayombe", de Pepetela
>>> A barata na cozinha
>>> Uma Receita de Bolo de Mel
>>> O Voto de Meu Pai
>>> Inferno em digestão
>>> Hilda Hilst delirante, de Ana Lucia Vasconcelos
>>> As pedras de Estevão Azevedo
>>> O artífice do sertão
Colunistas
Últimos Posts
>>> Eleições 2018 - Afif na JP
>>> Lançamentos em BH
>>> Lançamento paulistano do Álbum
>>> Pensar Edição, Fazer Livro 2
>>> Ana Elisa Ribeiro lança Álbum
>>> Arte da Palavra em Pernambuco
>>> Conceição Evaristo em BH
>>> Regina Dalcastagné em BH
>>> Leitores e cibercultura
>>> Sarau Libertário em BH
Últimos Posts
>>> Um lance de escadas
>>> No tinir dos metais
>>> De(correntes)
>>> Prata matutina
>>> Brazil - An Existing Alien Country on Planet Earth
>>> Casa de couro IV
>>> 232 Celcius, ou Fahrenheit 451
>>> Mãe
>>> Auto contraste
>>> Os intelectuais e a gastronomia
Blogueiros
Mais Recentes
>>> Impressões do jovem Engels
>>> Alô, alô, responde!
>>> Hugo Cabret exuma Georges Méliès
>>> Zizitinho Foi Para o Céu
>>> Sobre mais duas novelas de Lúcio Cardoso
>>> Sobre os três primeiros romances de Lúcio Cardoso
>>> Quem é Daniel Lopes
>>> As estrelas e os mitos
>>> Editor, corrija por favor!
>>> O naufrágio é do escritor
Mais Recentes
>>> Triste Fim De Policarpo Quaresma de Lima Barreto pela Objetivo
>>> Memórias de Adriano de Marguerite Yourcenar pela Record
>>> Revista Claudia de Editora Abril pela Abril (2009)
>>> Manual do proprietário Escort de M P E da Ford pela Ford Brasil (1988)
>>> Manual de uso e manutenção - Palio fire, Siena fire, strada fire de Fiat automóveis pela Satiz do Brasil (2007)
>>> Revista xbox--107. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--106. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--111. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--82. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--87. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--96. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--104. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--109. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--103. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--76. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--80. de Europa pela Europa
>>> Revista xbox--113. de Europa pela Europa
>>> Zz7--392--destruidores do mundo--serie azul. de Lou carrigan pela Monterrey
>>> Zz7--353--o juramento--serie vermelha. de Lou carrigan pela Monterrey
>>> Revista nintendo world--50. de Conrad pela Conrad
>>> Revista nintendo world--18. de Conrad pela Conrad
>>> Foucault y la Teoría Queer de Tamsin Spargo pela Gedisa (2018)
>>> Revista nintendo world--42. de Conrad pela Conrad
>>> Revista nintendo world--43. de Conrad pela Conrad
>>> Revista nintendo world--52. de Conrad pela Conrad
>>> Revista nintendo world--193 de Case pela Case
>>> O Que É Revolução de Florestan Fernandes pela Expressão Popular (2018)
>>> De Que Amanhã...Diálogo de Jacques Derrida e Elisabeth Roudinesco pela Zahar (2004)
>>> Toda Poesia de Paulo Leminski pela Companhia das Letras (2013)
>>> Amor Líquido de Zygmunt Bauman pela Zahar (2004)
>>> Festa Sob as Bombas / Os Anos Ingleses de Elias Canetti pela Estação Liberdade (2009)
>>> A Cidade Perversa / Liberalismo e Pornografia de Dany-Robert Dufour pela Civilização Brasileira (2013)
>>> Réquiem para o Sonho Americano de Noam Chomsky pela Bertrand Brasil (2017)
>>> Fundamentos doutrinários de umbanda de Rubens Saraceni pela Madras (2013)
>>> O Capitalismo Como Religião de Walter Benjamin pela Boitempo (2013)
>>> Umbanda de todos nós de W.W. da Matta e Silva pela Ícone Ed. (2014)
>>> O Que É uma Revolução de Álvaro García Linera pela Expressão Popular (2018)
>>> A canção no tempo v. 1 de Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello pela Ed. 34 (2006)
>>> A Viúva Cliquot de Tilar J. Mazzeo pela Rocco (2018)
>>> Sobre o Islã de Ali Kamel pela Nova Fronteira (2007)
>>> O poder do silêncio de Eckhart Tolle pela Sextante (2010)
>>> O Vínculo do Prazer de William H. Masters, Virginia E. Johnson pela Círculo do Livro (1975)
>>> Criança Inquieta - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade? de Esméria Rovai, Carlos Brunini pela Livro on Demand (2018)
>>> O Divã a Passeio de Fabio Herrmann pela Brasiliense (1992)
>>> Psicoterapia Psicodramática de Dalmiro Manuel Bustos pela Brasiliense (1979)
>>> Que Barulho é Esse, Ratinho? de Stephanie Stansbie, Polona Lovsin pela Zastras (2010)
>>> Aritmética - Novas Perspectivas - Implicações da Teoria de Piaget de Constance Kamii e Linda Leslie Joseph pela Papirus (1993)
>>> Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico de Celso Furtado pela Nova Cultural (1986)
>>> A Volta ao Mundo Em 80 Dias de Júlio Verne pela Codil (1970)
>>> O Universo e Eu de Mara Muniz pela D&z (1999)
BLOGS >>> Posts

Domingo, 4/11/2018
Os intelectuais e a gastronomia
Ricardo Gessner

+ de 100 Acessos

Combinar temperos e ingredientes requer arte: deve-se conhecer suas propriedades e proporções para que o resultado não seja uma desagradável gororoba. Aprecio a boa mesa e a culinária de diversos países, com exceção da gastronomia molecular, pois comida deve ter aparência e sabor de comida. Com isso, também aprecio metáforas derivadas da gastronomia: temperar certo conceito com pessimismo; empanar tal ideia em liberalismo; saborear um poema; devorar um livro.

O ensaísta catalão Xavier Rubert de Ventós, no ensaio “Fé e gastronomia”, visualiza uma analogia entre a cultura religiosa de um país com sua cultura gastronômica. Um alimento fundamental, como um corte de carne, pode ser o item mais importante de um prato; os temperos, por sua vez, são aplicados de forma suave e equilibrada para realçar o seu sabor, tudo na medida certa. Em termos espirituais, isso equivale aos cultos em que Deus é o centro de veneração; os rituais, as orações e as demais práticas litúrgicas são um realce para maior proximidade com Deus.

Por outro lado, existe uma cultura gastronômica em que o corte de carne deixa de ser o elemento mais importante, apesar de mais nutritivo, e passa a servir de base para que a mistura de condimentos se torne a porção mais importante do prato, embora menos nutritiva. Nesses casos, o alimento fundamental é usualmente convertido num derivado insosso, no qual se acrescenta todo tipo de condimento forte e/ou engarrafado, como ketchup, mostarda, curry etc. Há lojas especializadas em que o freguês “tempera” seu alimento à vontade, sem qualquer receita a não ser o gosto (ou ousadia) pessoal. Em termos espirituais, é equivalente ao culto em que a cantoria, os gritos, as danças etc, compõem uma impressão catártica quando, na verdade, rechaçam o aspecto mais sagrado ao adquirirem projeção principal durante o culto. Ou, então, equivale aos indivíduos que, em busca de uma experiência transcendente, temperam-na com pitadas de budismo e candomblé, mas, no final das contas, realizam uma Arte do Chá com hoasca.

De uma para outra, o elemento mais nutritivo e, simbolicamente, sagrado, passou do lugar principal para o mais insignificante. Segundo de Ventós, o primeiro equivale ao culto europeu; o segundo, ao americano: “Pois bem, as Transcendências e Absolutos que proliferaram nos Estados Unidos são para mim, por assim dizer, como o pepinilho ou o ketchup espiritual que eles acrescentam à ‘simples base’ de um mundo pragmático e competitivo” . Dessa forma, a fé professada se distingue do modo como se manifesta, sendo que uma não corresponde, obrigatoriamente, com a outra. Como bem observou T. S. Eliot:

"Qualquer indivíduo com a mais escassa consciência religiosa deve se afligir, de tempos em tempos, com o contraste entre sua fé religiosa e seu comportamento; qualquer indivíduo com o gosto que a cultura individual ou de grupo confira deve estar consciente dos valores que não pode chamar de religiosos. E tanto ‘religião’ quanto ‘cultura’, além de significarem coisas diferentes entre si, deveriam significar algo a que aspiram, e não apenas algo que possuem"

O pensador britânico Roger Scruton, em seu magistral livro As vantagens do pessimismo, também aplicou essa analogia para dizer do comportamento utopista:

"Quando os revolucionários franceses criaram o seu famoso slogan Liberté, Regalité, Fraternité, eles estavam em um estado de exaltação utópica que os impedia de detectar nele quaisquer falhas. Aos seus olhos a liberdade era boa, a igualdade era boa e a fraternidade era boa, então sua combinação era três vezes boa. Isso equivale a dizer que se a lagosta é boa, o chocolate é bom e o ketchup é bom, então a lagosta cozida com chocolate e ketchup é três vezes boa. Naturalmente, a culinária americana exemplifica esse tipo de erro em maneiras que nunca deixam de surpreender o paladar exigente do europeu. Porém, na esfera política, os erros apresentam consequências muito piores do que aquelas que podemos encontrar em um prato americano."

Novamente, há um contraste entre a cultura gastronômica europeia e americana, que confirma a exposição anterior, mas agora incidindo numa crítica à perspectiva dos revolucionários franceses.

Como afirmei desde o início, a composição de um prato requer arte; deve-se conhecer as qualidades tanto do item principal quanto dos secundários para que o resultado não ofusque a ambos. Essa prática também é análoga ao procedimento reflexivo dos que se dedicam exclusivamente a atividade mental – os intelectuais.

Segundo Thomas Sowell, o intelectual se caracteriza por ser alguém que exerce uma atividade exclusivamente dedicada às ideias, conceitos, sistemas de pensamento e, para isso, possui um repertório mínimo de conhecimento. Nesse ínterim, o economista americano faz uma diferenciação basilar entre intelecto, inteligência e sabedoria:

"A capacidade para apreensão e manipulação de ideias complexas é suficiente para definirmos o intelecto, mas não é suficiente para darmos conta da inteligência, cuja realidade envolver a combinação do intelecto com a capacidade de julgamento e acuidade na seleção de fatores explicativos relevantes; assim como envolve a capacidade de, ao fazer uso das teorias que surgem, promover testes empíricos. Inteligência menos julgamento é igual a intelecto. Temos também a sabedoria, que é a qualidade mais rara de todas – a qual se verifica na habilidade de combinar intelecto, conhecimento, experiência e julgamento, de forma a produzir uma compreensão ou avaliação coerente."

Inteligência e sabedoria são qualidades de competências, isto é, definem capacidades distintas para utilização do intelecto. Nesse entremeio, onde se enquadra o intelectual? “... neste nosso caso, ‘intelectuais’ será entendido como uma categoria ocupacional, composta por pessoas cujas ocupações profissionais operam fundamentalmente em função de ideias – falo de escritores, acadêmicos e afins” . Dessa forma, intelectual é aquele que se ocupa – que faz uso – do intelecto, da inteligência e/ou da sabedoria, assim como um chef é aquele que se ocupa de carnes, vegetais e temperos. O resultado de um trabalho intelectual é um estudo, uma apreciação, um novo conhecimento ou um modo diferente de perceber e reafirmar o já existente, em que estão aplicados sua capacidade intelectiva. O mesmo raciocínio se aplica ao chef: sua obra final é um prato, que pode ser inventado ou conhecido, mas feito a partir de sua personalidade.

Entretanto inteligência não implica sabedoria ou sensatez, como bem delineado por Sowell. Relembrando Orwell, o economista afirma que há certas ideias que, de tão insensatas, somente um intelectual poderia lhes dar algum crédito, enquanto que o senso comum, prudente, intui os seus perigos. Infelizmente, o “mundo intelectual” está cheio de insensatez, para não dizer loucura.

Uma pessoa comum não gostaria de ser assaltada, pois descontado o risco de vida, ter seus pertences levados por outra pessoa não é uma experiência prazerosa, além de ser desonesta com a aquele que trabalhou duro para comprar seus bens. Nesse momento, a loucura de alguns intelectuais começa a aflorar: questionam os motivos e necessidades de se comprar bens, armando um sistema de pensamento para concluir que tudo se trata de consumismo: um vício que corrompe a pureza humana. Num mundo em que alguns podem comprar e outros não, quem não tem o mesmo poder aquisitivo se ressente e não vê outra saída se não o assalto. É tudo culpa do capitalismo, portanto.

Durante uma entrevista ao programa Espaço Público, da TVBrasil, a filósofa e feminista ou, melhor dizendo, feminista e filósofa Márcia Tiburi deixou isso evidente ao se declarar favorável ao assalto:

"Eu sou a favor de muitas coisas que as pessoas não são a favor. Eu não vou falar o que eu penso... é também complicado você dizer ‘sou a favor ou sou contra’. Se eu disser que sou a favor, por exemplo, sou a favor do assalto. Não, eu penso assim: tem uma lógica no assalto. Eu não tenho uma coisa que eu preciso, eu fui contaminado pelo capitalismo... Começa a pensar do ponto de vista da inversão. Eu não vou falar em termos do que eu sou a favor, porque, é assim, tem muitas coisas que são muito absurdas, mas que se você vai olhar a lógica interna do processo, você vai me dizer: ‘sabe, isso seria justo dentro de um contexto tão injusto. Muitas violências são justas num contexto muito injusto’."

A sra. Márcia Tiburi tem algumas dezenas de livros publicados entre romances e teóricos; além do seu engajamento em trabalhos de divulgação científica, assinando uma coluna na revista Cult. A senhora Tiburi é uma intelectual, portanto.

Sua formação é adorniana (defendeu uma tese de doutorado sobre o filósofo Theodor Adorno). Percebemos isso, por exemplo, quando ela convida o entrevistador para refletir dialeticamente, procedimento caro aos pensadores marxistas. Entretanto, o termo que ela usa é “ponto de vista da inversão”. É um lapso revelador. A anti-tese é manifestada como “inversão”, e não como uma perspectiva contrária à tese, cujo pressuposto é um outro olhar. Na inversão, tudo se altera e, consequentemente, o raciocínio deixa de ser dialético.

Em seguida, ela continua realizando o que desde o início de sua fala disse que não faria: falar o que é a favor. Sua ressalva é de que “tem muitas coisas que são muito absurdas”; por isso a necessidade do pensamento invertido. Se o pensamento normal é lógico, então é sensato; se é ilógico, então é absurdo. Apesar do simplismo como coloquei, quero enfatizar que a fala de Tiburi tem coerência somente por olhar o “absurdo” pela “inversão”, por isso é capaz de dizer – como realmente faz – que é favorável ao assalto. Basta “olhar a lógica interna do processo” e invertê-la.

Sua fala embute um apreço exagerado pela lógica, principalmente por nela creditar uma justificativa para uma ação criminosa e violenta. Se a lógica é necessária para um pensamento coerente, o seu exagero é loucura:

"Todos aqueles que têm tido a infelicidade de lidar com criaturas completamente doidas, ou que estão no estádio inicial da doença mental, sabem que uma de suas características mais sinistras é a espantosa clareza nos pormenores: as coisas ligam-se umas às outras em um plano mais intrincado do que um labirinto. (...) A perda de certas afecções sãs tornou-o mais lógico. A maneira como se encara, vulgarmente, a loucura é errônea: o louco não é o homem que perdeu a razão, mas o homem que perdeu tudo, menos a razão."

Essa fala pertence ao escritor Gilbert Keith Chesterton, no capítulo inicial de Ortodoxia. Sua ironia nos diz, implicitamente, que a realidade é maior do que a lógica; há aspectos da condição humana que são incoerentes, pois extravasam os limites da razão. A lógica não explica tudo. Entretanto, há quem a aplique para enxergar (e fazer o público ver) coerência na incoerência. Na Antiguidade Clássica, estes eram chamados de Sofistas, mas também é possível aplicá-la aos loucos. O conto “Um coração delator”, de Edgar Allan Poe é um exemplo: o protagonista pretende a todo momento convencer o leitor de que assassinou o velho por motivos absolutamente compreensíveis e justificados. No entanto, uma pessoa comum – provavelmente um não-intelectual – sabe que assassinar é imoral; assassinar deliberadamente é loucura. E o mesmo em relação ao assalto.

"A experiência nos mostra que o doido é, comumente, um lógico e, frequentemente, um lógico bem-sucedido. (...) O doido vive na arejada e bem iluminada prisão de uma única ideia, e todo o seu espírito converge para um ponto afiado e doloroso, sem aquela hesitação e complexidade próprias das pessoas normais."

Dessa forma, vemos o princípio de loucura que Márcia Tiburi incorre ao ensaiar uma gororoba teórica para justificar o assalto, revelando a insensatez – para relembrar Orwell – a que um intelectual pode chegar.

"A explicação que um doido dá a respeito de qualquer coisa é sempre completa e, por vezes, satisfatória, num sentido puramente racional. Falando mais rigorosamente, podemos afirmar que qualquer explicação dada por um louco, se não é conclusiva, é, pelo menos, irrespondível."

Quando não há arte na gastronomia, ou na ausência de comprometimento em sua preparação, o prato se torna desagradável, insosso. Não me refiro a alta gastronomia, mas àquela mais nutritiva: o arroz, feijão e bife, às vezes acrescentado de ovo frito. Na ausência de comprometimento para combinar adequadamente os ingredientes, o resultado é uma gororoba. Pode até ser saborosa, mas nunca é de aparência agradável e raramente é nutritiva, correndo-se o risco de uma disfunção estomacal.

A fala da senhora Tiburi durante a entrevista se enquadra nessa categoria, pois pretende temperar uma ideia com um ingrediente que não combina. Declarar que algo ilógico é lógico sob o ponto de vista da inversão é o mesmo que dizer que arroz, feijão e bife é um prato doce: basta usar açúcar. Dessa forma, quando ideias são combinadas sem prudência, o resultado é uma gororoba teórica: saborosa para alguns, intragável para muitos, indigesta para todos.

Originalmente publicado na revista "O Conservador", 3 Edição


Postado por Ricardo Gessner
Em 4/11/2018 às 15h44


Mais Ricardo Gessner
Mais Digestivo Blogs
Ative seu Blog no Digestivo Cultural!

* esta seção é livre, não refletindo necessariamente a opinião do site

Digestivo Cultural
Histórico
Quem faz

Conteúdo
Quer publicar no site?
Quer sugerir uma pauta?

Comercial
Quer anunciar no site?
Quer vender pelo site?

Newsletter | Disparo
* Twitter e Facebook
LIVROS




UM AMOR PARA RECORDAR
NICHOLAS SPARKS
NOVO CONCEITO
(2011)
R$ 11,38



CARTA VIVA AS DUAS ALIANÇAS Nº 68
R. R. SOARES
IGREJA INTERNACIONAL DA GRAÇA DE DEUS
(2001)
R$ 4,00



OS NATIVOS DE VEGA - SÉRIE FEITIÇO
LÚCIA PIMENTEL GÓES
ATUAL
(1986)
R$ 6,00



BOSCH
BOSCH
LISMA
(2018)
R$ 30,00



L IS FOR LAWLESS
SUE GRAFTON
HENRY HOLT
(1995)
R$ 22,41



CHEFE TODO MUNDO TEM
MARIA CRISTINA VON ATZINGEN
BERTRAND BRASIL
(1998)
R$ 4,90



O MONOPÓLIO DA FALA - FUNÇÃO E LINGUAGEM DA TELEVISÃO NO BRASIL
MUNIZ SODRÉ
VOZES
(1981)
R$ 18,00



A PRINCESA E O SAPO - DISNEY CLÁSSICOS ILUSTRADOS
VÁRIOS
GIRASSOL
(2014)
R$ 10,00



A MANHÃ SÓ VEIO DEPOIS DE UMA LONGA NOITE
JOHN HARRICHARAN
PENSAMENTO
(1994)
R$ 4,90



SELETA - COLEÇÃO BRASIL MOÇO
LUÍS JARDIM
JOSÉ OLYMPIO
(1974)
R$ 9,99





busca | avançada
42961 visitas/dia
922 mil/mês