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Segunda-feira, 27/4/2020
Ezequiel Sena, BLOG
Ezequiel Sena

 
O Romanceio de um Passado de Antepassados

Escrever, não há duvida, é um ato solitário. É ainda mais solitário quando a obra depende tão-somente da imaginação do autor, como é o caso da ficção. No entanto, quando é resultado de pesquisas, observações, reflexões, anotações de viagens, entrevistas, e contato direto, in loco, com fácies geográfica adversas, sem ter por base apenas a criação, o fato de estar recluso perde o caráter de isolamento, uma vez que a evidente especificidade dos fatos aproxima o autor do realismo, tornando-o cúmplice do meio e das personagens, isentando-o, portanto, de culpas que não justifiquem a sua solidão.

As consultas referentes à história do Brasil, como a viagem da família real pelo Oceano Atlântico, eu usei breves relatos de 1808, livro de Laurentino Gomes; excelente fonte de pesquisas; Os Sertões, de Euclides da Cunha, também me seduziu, inspirando-me a forma de descrever a geografia, exercendo em mim forte influência na jornada por terra. Porém, à proporção que eu escrevia, conflitos foram-me surgindo, questões e dúvidas me incomodando: “Como escrever a respeito duma família fugindo da invasão napoleônica à península Ibérica?” “Como contar o embarque? A fuga de Portugal?” “Como narrar a viagem pelo Oceano Atlântico?” “E a penosa jornada pelos sertões da Bahia?” “Como relatar fatos ocorridos há mais de duzentos anos?” Estas e outras dúvidas me perturbavam... “Como então devo proceder?”... Em suma, após tomar consciência e assumir as limitações impostas, eu me aventurei mais na “realidade” dos mitos, das histórias faladas e ouvidas, sem jamais deixar de lado o que de fato foi verdade.

A história de José Camillo de Souza Leão e seu meio-irmão Capistrano Antuñez de Souza Leão, líderes que deram origem a várias famílias, foi-me contada por um idoso, contemporâneo de meu avô materno, em 1977, século passado, ao visitá-los na Chapada Diamantina, no antigo povoado de nome Pedras; esse meu avô veio a falecer no início da década de 1980, aos 98 anos de idade. Ao acaso, por mera curiosidade afetiva e respeito, eu passei a ouvir esse senhor de nome Daniel Camillo***. Era um senhor de memória invejável, não se perdia nos preâmbulos, nem se embaraçava em anacronismos; homem lúcido, afável e de voz envolvente, sempre relembrando de fatos como se fossem ontem, de pessoas e do meio em que nasceu e se criou.

Com o tempo, a ideia amadureceu.

Ao retornar à região, anos depois, as conversas amenas que tive com seus parentes e antigos moradores, escutando-lhes velhas proezas e infortúnios de seus antepassados, eu as fui ordenando, ao ponto de conservar indeléveis em minha memória. Assim, à medida que visitava mais amiúde o lugar, ali permanecendo mais tempo, as ideias se concatenavam, encorpavam-se, brotando em mim a vontade de romancear esses longínquos antepassados desse senhor de nome José Camillo de Souza Leão, que, a partir de agora, será chamado José Camillo, ou, simplesmente, o Patriarca.

A princípio, não obstante as dificuldades, decidido eu fui à cata de antigos documentos de sua família como registro em cartório e de batismo, muitos em péssimo estado de conservação, ilegíveis até, obstáculos esses que não me demoveram os propósitos. De modo que, devido aos entraves, limitei-me mais aos batistérios, raras certidões de nascimentos e livros de registros de casamento, uma vez que a indigência e escassez de documentos antigos são quase totais. O batistério, que é a certidão de batismo da época, por ser o mais preciso, foi a fonte em que mais me ative, pois, além de servir de certidão e documento pessoal, abonava o súdito como cristão católico –– (no tempo do Brasil Império, documentos mesmo só para os bem nascidos, privilégio de nobres, herdeiros de cabedais e títulos) –– assim sendo, as fontes pesquisadas não dão veracidade a fatos ocorridos há mais de dois séculos. Não são confiáveis; serão, portanto, aceitáveis.

A partir de então, mesmo assim, dediquei-me com afinco, chegando a essa leva de antepassados, isto por volta de 1800, uma vez que hoje é a décima geração; retroagir mais daí, tornara-se para mim, no momento, impossível.

Houve apoio, incentivos e disponibilidades. Acolhidas não faltaram, tanto de parentes próximos e afastados, e, também, de antigos habitantes, os quais, por terem um passado em comum com seus ascendentes, transmitiram-me valiosas informações. Histórias as quais ouvi e anotei e gravei de velhas histórias de Portugal, e de outros países europeus, que aqui desembarcaram e que viam, nas terras da Chapada Diamantina, um novo Eldorado. São vozes de longínquos antepassados, talvez inexistentes, míticos frutos do imaginário familiar e coletivo, tidos como verdadeiros por força da repetição oral. Algumas histórias absurdas, beirando o ridículo, outras, relatadas com tal realismo, que se apossaram do meu espírito como se cada episódio, de fato, houvesse acontecido. “Ardentes Trópicos, Uma Jornada Sem Volta” é um livro para ser “folheado” de espírito leve, despretensiosamente.

Mas, enfim, eu gostaria de agradecer mais famílias com quem mantenho até hoje afetivos laços. Todavia, receio incorrer em erros com a omissão de alguns sobrenomes de pessoas com as quais convivi até o momento de finalizar este trabalho; mas, de qualquer forma, eu o dedico a todos, pois são eles as verdadeiras personagens e heróis desta aventura, permeada de avanços e atribulações; limitar-me-ei, destarte, a agradecer as sugestões próximas, distantes e diferenciadas, as quais me deram subsídios e conteúdo.

Texto do livro de Renato Leal Sena

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Postado por Ezequiel Sena
27/4/2020 às 17h44

 
A viuvez da palavra

Texto vencedor do Prêmio Nacional Assis Chateaubriand de Redação - 16ª edição/2010 -, em homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade.

Pela fresta da janela entreaberta, côa-se uma luz fêmea, de manhã nascitura. Raio sorrateiro pousa rasante sobre “A Rosa do Povo” em cima da mesa desarrumada do escritório. Abre-se o livro, bebe-se o cálice diário de poesia.

Lá fora, o sol ladrilha o dia, escancarado em luzes e cores, e o calendário do relógio lembra que é 17 de agosto. Há 23 anos, morria Carlos Drummond de Andrade. De tão multifacetado, até dizem por aí que a morte emendou a Gramática: “Morreram Carlos Drummond de Andrade”.

Uma concordância ideológica para os tantos poetas que trazia em si. Morta Julieta, filha e razão da sua vida, coração se esvaziou, resolveu pedir licença, fechar a porta e ir-se, morrer-se. Nesta inusitada transitividade do verbo morrer – aí proposital – evoca-se o modernismo transgressor, de cujas águas, um dia, bebeu o poeta.

Farmacêutico por formação, jornalista por sobrevivência, poeta por sina, não mais gastaria “uma hora pensando num verso que a pena não quer escrever”. “Pássaro […] livre na prisão do ar”, por certo, poderá, agora, penetrar “surdamente o reino das palavras” à cata das suas íntimas parceiras numa metalinguagem recorrente.

Pois bem, sem Drummond sobra uma dormência no território das palavras: um tanto de viuvez, um tanto de deserto. Elas se recolhem dicionarizadas, cobertas de pó, expostas nas prateleiras, à espera de um demiurgo que as ressuscite, que as reinvente, que as desperte do estado letárgico de hibernação.

É verdade: palavras rasas se esgotam no estro de outro, menos no de Drummond, que lhes resgata um significado novo com a lógica de uma semiótica ousada. Sem ele, palavra é pássaro de gaiola, é terra lavada e estéril, perde a liga, não dá tijolo para o verso, mergulha-se na trivialidade do óbvio, perde o brilho da alegoria, não insufla de alma o poema.

Sem ele, palavras são velhas prostitutas que não suportam a luz da manhã a lhes expor as rugas, a lhes desmascarar o viço postiço de uma maquiagem barata. Sem Drummond, sobra um outono sombrio e temporão na estação dos versos. Vestiu palavras gastas com tecidos novos – chitas ou sedas – e fê-las crer-se vestais nunca dantes manipuladas, ataviadas em pedrarias.

Assim, rompeu-lhes a maldição de “estado de dicionário” e as dicotomias denotação/conotação, significado/sentido. Soprou-lhes espírito de animação e fê-las pairar como a onda antes de arrebentar-se nas pedras da escarpa e, assim, postarem-se coaguladas, num instante eterno, à espera que sua pena as colhesse na plenitude da essência para o cio alquímico do poema, espraiando-se num mar de significados e vida, pois que, de cara lavada, palavra não gesta poesia e descamba para a noite eterna da insignificância.

Palavra na tinta de Drummond é bicho vivo, pulsa, queima, sangra, veste-se das mais inimagináveis metáforas, para decantar a angústia humana nas cenas triviais de uma “vida besta, meu Deus”. Conquanto armado de misterioso alçapão de pegar momentos, o fazer poético em Drummond era uma quase contrição, tão natural como o germinar de sementes; tão despojado, a ponto de decantar a flor plebéia, tímida, insegura e amedrontada que “furou o asfalto, o tédio, o nojo, o ódio”. Tudo tinha a duração de uma vírgula pausando a eternidade de um minuto.

Drummond transitava entre o destecer de significados e o entretecer de outros, até que elas (as palavras) saltassem novinhas em folha para dentro do poema. Um mesmo vocábulo, corpo morto em lavra pobre, enraíza-se na seara do poeta e viça com vigor de ineditismo. Assim como, no dizer de Octávio Paz, “a pedra triunfa na escultura e humilha-se na escada, e a matéria, vencida ou deformada no utensílio, recupera seu esplendor na obra de arte”, na estética drummondiana, as palavras flutuam num campo semântico de sentidos vários, e se transubstanciam.

Hábil, Drummond sabia cortejar as emoções, de modo a cristalizá-las em versos, para o regalo e banquete do leitor. Há um abismo intransponível entre a poesia do momento e o ato de registrá-la, porque a matéria-prima do poema é etérea, fugaz, insubstancial, intangível, embora com intermitência de vaga-lume. Entanto, ante Carlos Drummond de Andrade, o fio do tempo – bicho arisco – estanca-se num coágulo poético, sem, paradoxalmente, deixar de fluir na sua sina e sede de eternidade.

Bem que Drummond poderia ter-se atido, tão somente, a decantar as mísulas das janelas barrocas, o cheiro de incenso fumegando nos turíbulos das novenas, a métrica dos pilões batendo cantigas nos quintais mineiros. Mas seu evangelho de versos era um tanto desmesurado a não caber no paroquialismo de sua aldeia. Havia de chegar, sim, o tempo do saudosismo, do tom afetuoso, em que, marcando sua poesia com o fogo da lembrança, “Itabira é apenas uma fotografia na parede”, a doer desatinada na alma do poeta, pois “Minas não há mais. José, e agora?”

O tom silencioso de “Infância”, a presença antitética da “preta velha No meio dia branco de luz”, a ingenuidade daquele “menino que ao sol posto perde a sabedoria das crianças” nem lhe davam conta de que sua “história era mais bonita que a de Robinson Crusoé”.

Drummond, uma caravela de seguidores navega nas águas abissais dos teus versos, vezes confessa como Adélia do Prado com “Quando nasci um anjo esbelto…”, vezes velada no “Brejo da Cruz” de Chico Buarque, vezes outras ignotas nos anônimos discípulos que fizeste. É fato que ainda há leiteiros, virgens ou não, varando a solidão das madrugadas; Minas cristalizadas nos retratos empoeirados de um casarão qualquer por entre montanhas num silêncio quase litúrgico; histórias de desamor em vestidos pendurados; josés perdidos na “Máquina do Mundo”; o tempo, em fatais, ainda “industrializa a esperança” de ano-novo; e a “Verdade”, recolhe-se na geometria das metades, num contínuo desafiar que a vejam “conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia”.

Na sua oblíqua relação com o “Bruxo do Cosme Velho”, teria Drummond herdado um jeito Capitu de trair as palavras, saindo de cena silenciosa e sorrateiramente? Ou foram elas que, por não acompanhá-lo, zanzam loucas de orfandade farejando “faces secretas sob a face neutra”? Quem se arriscaria a dizer?

O certo é que Drummond deixou viúva a palavra e não levou apenas “Alguma Poesia”, mas carregou consigo, entre “Versiprosa”, todo o “Sentimento do Mundo”.

(Texto gentilmente cedido pelo poeta: Esechias Araújo Lima)

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Postado por Ezequiel Sena
14/2/2017 às 10h04

 
Que exemplo arrebatador a Colômbia dá ao mundo

O tempo jamais apagará da nossa memoria esse terrível acidente aéreo que envolveu a delegação do time da Chapecoense em Medelín. Uma tragédia que abalou o mundo inteiro.

Dizem que através da dor é que surgem a união e o amor. Pois é. Aquilo que andava “tão esquecido” no meio de nós, motivado certamente pelo momento de crise política e social que vive o Brasil, reaparece agora com um belo exemplo de altivez e carinho do povo da república colombiana:solidariedade e fraternidade.

Momentos inesquecíveis foram vistos no estádio de futebol onde seria decidida a copa sul-americana.

O carinho que eles tiveram para conosco foi muito emocionante.

Descobrimos uma nação nobre e cheia de princípios para ensinar o mundo todo.

Os jovens atletas da Chapecoense que iriam, nesta quarta-feira, 30 de novembro de 2016, disputar o título da Copa Sul-Americana, vão ficar para a história. Não apenas do futebol brasileiro, mas do sul-americano e mundial como verdadeiros heróis.

Não se encontram palavras para expressar a nossa tristeza pelas 71 vidas ceifadas. Nosso respeito e admiração ao povo Catarinense, às famílias enlutadas dos atletas da Chapecoense, da comissão técnica, bem como dos jornalistas e de toda a tripulação.

Pedimos ao Senhor da vida que proporcione forças aos familiares, parentes e amigos das vítimas para que reencontrem a paz e superem este momento de intenso sofrimento.

Os colombianos nos deram, neste momento de dor e de profunda tristeza, um extraordinário exemplo de amor ao próximo.


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Postado por Ezequiel Sena
3/12/2016 às 18h13

 
Caminhando com os madrugadores na Olívia Flores

Quando o corpo se acostuma a despertar no silêncio da madrugada, é praticamente impossível forçar um novo sono. Se forçar, dá dor de cabeça. O que já foi tédio quando era jovem cede espaço ao prazer. Apreciar o raiar das primeiras luzes do dia no horizonte é maravilhoso.

O melhor mesmo a fazer é saltar da cama, dar um basta na preguiça, sair no tempo e deixar os olhos abrir os caminhos de um novo dia.

São 4h55min em Vitória da Conquista - BA. Na Avenida Olivia Flores já há amigos a me esperar. A pista vai se encher das vozes dos apressados madrugadores em nome da saúde.

Não caminhar com essa gente falta algo, a caminhada fica sem graça, parece que o tempo se alonga. Prefiro me juntar a eles.

A turma dos chamados homens de bem não dá moleza, anda pra valer. Percorre a pista todo santo dia até o fim da curva de entrada da Uesb ¬– Universidade Estadual do Sudoeste, um percurso de quase seis quilômetros.

Muito bom esse contato diário, além de fortalecer ainda mais os laços de amizade, melhora o astral.

Logo ao clarear, principia o formigueiro humano: senhores e senhoras andantes, ciclistas e velocistas de todo tipo, e lá vamos nós. De repente, aparece um grupo de belas moças, como se flutuassem pela estrada.

Todas bem vestidas de malhas coloridas coladas ao corpo, a lhes cobrirem as linhas harmoniosas de cada reentrância. Parece até que as roupas foram costuradas com elas dentro, de tão desenhadas. É inevitável a nossa contemplação, com todo respeito, é claro!

Feito bobos, um olha para o outro meio sem graça, enquanto elas passam em direção ao destino bendito. Viu aí? Escuto um perguntar, como se fosse possível alguém deixar de ver tanta exuberância!

A natureza é perfeita. As bonitas carregam consigo a majestade de suas geografias naturais. Que me perdoem as feias, como bem escreveu o poetinha Vinícius.

Colírio em circulação suaviza as batidas do coração e ajuda o sangue a fazer delicadamente seu giro nas veias. Não precisa dizer mais nada!

Já é dia. O sol ainda manso, não é mais como um bocejo avermelhado detrás da serra. O verde do pasto se anima a crescer, mas, em nome do progresso, vai dando lugar às novas edificações.

Mais à frente avista-se os prédios do SESI/SENAI/IEL, da Justiça Federal, do Novo Fórum Estadual e do Ministério Público.

Outros caminhadores, também fugindo do sedentarismo, nos cumprimentam pelo caminho. É hora de a turma colocar o papo em dia. Uns tentam seduzir os demais parceiros a escutarem os seus comentários. Todos têm, na ponta da língua, uma visão crítica sobre o jogo do time do coração, das extravagâncias do fim de semana, das experiências vividas em seus trabalhos ou se ufanam com as conquistas do passado.

A caminhada prossegue. Lá íamos nós quando, por alguma razão que até Deus duvida, um resolve chamar o outro pelo apelido.

Pra quê? A gota d’ água! O grupo inteiro cai na gargalhada. Caçoam numa chacota sem igual.

Apelido é assim, vira praga, assemelha-se a erva daninha, espalha-se como água morro abaixo ou fogo morro acima. Se enfezar – coitado! –, ninguém consegue segurar, vai estar condenado ao fogo eterno. Que o Nosso Senhor tenha dó!

O homem virou uma fera! Nervoso, vermelho que nem brasa, fazia ameaças, queria brigar a todo custo. Felizmente, a turma do “deixa disso” foi chegando, e a paz voltou a reinar; resolveu-se dar um basta. Mesmo porque, naquele instante, ninguém era doido de mexer com o ofendido.

Mas que nos deu vontade de atiçar para ver o circo pegar fogo, isso deu. A língua coçou e ninguém teve coragem.

Ainda bem! Caminhada em grupo é assim. Como uma fenda aberta, por ela o que se vê vazio pode se encher de tudo!

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Postado por Ezequiel Sena
19/5/2016 às 11h48

 
O velho e a balsa

Como eu gostava de sonhar o meu sonho de ser canoeiro.

Comandando uma balsa de uma margem a outra

Levando e trazendo amigos e passageiros

Bichos de toda espécie, cachorro, menino e mulher

E vê tanta água no rio que chega dá susto à maré .

.

Um dia me levaram para a cidade

Com a promessa de que seria doutor ou padre

Não fui amarrado, mas sim contrariado.

Escondi meu sonho debaixo do travesseiro

Para toda noite tê-lo como companheiro

Era um segredo meu, pois queria um dia voltar

Mas cada dia, esse dia mais distante ficava

O tempo era meu inimigo e eu não sabia.

Fingia que não estava passando, era para eu acreditar,

Aí fiquei velho, mesmo assim resolvi voltar.

.

Vejo agora rios agonizantes, não vejo mais navegantes.

Nelores malhando pelo areal,

Sem sombra de matas virgens e nem mesmo das ciliares

Cadê o vaqueiro Geraldo e tantos outros

Sumiram na Estação, pegaram a linha do trem

E se foram para nunca mais.

.

E eu? Apenas passando pela estrada do rio

Ruminando a saudade daqueles distantes amigos

Que aqui não vejo mais.

Olho para o céu e vejo o lindo predador carcará

Sem cobras e sem lagartos, caçado agora como bandido,

Tendo que visitar galinheiros de ribeirinhos desprevenidos

Ai que doído progresso, liberdade sempre tardia, adeus.

Vou soltar meu sonho do travesseiro.

.

Oh Minas! Quero meu ouro, minha bateia só cascalho,

Não me deixes viver uma vida vazia

Sinto-me como um veleiro, lançado em alto mar

Procurando ancorar em uma linda baía.

Eu passando em cima da ponte, que é de grande valia.

Mas olhando para baixo, para o leito do rio

Não se vê nada, nem mesmo uma balsa vazia.

.

texto gentilmente cedido por Aller Cruz – 03/2016.

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Postado por Ezequiel Sena
15/3/2016 às 14h09

 
O Peso dos Janeiros e Os Críticos à Velhice

Por que terceira idade? Penso que não há razão para o termo. Um eufemismo que nos dá a impressão de sucata, refugo, ultrapassado, obsoleto, daquilo que não serve mais. Prefiro ir direto ao ponto: velhice.

Quando o substantivo da vida é o tempo, as rugas e os cabelos brancos nada mais são do que os sinais reveladores da teimosa vontade de continuar vivendo.

E não foram poucos os filósofos que se debruçaram sobre o tema. Um dos mais notáveis, Marco Túlio Cícero (106–43 a.C.), pensador romano, considerado o símbolo da suprema oratória, em sua obra Saber Envelhecer, ele ilustra, com sutileza, o peso dos janeiros: “Todos os homens desejam avançar à velhice, mas, ao ficarem velhos, se lamentam. Eis aí então a consequência da estupidez”.

Em 2009, não me lembro bem a data, a Rede Globo fez uma matéria sobre idosos para o programa Fantástico. Na época, com 77 anos de idade, o ex-vice-presidente da República, José Alencar, lutava contra um câncer e foi ele o destaque da reportagem.

Fiquei admirado com a firmeza de suas palavras. Mesmo com o agravamento da enfermidade, ele não se deixava abater ou lamentar da doença.

O ponto alto da entrevista: Com essa idade, o senhor está preparado para mais uma cirurgia dentre tantas já feitas? Sorrindo, respondeu: “Deus só dá o que a gente merece, não tenho medo da morte e se tiver mais um dia de vida e depois me envergonhar dele, prefiro morrer”.

Mais adiante, contou: “Quando olhei para a equipe médica e senti os semblantes abatidos, fiz uma reunião e mostrei a eles que precisávamos vencer mais essa. Foi uma injeção de ânimo para que executassem o trabalho com êxito. Ainda fiz questão de assinar um documento isentando-os, caso alguma coisa desse errado”.

Sinceramente, eu não o conhecia como homem de tanta fé. Sabia apenas das suas qualidades enquanto político e do grande empresário que era. Enxerguei nele não apenas um velho, mas um jovem de virtudes e pensamentos. Um líder nato!

São lições assim que, a cada dia, fico mais convencido de que o espírito não se deteriora; ao contrário, evolui e enaltece a pessoa humana. Certamente era o que acontecia com o cidadão José Alencar Gomes da Silva (1931-2011).

Achei oportuno incluir algo sobre o ex-vice-presidente da República, pela longeva idade e ilustrar melhor o texto. Mesmo porque, existe uma ideia ambígua do Estado brasileiro em relação aos idosos, que, em algumas situações, eles são protegidos e noutras culpados de gerar os males dos sistemas públicos de saúde e da seguridade social.

Estigmas desse tipo só ajudam a cunhar interpretações vis. Parece até que os velhos são todos doentes, pobres, de baixa escolaridade e dependentes. A longevidade ao invés de ser considerada uma conquista, infelizmente, criou-se uma visão ofuscada de provocar rombo, ou melhor, de se transformar peso morto da Nação.

Óbvio que não se podem fechar os olhos para a gravidade do ‘buraco negro’ que, há décadas, se acumula na seguridade, por erros, desvios e má gestão de governantes esbanjadores. Por isso, honrar o pagamento das aposentadorias no Brasil está ficando a cada dia muito difícil.

Alguns críticos preveem que, em razão de os brasileiros estarem vivendo mais, a reforma da Previdência deve figurar entre as necessidades de extrema urgência do País. Com isso, não restam dúvidas de que alguns direitos serão subtraídos. A proposta de igualar as idades de homens e mulheres para 65 anos, para ter acesso ao benefício, é uma dentre tantas em discussão.

Ainda assim, creio que não passam de meras ações paliativas que carecem de debate mais amplo com a sociedade. Entendo, contudo, que hoje em dia “amarrar as chuteiras” não é mais um prêmio como no passado. Na verdade, é um terrível suplicio!

Para não me alongar tanto, quero deixar para sua reflexão, caro leitor, a advertência da escritora Simone de Beauvoir, (1908-1986), pensadora de extensa obra, que resumiu muito bem os críticos à velhice: "Terrível não é a morte, mas a velhice e seu cortejo de injustiças".



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Postado por Ezequiel Sena
1/3/2016 às 09h38

 
Temperamental e Encantadora

Por Esechias Araújo Lima

Hoje, nossa casa amanheceu mais vazia. A sapeca Kyra achou de ir embora, voar. Confesso que não foi um animalzinho comum: temperamental, imprevisível, brigona, porte de Alteza.... Mas tamanha lhe era a ternura no olhar, que despertava incontrolável vontade de afagá-la.

Kyra tinha muito mais dos felinos que dos cães. Ficava à espreita e saltava sobre pássaros, roedores e o mais que fosse que lhe estivesse ao alcance. Sorrateiramente, como convém a gatos fazê-lo. Também não era de ladrar. Corria como uma seta em direção ao alvo. Mais parecia uma loba.

Tinha olhos orientais, puxados. Isso lhe conferia uma beleza singular. De verdes, foram-se acastanhando, ao decorrer do tempo, sem, contudo, perder o encanto.

Não era muito de festa. Não se pode dizer que era um cãozinho dócil, amoroso com quem quer que fosse, a não ser com Thayane, noiva de Pedro, meu filho do meio.

Um dia, em pleno cio, Kyra avançou contra mim - sabe-se lá por quê - e me feriu. Talvez um gesto brusco, ou a própria tensão do mênstruo, fê-la cravar-me os dentes em várias partes da mão e do antebraço direitos. O mais irracional de tudo é que continuei a amá-la na mesma intensidade. Explicável? Talvez. O amor é um sentimento incondicional, verdadeiramente divino.

Um dia, ela amanheceu demudada. A cauda baixa sinalizava tristeza, ou doença. Levei-lhe a uma clínica veterinária. Diagnosticado “piometra”, foi submetida a uma histerectomia.

Na última visita que lhe fiz, fui acompanhado por Pedro e Thayane. Como disse, Kyra nutria uma paixão inexplicável por Thay. Digo inexplicável, porque se viam muito esporadicamente, mas, ao vê-la, Kyra era tomada de uma euforia tal, que lhe cegava para quem estivesse por perto. Naquele território do encontro, só existiam Thayane e ela. Minha esperança era que a presença da pessoa a quem devotava tanto amor a fizesse demonstrar um laivo que fosse de reação, ao menos um pouco de alegria. Qual o quê! Prostrada e impassível estava, assim ficou, não obstante dose redobrada de carinho. Ali, foram-se as esperanças de que a traria de volta para casa.

Quando me ligaram comunicando a morte de Kyra, chorei um copioso choro de compaixão. E continuei a fazê-lo por perto de duas semanas. Até hoje, na verdade. Falta? Não creio que sinta muito a sua falta. As cenas mais consternadoras são as das visitas a ela na clínica.

Como disse, seu olhar miúdo era como uma seta de fogo dentro dos meus olhos, dizendo mais que palavras. Eu te entendia, “minha branca”. Ah, sim! Kyra era uma chow chow champanhe, com a juba bem alva e de um pelo sedoso, muito macio, daí tratá-la, carinhosamente, por “minha branca”. É que tenho outra - Nala é seu nome - também chow chow, caramelo, mais dócil, mas sem o algo a mais que distinguia Kyra de todos os demais animaizinhos que já conheci.

Retomando: as cenas que me doem são aquelas em que, durante as visitas, ela, meio que emburrada - já o era por natureza e isso recrudesceu com o desconforto da doença -, me dirigia um olhar de rogo para tirá-la dali. Na penúltima, ela estava ao soro. Mesmo assim, ao acarinhá-la, olhava-me com incisivo pedido que a levasse para casa.

Kyra não era de temer. Sempre foi uma guerreira. Quando ainda bem novinha, por recomendação da veterinária, ficou num espaço meio escuro, separado, para evitar o contato com a outra já imunizada por todas as doses de vacinas. Kyra saía dali por uma porta lateral apenas para os passeios matinal e vespertino, ou para suas brincadeiras com meus filhos e comigo. Aguentou essa quarentena sem qualquer demonstração de impaciência.

E agora? Bem... quase sempre, ao abrir o portão da garagem, tenho a sensação de que ela vem ao meu encontro, saltando sobre mim, como a demonstrar a sua alegria, meio contida, sim, mas que me fazia abraçá-la tomado de muito afeto, afagar-lhe as orelhas curtas e arredondadas e derramar-lhe a porção incontida de carinho que lhe trazia guardado nas mãos, nos olhos e - por que não? - na alma.

Dos quase seis anos de vida (foi o quanto durou), há muitas fotos de Kyra. Mas ela vai ser sempre muito mais que “apenas uma foto na parede” como a Itabira de Drummond. Por certo, ocupará seu lugar em minhas lembranças, carregando de mim um punhado generoso de saudade e uma irracional esperança de ainda tê-la por perto.

André, meu filho mais novo, ao ler esta crônica, me disse o que não tive coragem de dizer: “ela deve estar no céu caçando borboletas e passarinhos”. Pedro afirmou que ela vai nos fazer festa quando nos encontrarmos. Não é um mero sofisma. Creio nisso.

Assim sendo, o mistério da vida me permite arriscar: “- Quem sabe um dia - não é, ‘minha branca’? - a gente se vê “num outro nível de vínculo” e eu ainda te afague as orelhas, desta vez sem as cicatrizes suas e minhas, nem esta lágrima teimosa que me desce pela face numa madrugada de 20 de janeiro, às cinco e meia desta manhã chuvosa.

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Postado por Ezequiel Sena
27/1/2016 às 16h29

 
Um país se faz com homens e livros

Livros. Sou apaixonado por livros e me encanto com a beleza manifestada na perfeição de uma frase bem construída.

E nada é mais instigante do que começar um texto com uma frase edificante, conhecidíssima e atual do notável José Bento Monteiro Lobato (1882-1948); escritor altamente opiniático e que nos deixou esta recomendação exemplar:Um país se faz com homens e livros.

Paradoxalmente, outro que sequer pertence ao meio literário, Bill Gates, o multimilionário da informática, que, sem nenhum constrangimento, afirmou: "Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros".

Realmente, os gênios são vanguardistas, enxergam muito além de suas épocas, talvez seja essa a explicação do grande sucesso desse monstro sagrado da informática.


Lembro-me que, em meados de 1977, estive em férias no Rio de Janeiro e a curiosidade me levou à Rua Marquês de Olinda, em Botafogo, para conhecer a famosa Livraria José Olympio Editora. Fiquei admirado com a imensa quantidade de livros. Felizes tempos - e não há nisso nenhum saudosismo.

Nunca me esqueço da frase em destaque (talvez continue ainda grafada no alto da parede da editora, justamente no hall de entrada), que aproveitei para dar o título a este texto.

Para você ter ideia, a Editora José Olympio foi a responsável pelo lançamento da maioria dos escritores renomados e outros desconhecidos do grande público leitor brasileiro. Muitos deles ainda neófitos surgiram graças à sensibilidade do proprietário e editor - José Olympio Pereira Filho.

Foi assim com a Rachel de Queiroz que, com apenas vinte anos de idade, estreou com seu livro O Quinze - a primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras; Graciliano Ramos, com Vidas Secas, seu livro de estreia; o paraibano José Lins do Rego, torcedor doente do Flamengo, autor de Menino de Engenho; João Guimarães Rosa com Sagarana; o José Américo de Almeida com A Bagaceira; e, o nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade.

Enfim, uma lista enorme de autores de todos os rincões deste país passou pelas mãos do "mecenas" da literatura.

Evidentemente que o mundo moderno nos retira quase todo o tempo. As 24 horas do dia se tornam insuficientes para absorver tanta coisa. E, se não tivermos disciplina, o tempo passa tão rápido, que nem percebemos.

Nesse corre-corre diário, nós, pais, quase não temos tempo para ler - e o que é pior, para perguntar se os filhos leem. Podem até dizer que os tempos são outros, de que não discordo.

Até porque, aquele velho hábito de ler livro de historinhas para as crianças antes de elas dormirem é coisa do passado, fora de moda, caducou. Foi substituído pelas horas à frente da televisão, do computador, do celular, do smartphone e/ou do tablet.

O resultado disso é refletido nas escolas: alunos que não sabem interpretar, porque leem mal. Falam mal e se expressam pior ainda.

É difícil, quase impossível, querer formar cidadãos sem o mínimo de capacidade argumentativa, por falta de conhecimento, ou melhor: sem educação. E, na trilha de suas vidas, irão entender muito pouco das adversidades que o mundo tem a lhes oferecer.

Por outro lado, dizer isso à garotada e não lhes oferecer condições adequadas é "chover no molhado e desvanecer no tempo". O ambiente ideal requer exemplos. Pais que não leem não podem exigir esse hábito dos filhos. Muito menos da escola para fazer alguma coisa por eles.

Enquanto a disposição para a leitura ficar restrita a trabalhos exigidos por disciplinas escolares, perderemos a guerra para a ignorância. Quem não lê, não aprende. Não formula, não avalia, nem distingue o certo do errado. Vacila até na hora de desatar os liames da vida.

Por isso, senhores pais e senhores professores nossas crianças e os nossos jovens precisam ser estimulados a ler mais, mesmo virtualmente, para poder melhor encarar a vida. Está mais que comprovado que não existe outro caminho a seguir senão pela educação, e esta só nos chega através dos livros.


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Postado por Ezequiel Sena
1/1/2016 às 11h00

 
Mestre - Uma vocação difícil, mas vale a pena!

Um tema seriíssimo e um vazio de grandes proporções à sociedade brasileira: o desinteresse dos jovens pelo Magistério.

Esta lamentável constatação foi observada pelo Ministério da Educação e divuldagada recentemente.

Quem diria! A carreira que já ecoou aos quatro cantos como símbolo do amor e da vocação de tantas gerações, hoje sequer desperta a mínima vontade da classe estudantil. É triste dizer isso. A que ponto chegou talvez a mais nobre das profissões?

Por que isso está acontecendo? Negligência ou descaso dos governantes? Claro, ambas as respostas são verdadeiras.

Faz-me recordar a atualíssima frase do notável educador brasileiro, Paulo Freire (1921-1997), "Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores."

Muito me intriga saber que, além da descrença dos jovens pela carreira pedagógica, ainda existe escassez de salas de aula de qualidade. Imagine que futuro tem um país que admite reduzir seus professores?

Para você ter uma melhor ideia, a quantidade de estudantes nos cursos que preparam docentes para os primeiros anos da educação básica caiu pela metade em quatro anos, segundo dados do Censo do Ensino Superior do MEC, o que vem comprovar a renúncia dos jovens à carreira.

Outro fato curioso: ao mesmo tempo em que se forma menos professores, aumenta o número de profissionais dando aula sem a devida formação.

Poucos especialistas, convém enfatizar, conhecem tão bem o dia a dia das escolas brasileiras quanto o senador Cristovam Buarque. O incansável Cristovam tenta levar adiante seu projeto para melhoria da educação como principal bandeira de desenvolvimento do País.

É bom que se diga: uma luta que não é de hoje. Em discurso no plenário do Senado, 07/02, afirmou sua preocupação com a situação de desinteresse que chegou o ensino básico no Brasil, e não enxerga alternativa em curto prazo senão a valorização da profissão, incluindo bons salários e melhores condições de trabalho.

Por outro lado, reconhece que, nos últimos anos, houve avanços, contudo limitados ao ensino técnico e superior sem chegar à educação de base.

Muitos consideram utópicas suas propostas tais como a que obriga qualquer detentor de cargo público, de vereador a presidente da República, a matricular seus filhos na rede pública.

Outra, de teor amplo e significativo, é federalizar o ensino público brasileiro com os professores tendo o mesmo tratamento dispensado a categorias como Petrobrás, INSS, BNDES, Caixa Econômica e demais Órgãos Oficiais, notadamente sob o ponto de vista salarial.

Aposta ele que a sua linha de pensamento vai muito além do mero repasse de recursos às prefeituras.

Particularmente acredito piamente na viabilidade das propostas do Senador. Não é preciso ser especialista para entender que a chave de um bom ensino é seduzir os melhores alunos à carreira de professor, especialmente aqueles que tenham vocação para o ofício e tragam, na alma, o dom de lecionar.

Imagino não ser demérito copiar aquilo que já deu certo em outros países, como Taiwan e Tailândia, ao reunir em seus quadros de docentes os melhores talentos. Lá, um educador ganha o mesmo que um engenheiro, o que, por si só, atrai os alunos mais brilhantes para a docência.

Entretanto, aqui no Brasil, talvez o maior entrave esteja justamente na ausência de um adequado horizonte profissional.

Convém dizer que, além da crise de autoridade, ser educador no Brasil virou profissão de risco; a violência dentro das salas de aula tem sido constante, algo no mínimo assustador. A todo o momento, deparamos com notícias de professores vitimados por alunos agressivos.

Trabalhar num ambiente assim tornou-se um grande desafio. Deixa claro que isso também seja um indicador para explicar os motivos de fuga à carreira pedagógica.

Infelizmente este é o retrato da maioria das escolas públicas brasileiras. Contudo, vale ainda acreditar no visionário Anísio Teixeira, (1900-1971), "Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra".

texto originalmente publicado por Ezequiel Sena em 16/02/2011

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Postado por Ezequiel Sena
12/10/2015 às 14h23

 
Morar só, sinônimo de status

"No livro de Gênesis diz que Adão foi incapaz de desfrutar do paraíso sozinho. Foi preciso dividir com alguém o que tinha ao seu redor. O Criador percebendo que lhe faltava algo, resolveu então dar-lhe uma companheira, porque a solidão seria a pior das experiências".

Com base nessa percepção, criou-se, ao longo dos séculos, uma imagem profundamente negativa das pessoas que vivem sozinhas. Será castigo ou sinal de fracasso? Felizmente, esse pensamento foi sepultado, adágio ultrapassado, carta fora do baralho.

O tradicionalismo desapareceu. Os sinais estão por aí. Atravessamos um momento de transformação na maneira de viver, radical e até turbulento sobre vários aspectos.

As novas tecnologias abriram portas nunca vistas. "Eu não sou um solitário, mas gosto da solidão", esta espontânea expressão dum amigo, fez-me pensar na atitude do ator Walmor Chagas que deliberadamente foi viver numa chácara em Guaratinguetá, onde recentemente se suicidou.

Viver só, para o intelectual, passa a ser uma opção ou, no mínimo, uma imposição da idade, como no caso do ator e desse meu amigo, mesmo de gerações diferentes, no entanto, portadores de dotes e opiniões similares perante a vida, ambos decidiram morar sozinhos.

Engana-se quem pensa que a solidão é um fenômeno do homem contemporâneo. Os textos sagrados são recheados de exemplos de profetas que, em determinado momento de suas vidas, sentiram necessidade de se isolarem para refletir ao mesmo tempo em que recebiam mensagens divinas, como Moisés: as Leis Mosaicas; e o profeta Maomé: o Alcorão; sem contar os inúmeros personagens da história que não se tornaram apenas solitários.

Muitos até eremitas por vontade própria; motivados por desilusões do mundo e das pessoas; perseguições religiosas e exílios políticos, como Dante Alighieri: "Divina Comédia"; ou por doença infectocontagiosa: a lepra. De outro modo: simples filosofia de vida, ou, como se diz no popular, por estar de miolo mole.

Dentro do próprio cristianismo, temos ordens religiosas que fazem da clausura a sua opção. Não sendo propriamente viver na solidão, uma vez que convivem e comungam a sua religiosidade em grupo, isolados por muros dos prazeres mundanos; um típico exemplo de fé exaltada ao extremo, de autopunição religiosa para uns, uma opção voluntária para outros.

Não há dúvida de que, por trás, o leitmotiv tem que existir não obrigatoriamente espontâneo ou forçado; mas tem que existir.

Por sinal, o delinear desta breve crônica não deixa de ser um ato de solidão, pois tive que me isolar por alguns instantes para escrevê-la. "Escrever é um ato solitário que o faz conviver com seus demônios", mais ou menos assim disse Santo Tomás de Aquino. Todavia, morar sozinho não significa solidão. Sozinha viverá grande parcela da população mundial nas próximas décadas - estimativa do IBGE, através da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Para ser mais preciso, entre 2009 e 2011, oitocentas mil brasileiros passaram a viver sozinhos (ISTOÉ ¬- 2251). Morar sozinho virou sinônimo de status. O fenômeno avança. Dizem, inclusive, que o Brasil já pode ser considerado um país de solteirões.

Especialistas em tendências afirmam que há três explicações para essa realidade comportamental. Primeira: a independência feminina. Segunda: a estabilidade econômica, e terceira: a revolução da comunicação. Não há duvida, as novas tecnologias facilitaram a convivência, evitou que os sozinhos se tornassem ainda mais solitários.

Aquele velho ditado "antes só do que mal acompanhado" está cada vez mais em evidência definindo a privacidade dessa nova geração. Em entrevista à Revista ISTOÉ, engrossando a lista dos sozinhos, o engenheiro Frederico Lainer, 30 anos, de Porto Alegre, afirma: "moro só por opção e nem bicho de estimação tenho, pois passo quase o dia todo fora de casa".

Obviamente que o dinamismo dessas transformações tem a força das redes sociais. Antes, a vida social condicionada à presença física em aulas, conferências, e/ou encontros, agora está cada vez mais afeita ao mundo virtual. Mas será que toda essa facilidade tira a pessoa do isolamento? Os mais entusiasmados acham que "estar nas redes sociais é pertencer a um grupo cada vez maior e mais influente", pontua Luciana Ruffo, psicóloga do Núcleo de Pesquisa de Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Estar ligado às pessoas virtualmente não quer dizer rodeado de amigos. Para eu ter um amigo é necessário o contato físico, escutar sua voz, não a voz distorcida do webcam, mas o som real, o olhar no olho, não apenas o olhar furtivo apresentado na tela do computador. Acho que as redes sociais podem até aproximar os indivíduos, mas, se não existir contato e convívio, jamais teremos um amigo de verdade.

(texto publicado originalmente 31.01.2013)

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Postado por Ezequiel Sena
23/7/2015 às 09h16

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