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Segunda-feira, 1/10/2018
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Bolsonaristas, Mendes da Rocha e As Brasas

Talvez porque passei muito tempo lendo, estou numa fase mais “outdoor” e têm me atraído as exposições e o teatro.

Acho que nunca vou deixar de ser um analfabeto plástico, no dizer de Nelson Rodrigues. Mas tento evoluir. Ao mesmo tempo, já sei que nunca vou escrever com a mesma fluência do Daniel Piza.

Já o teatro, eu tenho achado mais interessante que o cinema. Minha sensação é a de que estamos “empapuçados” de audiovisual... Dada a onipresença de telas... Também por causa do streaming, que banaliza o consumo.

O teatro ainda é um ritual. Você tem de ir lá. Os atores têm de estar lá. Não é uma reprodução incessante e infinita... Na era da reprodutibilidade técnica, como diria Benjamin, ainda não se conseguiu produzir teatro “em série”.

Toda essa introdução teórica para dizer que rumei para a Paulista de novo - rumo ao Itaú Cultural -, mas errei de exposição. O que não foi de todo perdido - porque encontrei outra (tão interessante quanto - ou mais).

O fato é que estou mais desligado da política, nestas eleições, e dei de cara com a manifestação pró-Bolsonaro. Junto com outros “desligados”, que, já na Consolação, comentaram: “O que é esse pessoal com camisetas da CBF?”.

“Tinha muita gente?”, vão me perguntar. Entre aquelas de 2014 até o impeachment, que eu presenciei, era uma manifestação “média”. Cheia do Masp até a Brigadeiro, mais ou menos. Depois, vazia.

Uma turma aguerrida. Me senti no segundo turno. Não eram só homens. Nem velhinhos pedindo “intervenção militar”. Mas também não eram famílias - como no auge do impeachment...

No primeiro carro, um discurso meio solto e “na espera” por Eduardo Bolsonaro. No segundo carro, Levy Fidélix, com pouca audiência, querendo pegar carona no Bolsonaro e no Mourão.

No terceiro carro, já com bastante audiência, Janaína Paschoal. Relembrando os tempos do impeachment, que, segundo ela, não teve ajuda nenhuma da “oposição”.

Num dado momento, alguém pede para ela dar um recado e Janaína se irrita: “Não; não vou falar nada do que eu não quero falar!”. Chateada, encerra sua fala logo depois - e até se esquece de dar seu número. Quando alguém assume o microfone e lembra: “Mas, Janaína, qual é o seu número?”.

Nessas, eu cheguei no Itaú Cultural. Nem sabia que havia uma “ocupação” do Paulo Mendes da Rocha. Foi o que me salvou. Lógico que eu gosto da Pinacoteca, do Sesc 24 de Maio e até da loja da Forma, mas tão interessante quanto suas obras é ouvir o Paulo Mendes da Rocha falar.

Ele atingiu, há muito tempo, aquele nível de “mestre oral”. Num dos vídeos, conta das origens da sua família, até ele nascer em Vitória e vir morar em São Paulo. De repente, a saga da família dele - que é a saga de muitas famílias paulistanas - adquire tons épicos, só porque ele narra...

Num outro vídeo, conta do seu projeto mirabolante de transformar a Praça da República numa piscina pública. Justifica o quase delírio contando que “ninguém encomendou”, que ele fez algo “totalmente livre” - “como um poema” ou “um conto indignado” (palavras dele). Ressaltando o aspecto “literário” da coisa, conclui: “É um discurso”.

O Paulo Mendes - como diz a Carol, que foi orientada dele - me inspirou a tomar um fôlego e ir até o Sesc Santana, ver a adaptação teatral para a obra de Sándor Márai, “As Brasas”, com Herson Capri.

A turma do Bolsonaro ainda lotava o metrô. No meio, duas senhoras, meio por fora, meio por dentro: “Já votei no Zé Bonitinho uma vez, não voto nele mais”. Estavam falando do João Doria.

Mas todo este texto para tentar te convencer a ir ver “As Brasas”...

Já tinha cruzado com o livro, pela Companhia das Letras, mas nunca tinha lido nada do Sándor Márai. E por falar em política: era aquele autor que a Dilma fingia que lia, numa propaganda, mas tentava citar e se esquecia...

Vou tentar elogiar a peça sem contar o enredo (apesar de ser difícil). É uma história muito bem construída, de dois amigos que se (re)encontram, na velhice, depois de décadas.

Em comum: as lembranças em Viena, na época da guerra, a escola militar, até as caçadas e, é claro, uma mulher. Alguém que morreu e que não está mais para dar a sua versão.

Um dos dois é, claro, o marido, e resolve tirar satisfações com o outro, de episódios que os três viveram, o famoso “triângulo” - episódios que não se esclareceram, mesmo depois de *décadas*...

Não vou contar o final. Até porque - independente dele -, já no meio da peça concluí que muitas das grandes histórias são as que encerram um grande mistério...

Histórias até que *nós* vivemos, e onde nunca vamos saber, ao certo, o que aconteceu... As motivações de cada um... As ações que não compreendemos... As perguntas que gostaríamos de fazer...

Herson Capri está muito bem no papel principal. Igualmente, Genézio de Barros, como coadjuvante. Foram aplaudidos de pé - junto com Naná Carneiro da Cunha, que faz algumas aparições, enquanto toca o “cello”...

Depois da ovação, eles, muito humildemente, disseram que vão ficar só seis semanas em cartaz - e que dependem de nós, da plateia, para fazer do espetáculo um sucesso.

Pois bem, estou fazendo a minha parte. Agora cabe a você ir lá ver. Independente de quem ganhar, ou de quem perder, no domingo que vem ;-)

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Postado por Julio Daio Bløg
1/10/2018 às 10h25

 
A moral da dúvida em Paulo Leminski

Há um poema de Paulo Leminski (1944-1989), sem título, que diz o seguinte:

nunca sei ao certo
se sou um menino de dúvidas
ou homem de fé

certezas o vento leva
só dúvidas ficam de pé.
(In: O ex-estranho).

O que se sobressai no poema é a afirmação final: certezas o vento leva / só dúvidas ficam de pé”, sugerindo a perenidade das dúvidas em contraposição à transitoriedade das certezas, como se estas fossem menos importantes. Nesse nível, é um elogio da dúvida, presente desde o primeiro verso “nunca sei ao certo”.

Não raro, a dúvida é estabelecida como característica constituinte de uma individualidade, comportamento e personalidade, como se fosse uma conduta ética particular. Em síntese, eleva-se a dúvida como virtude.

A afirmação final no poema de Leminski – “certezas o vento leva / só dúvidas ficam de pé “ –, parece valorizar a perenidade da dúvida em detrimento das certezas. Contudo, observe que essa “perenidade” advém de uma afirmação um tanto categórica: “certezas o vento leva / só dúvidas ficam de pé”. Se somente as dúvidas permanecem, como é possível estabelecer essa permanência a partir de uma afirmação? Afirmações categóricas pertencem ao campo das certezas, não da dúvida. Como é possível, então, “só as dúvidas ficarem de pé” se está colocado como uma certeza?

Esse paradoxo revela que a dúvida não é uma categoria confortável e, por si mesma, também não é uma virtude. Aplicada ao campo moral e ético, como está sugerido no poema ao indagar-se sobre si mesmo, pode servir como ponto de partida para o autoconhecimento. Entretanto, conhecer-se não é uma tarefa tranquila, pois implica honestidade e coragem para reconhecer defeitos e limitações, assim como vigor para enfrenta-los. Isto é, a dúvida inicial pode ser superada, mas o conhecimento de si mesmo não é um processo rápido, fácil e indolor. Ao contrário: é preciso coragem, paciência e persistência.

Duvidar, inclusive, pode se tornar um gesto conformista e, com isso, legitimar a preguiça, pois simplesmente aceita-se as dúvidas sem tentar superá-las. Não se atenta que elas podem dar um direcionamento reflexivo cuja resposta, inicialmente, é recebida como certeza, mas não implica que seja absoluta; a incerteza pode e deve se renovar, permitindo o surgimento de outras dúvidas. Por isso a hesitação no início do poema: “nunca sei ao certo / se sou um menino de dúvidas / ou homem de fé”; observe a sutileza na associação entre a “dúvida” com “menino”, que pertencente ao universo infantil, talvez “inocente”, e a “certeza” com “homem”, que remete ao universo adulto, sugerindo que vencer as incertezas redunda num processo de amadurecimento. A convicção de hoje não implica, obrigatoriamente, que valerá amanhã, pois o futuro trará outros questionamentos, outras suspeitas, outras indecisões. Trata-se de um processo cíclico, moroso e pungente, em constante renovação.

As dúvidas podem e devem ser superadas, o que não significa transformar as certezas num absoluto. Quando uma dúvida se resolve, outra surge, e é esse o império da dúvida. Não é a permanência da mesma, mas, na sua superação, surgirem outras.

To be continued...

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Postado por Ricardo Gessner
30/9/2018 às 11h30

 
Sinta orgulho em ser brasileiro, valorize-se

Onde foram parar os valores éticos e morais do povo brasileiro? Onde está o senso crítico sempre tão aguçado da nossa gente? Porque parte da população perdeu a lucidez, ao enxergar o obvio?

Nenhum governo se dispões a doar algo ao povo, se não houver uma contrapartida a seu favor.

O poder só emana do povo, até o momento em que os governantes são eleitos. Depois cada um por si e um Deus por todos.

Se durante os últimos 24 anos, não nos deram saúde, educação, segurança, moradia, bem estar social, qualidade de vida social e econômica, não será agora que revolucionarão essas reivindicações das classes menos favorecidas e miseráveis.

Gostaria imensamente de ver o povo brasileiro feliz, sem que necessário fosse, para isso, dar-lhe tão somente pão e circo.

Nós brasileiros não precisamos disso, somos por demais inteligentes e capazes de empreender a nosso favor. Não precisamos receber migalhas desses abutres, que pouco ligam para mim e para você, mas tão somente para a casta política, a corja dos mesmos, Ali Babá e os seus ladrões.

Não precisamos passar por isso outra vez, aprendamos a ser dignos de nós mesmos. Valorize a sua autoestima, valorizando o seu voto.

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
29/9/2018 às 17h53

 
Casa de couro I

De manhã, fazíamos o pão. Ao fim da tarde,
contemplávamos os séculos da Esfinge,
que guardava entre as patas a alma dos deuses.
Naquele reino eu e meus irmãos plantamos trigo.
Naquele deserto desejávamos escavar nossas
tumbas, ouvindo a canção dos ancestrais.
Pela cidade, nasciam mundos fluindo no rio
as lendas do lugar. Minhas lendas e barcas.

Terra da infância. Terra do desterro.

Ao chão, atei a placenta da espécie.
Da chuva, ouvi canções de ninar.

(Do livro Travessias)

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Postado por Blog da Mirian
24/9/2018 às 20h55

 
Millôr no IMS Paulista

Saí de casa com a ideia de fazer a “ronda” das exposições. Iria começar pelo IMS, iria seguir para a Fiesp, Casa das Rosas e Itaú Cultural.

Peguei o metrô orgulhoso - na contramão dos torcedores do São Paulo -, desci na Paulista, subi as escadas do Moreira Salles, mas, quando entrei na exposição do Millôr, e vi aqueles murais enormes, comecei a chorar e fui de olhos marejados até o final.

Nem visitei o resto do Instituto Moreira Salles. Desisti do Itaú Cultural, da Casa das Rosas e dispensei até o Rafael - aquele, da turma do Leonardo -, preferi não diluir o impacto do Millôr.

Por que chorei? Não sei; emoção. Quando estive com Millôr, há 15 anos, ele vinha de uma homenagem protocolar, aborrecida... Ao mesmo tempo, sentia-se pouco reconhecido no Brasil - o que parece uma contradição; mas não é, não.

Millôr era muito grande. Difícil receber uma homenagem à altura. Ainda mais no Brasil; ainda mais em vida.

Mas quando entrei na exposição do Moreira Salles e vi aqueles murais enormes, senti, em nova dimensão, o grande artista que ele foi - e que o reconhecimento havia chegado, de alguma forma. Mais de 5 anos depois de sua morte? Sim; mas é a vida! E, no Brasil, antes tarde do que nunca...

“A ideia de um projeto estético tradicional sempre foi estranha a Millôr Fernandes[...] ele dizia-se antes de tudo um jornalista e via o impresso, sobretudo em revistas e jornais, como a realização plena de sua obra”, diz o texto de abertura da exposição.

“Dos autorretratos à visão desencantada do Brasil, passando pelas reflexões sobre a condição humana e pelo prazer puro e simples das formas, ‘Millôr: obra gráfica’ propõe uma visão de conjunto de um dos maiores artistas brasileiros do século XX” - acho que foi quando as lágrimas rolaram...

Estava emocionado pelo Millôr - porque, de fato, ele *foi* um dos maiores artistas brasileiros do século XX. Artista no sentido plástico do termo. Além de escritor; além de intelectual; além de pensador. Sem contar o humorista; o dramaturgo; o tradutor de Shakespeare. O inventor do frescobol! Millôr teve tantas facetas que estamos sempre nos esquecendo de alguma...

Quando estive com ele, havia saído a sua edição do célebre “Cadernos de Literatura” do Instituto Moreira Salles. Daquele seu jeito descontraído, ele me disse em seu estúdio: “Esse pessoal do Moreira Salles esteve aqui... E fez um bom trabalho, viu? Estiveram aqui; pegaram algumas coisas... Foram lá atrás, na minha carreira...”

E hoje temos de reconhecer: foi louvável que o IMS assumiu o acervo de mais de 7 mil desenhos do Millôr. Pois, quantos acervos não se desfizeram quando seus donos se foram? Eu vi alguns. Do Daniel Piza, por exemplo, eu nem tive tempo de ver - quando soube, já havia sido desmembrado...

Ao mesmo tempo, é irônico - porque Millôr olhava com uma certa desconfiança para os Moreira Salles... Por causa do Walter Moreira Salles, o “rico” de sua época.

“Qual a diferença entre eu e o Walter Moreira Salles?”, Millôr se comparava. “Eu moro de frente para a mesma praia que ele” (no Rio, obviamente). “Ele pode viajar... mas eu também posso! Eu posso ficar, sei lá, 10, 20 dias fora... Não; 20 dias é muito!”, o próprio Millôr se emendava...

Sua versão de “Guernica”, de Picasso, na exposição, não é uma escolha aleatória. Tanto quanto o gênio do cubismo, Millôr produziu muito. Ia ao estúdio todos os dias; inclusive sábados e domingos. E foi longevo - quando conversamos tinha, aproximadamente, 80 anos, parecia lépido e fagueiro: com um discurso fluente, bem-humorado e brilhante, o mesmo desde os tempos de “O Cruzeiro”.

Me emocionei com as fotos do estúdio, em Copacabana; principalmente no catálogo da exposição. Me sentei naquele sofá vermelho e Millôr se sentou na poltrona amarela, em frente. Tentei espiar sua biblioteca ao longe e avistei pastas etiquetadas: “Pif Paf” - uma das alas da exposição...

Claro que nem tudo são flores no IMS. Senti um viés “político” ao se colocar os desenhos da época da ditadura militar (1964-1984) logo na entrada. Como um lembrete - de tempos que podem voltar... Talvez por causa de algum candidato militar nas próximas eleições?

Lembrando que Millôr foi um crítico feroz de Fernando Henrique Cardoso, cujos livros “clássicos” não perdia a oportunidade de mostrar que eram intragáveis. E, naturalmente, foi crítico de Lula - sobre quem, afirmava, “a ignorância havia subido à cabeça”. A ignorância.

Ao contrário da turma do Pasquim21, que não quis fazer “humor a favor”, quando Lula assumiu, em 2004 encomendei uma capa, ao Millôr, para a revista do Digestivo com a FGV/SP, e ele não foi nada econômico na legenda: “Os governantes proclamam: Bananas pra nossa cultura” - em pleno governo do PT, em plena gestão de Gilberto Gil, no MinC.

Millôr era da geração do Paulo Francis, que tem uma citação famosa: “Os baianos invadiram o Rio para cantar: ‘Ah, que saudade eu tenho da Bahia’... Se é por falta de adeus, PT saudações”. Caetano brigou com Francis mais de uma vez. E no Pasquim, os invasores baianos eram chamados de “baihunos”, em referência aos bárbaros que invadiram a Europa nos estertores do Império Romano...

O desenho que Millôr fez para o Digestivo está lá, na primeira ala da exposição. Foi selecionado entre os 7 mil de seu espólio. Mas está sem a legenda. Aos organizadores, deve ter parecido familiar... Afinal, eu o divulguei, à época, a torto e a direito... Mas os organizadores não conseguiram se lembrar o suficiente - e, sem a legenda, ele ficou meio fora de contexto... Mas me senti vingado, de alguma forma ;-)

“Daio, cuide da minha glória - antes que ela seja póstuma”, Millôr me escreveu, num e-mail, quando já estava mais pra lá do que pra cá. Não lembro o que respondi na época, mas hoje eu diria que:

“A sua glória está garantida, Millôr. Você não precisa se preocupar. A exposição está linda! Que grande brasileiro você foi... Estou ainda mais honrado de tê-lo conhecido.”

Para ir além
"Meu encontro com o Millôr"

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Postado por Julio Daio Bløg
24/9/2018 às 09h55

 
A dignidade da culpa, em Graciliano Ramos

Em 1934, um brasileiro nascido na cidade de Quebrângulo, Alagoas, chamado Graciliano Ramos, publicou o romance São Bernardo. É um livro que põe o dedo numa ferida sempre aberta, por mais esforços que se faça para silenciá-la: o sentimento de culpa. E não seria exagero dizer que a obra mereceria estar ao lado de Crime e Castigo (Fiódor Dostoievski), Ressurreição (Leon Tolstói) ou Metamorfose (Franz Kafka), num panteão de obras essenciais ao entendimento da natureza humana, não fosse a língua portuguesa que a condenou a ser um “galho menor de um arbusto secundário dos jardins das musas”. Ora, no jardim das musas não há arbustos secundários, e os leitores de língua portuguesa também têm seus privilégios.

O romance é uma espécie de autoanálise em que Paulo Honório, narrador-personagem, reconta a história de sua ascensão social, graças às falcatruas, emboscadas, relações de falsa amizade e interesse. Relembra de como levou Luís Padilha (antigo dono e herdeiro da fazenda São Bernardo) à falência; de como planejou o assassinato de seu vizinho para expandir suas terras; de como perdeu o interesse pelo próprio filho; de como levou sua esposa, Madalena, ao suicídio.

Diante de tais atrocidades, Paulo Honório lamenta-se de uma, em específico: a consciência de não conseguir sentir culpa. Apesar de pequenos indícios de aflição, trata-se de um sentimento ambíguo, pois não brota de um arrependimento, mas da consciência de ser incapaz de arrepender-se. Diz Paulo Honório: “Penso em Madalena com insistência. Se fosse possível recomeçarmos... Para que enganar-me? Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu. Não consigo modificar-me, é o que mais me aflige”; ou seja, mesmo se tivesse uma segunda chance, não faria diferente. Noutra situação, quando manifesta a ausência de amor pelo filho, sua expressão é emblemática: “Nem sequer tenho amizade a meu filho” – veja-se a precisão e sutileza com que se expressa: nem sequer “amizade” sente pelo filho, ou seja, nem mesmo o mínimo de afeição esperada, ao que se completa: “Que miséria!”.

A interjeição diante da falta de “amizade” pelo filho – “que miséria!” – é reveladora. Paulo Honório reconhece a miséria de sua própria condição moral. “Reconhecimento” é um item importante nas tragédias gregas: é o momento em que o herói reconhece sua condição de desgraça. Nesse sentido, São Bernardo é um romance trágico, construído sobre um paradoxo: à medida que Paulo Honório ascende socialmente, decresce moralmente. É uma ironia presente no próprio nome do protagonista: “Honório” provém de “honorius”, que em latim significa “honorífico”, “honrado”, sendo sua raiz etimológica: “honor”: “honra”; entretanto, toda sua honra se restringe à sua condição social, não moral.

A grandiosidade do romance está na figura de Paulo Honório ao reconhecer sua condição moral miserável e assumi-la como sua responsabilidade. Obviamente que não elogio suas ações criminosas, nem as defendo. Por outro lado, ele não mente para si mesmo: “Para que enganar-me? Se fosse possível recomeçarmos, aconteceria exatamente o que aconteceu”. Se por um lado é uma fala que revelaria a perversidade do protagonista, por outro é um gesto de coragem, de alguém que assume a responsabilidade diante de sua condição de desgraça, consciente da própria incapacidade de se libertar.

A atualidade de São Bernardo não está na construção do típico “sinhozinho” que é Paulo Honório; não está na caracterização do explorador avaro e sem sentimentos; não está na crítica ao “capitalismo perverso que corrompe as pessoas”. A atualidade de São Bernardo está em ser um contraponto a um mundo que facilita e, silenciosamente, valoriza a mentira para justificar ou negar as próprias falhas, medos e fraquezas. Se Paulo Honório justificasse o suicídio de sua esposa pela adesão ao comunismo – “Comunista, materialista. Bonito casamento!”, exclama o narrador em pensamento, durante uma conversa a respeito de sua esposa –, seria menos doloroso. Contudo, seria menos honesto, menos consciente.

Quando Paulo Honório assume sua responsabilidade diante da própria vida, quando assume ser o culpado de sua desgraça, torna-se moralmente digno, pois sua coragem e sobriedade merecem respeito. Um gesto raro.

Um dos itens que compõe uma obra clássica é a contribuição para um entendimento mais profundo de nossa natureza e condição. São Bernardo é um clássico.

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Postado por Ricardo Gessner
23/9/2018 às 15h59

 
O conservadorismo e a refrega de símbolos

Hoje em dia a expressão “sair do armário” deixou de ser aplicada aos homossexuais e passou a se referir à “nova direita”, aos “novos conservadores”. Até pouco tempo, o predomínio da esquerda no campo cultural e no debate público era evidente — e continua sendo –; pouquíssimos intelectuais e artistas se apresentam como “liberais”, “conservadores”, liberal-conservatives ou, simplesmente, de “direita”. Agora, junto ao crescimento e popularização das redes sociais; o aumento do descrédito do Partido dos Trabalhadores; o ceticismo em relação às pautas progressistas, o número de indivíduos apresentando-se como de “direita” é mais abundante.

Com isso, formou-se o que Lira Neto, em sua coluna da Folha (07/01/2018) chamou de “guerra de símbolos”: de um lado estão os “conservadores nos costumes e liberais na economia”; de outro, os progressistas. Trata-se de uma guerra travada principalmente nas redes sociais em que, segundo as palavras do historiador, os conservadores, protegidos pelo politicamente incorreto, “esbravejam vitupérios, expelem platitudes, vomitam sarcasmos” e, ao mesmo tempo, “apontam o dedo censório, invocam preconceitos, cultivam ódios primários” em defesa dos bons costumes. Do outro lado, os progressistas, coitados, são alvejados por ofensas, enquanto lutam — militam — por “conquistas humanas irrevogáveis”.

Lira Neto é um historiador talentoso, construiu uma obra respeitável, escreve bem e publicou livros de fôlego (vide os estudos sobre Getúlio Vargas). Endosso a crítica que faz aos tais “conservadores que vomitam ofensas” pelas redes sociais. No entanto, pontuo que tais indivíduos podem professar o que acreditarem, mas nem por isso serão, de fato, conservadores. De minha parte, não me representam e acredito que outros concordarão comigo. Há uma lacuna entre fé professada e sua conduta; nem sempre estão de acordo e, desse modo, enxergar o lapso é mais importante do que isolar um lado do outro.

Se os “novos conservadores” é um grupo minoritário, como Lira Neto bem acentuou — “Sim, é verdade, eles são barulhentos. Mas estão longe de ser a maioria. Eles, sim, são a verdadeira ‘minoria ruidosa’” –, não se deve tomar a parte pelo todo. As redes sociais estão abarrotadas de “minorias ruidosas” com comportamentos igualmente agressivos, que professam e defendem inúmeras bandeiras, desde a qualidade musical de Pabblo Vittar até a planificação da Terra. Os tais “conservadores” a que se refere o historiador é apenas uma delas.

Não há regras para definir universalmente um conservador ou suas condutas, visto que, segundo alguns teóricos como Michael Oakeshott, trata-se mais de temperamento pessoal do que de etiqueta. Se nos reportarmos a Os dez princípios conservadores, de Russel Kirk, veremos que “a atitude a que chamamos conservadorismo é sustentada por um corpo de sentimentos, mais do que por um sistema de dogmas ideológicos”. Uma dessas atitudes é o “princípio de imperfectibilidade”: “A natureza humana sofre irremediavelmente de certas faltas graves, sabem os conservadores. Sendo o homem imperfeito, nenhuma ordem social perfeita pode ser criada. Devido à inquietação natural, a espécie humana se rebelaria sob uma dominação utópica e eclodiria uma vez mais em descontentamento violento, ou senão, expiraria em tédio”. Desse modo, vitupérios, ofensas, grosserias e demais formas de insulto não correspondem à conduta conservadora e, de maneira nenhuma, são os “símbolos” defendidos na “guerra” apresentada por Lira Neto.

O conservador considera-se herdeiro de algo bom e que precisa ser preservado. Essa herança pode estar associada com valores morais; sistemas políticos; jurídicos; artísticos. Não se trata de conservar algo ad aeternum, mas de incorporá-lo às mudanças culturais. Um pilar fundamental do pensamento conservador é o ceticismo em relação a ideologias, revoluções e mudanças abruptas, pois nem sempre um avanço é sinônimo de melhoramento. Mudanças devem acontecer e adaptações devem ser feitas, mas desde que de forma prudente.

Com isso, os principais “símbolos” defendidos pelo conservador, supondo-se a guerra, são aqueles acumulados pela tradição: um conjunto de valores que nos constituíram. Para utilizar os termos de Kirk: “É senso conservador de que as pessoas modernas são anões nos ombros de gigantes, capazes de enxergar mais longe que seus ancestrais apenas devido à grande estatura daqueles que nos precederam no tempo”. Noutras palavras, se derrubarmos e assassinarmos o “gigante” — isto é, a tradição — faremos um retrocesso e voltaremos a enxergar apenas — sejamos otimistas — o próprio nariz.

Além isso, gostaria de salientar um detalhe a respeito da expressão “conservador nos costumes e liberais na economia”, ou sua expressão original: liberal-conservative. Se nos reportarmos ao livro de Edmund Burke, veremos que o liberalismo econômico é incompatível à conduta conservadora; encontraremos um posicionamento similar em outros conservadores, como em O que é conservadorismo, de Roger Scruton (posteriormente o autor irá rearticular esse posicionamento). Outros podem apresentar-se como liberal-conservatives, mas de modo diferente: liberal nos costumes e conservador na política. Enfim, aclarar cada nuance estenderia os propósitos originais deste texto. O mais importante, por ora, é salientar que a expressão, (hoje) aparentemente contraditória, é aceita por ser uma forma de adaptação ao contexto contemporâneo, não sendo, portanto, uma absurdidade como alguns acreditam.

Por fim, o senhor Lira Neto cita algumas estatísticas, apresentada nos seguintes termos (os destaques são meus):

“Uma segunda pesquisa, (…), indica que nada menos de 70% dos entrevistados são contrários às privatizações indiscriminadas. Apenas 20% se declararam a favor de que as empresas públicas sejam vendidas a rodo para a iniciativa privada, enquanto os 10% restantes são indiferentes ou não souberam responder. Entre os jovens, 68% não acreditam na tal “mão invisível” como panaceia para todos os nossos males históricos.

A terceira pesquisa, enfim, publicada no penúltimo dia do ano, aponta o crescimento do apoio à descriminalização do aborto entre os brasileiros. Nesse caso, 61% dos entrevistados se disseram favoráveis à interrupção da gravidez quando há risco de morte para a mãe.

Outros 53%, segundo o Datafolha, também defendem o direito ao aborto para mulheres vítimas de estupro, ao contrário do que querem os conservadores aboletados no Congresso Nacional. Mais uma vez, um detalhe salta à vista: a maior parcela dos que defendem a descriminalização do aborto é composta por jovens entre 16 e 24 anos.”


A despeito de meu ceticismo em relação a numerologia estatística, assim como o crédito irrefletido à visão de mundo jovem, as expressões destacadas — “indiscriminadas; vendidas a rodo” — não pressupõem “prudência” e, assim, é possível que haja conservadores que também se oponham ao caráter indiscriminado das privatizações, assim como às “vendas a rodo” de empresas públicas. Há possibilidade, portanto, de jovens conservadores estarem incluídos nestes dados, associados de antemão exclusivamente aos progressistas.

p.s.: O texto do senhor Lira Neto está acessível através deste endereço:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/lira-neto/2018/01/1948201-nao-ha-duvida-de-que-uma-guerra-de-simbolos-esta-em-curso.shtml

As citações de Russel Kirk foram feitas a partir do site:

http://tradutoresdedireita.org/os-dez-principios-conservadores/

Recorri ao link, pois não estou com o livro "Política da prudência" (editado pela É Realizações, que inclui “Os dez princípios conservadores) em mãos.

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Postado por Ricardo Gessner
16/9/2018 às 23h07

 
Ingmar Bergman, cada um tem o seu

100 anos de Ingmar Bergman! Demorei um pouco para conhecê-lo, mas logo o tomei como meu diretor favorito. Por ser um diretor tão diversificado, sempre dizem que cada um tem um Bergman e como todo bom bergmaniano, também tenho o meu. Escolhi filmes que me trazem lembranças e experiências, já que escolher analisando a genialidade do diretor seria uma tarefa muito difícil. Selecionei dois filmes: A Hora do Lobo (1968) e Noites de Circo (1953), senão acabaria falando de todos os filmes.

Comecemos então com A Hora do Lobo, o primeiro que assisti. Diz-se que as horas que ficam entre a meia noite e a aurora são as horas do lobo. É nesse momento em que um casal, formado por Erland Josephson (Johan) e Liv Ullmann (Alma), entra em conflito. Depois de mudar para uma ilha habitada por pessoas misteriosas, o casal entra em um estado crítico e as madrugadas são tomadas pelas histórias de Johan, carregadas de dores e aflições. Inicialmente o filme deveria se chamar Os Antropófagos, o que deixaria claro o mistério em torno do estranhos habitantes da ilha. Mas no final, A Hora do Lobo acabou por ser um bom nome.

Outro filme que gosto muito é Noites de Circo (1953). Não é só o expressionismo destacado em uma época em que era requerido, ou as atuações formidáveis que me atraem para Noites de Circo. Existe algo que me faz assistí-lo sempre que quero ver um Bergman. No filme o diretor coloca uma disputa entre o circo e o teatro. Um amante das duas artes, Bergman nos leva aos bastidores mostrando as dificuldades em viver num circo intinerante e as disputas de egos dos artistas de teatro. Mas no filme eles nos mostra o quão comum os dois podem ser.

Com esses 100 anos, vão exibir muitos Bergmans nos cinemas, uma ótima oportunidade para assistir seus filmes na tela grande. Se me permitem uma dica, o documentário 'Bergman - 100 Anos' é uma ótima escolha para quem não conhece o diretor. Mesmo sendo um doc, algumas histórias são tão mirabolantes que até parece ficção.

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Postado por A Lanterna Mágica
11/9/2018 às 08h14

 
Em defesa do preconceito, de Theodore Dalrymple

Recentemente conclui minha releitura do livro Em defesa do preconceito, de Theodore Dalrymple, cujo estilo de escrita não me canso de ler. O título é claramente provocativo; alguns argumentariam que se trata de uma jogada de marketing para chamar nossa atenção. Que seja, pois nesse gesto de “chamar a atenção” ele também revela, sutilmente, a nossa ignorância diante da aplicabilidade do termo “preconceito”, com larga aceitação (ou rejeição), mas, ao mesmo tempo, feita de maneira irrefletida e, não raro, mecânica.

Normalmente o “preconceito” está associado a uma atitude de repúdio anterior à experiência; de rejeitar algo ou alguém antecipadamente, sem conhecimento ou segundo critérios infundados, como: cor da pele, do cabelo, nacionalidade etc. Nesse sentido, “preconceito” é algo deletério; como poderia alguém escrever um livro em sua defesa?

Não é esta acepção que Dalrymple aplica; segundo o autor, há um matiz conceitual que define o “preconceito” como um conjunto de valores morais preconcebidos, construídos ao longo da história e mantidos através da tradição. Diferentemente da acepção comum, neste caso o “preconceito” é algo benéfico e salutar. Nesse sentido, o livro de Dalrymple é tanto uma defesa quanto uma crítica: defende os valores tradicionais e critica aqueles que, sob as mais variadas (e, não raro, infundadas) justificativas, pretendem destruí-los.

Em primeiro lugar, uma pessoa que se declara viver sem preconceitos e os contesta é uma espécie de cartesiano, pois articula um modus operandi similar: se René Descartes preocupou-se em fundamentar um posicionamento filosófico puro, isto é, sem o menor resquício de dúvidas e, desse modo, garantindo-lhe maior segurança para construir um raciocínio o mais próximo da Verdade, alguém “sem preconceitos” almeja, analogamente, um lugar “puro”, sem o menor resquício de preconceito e, assim, apresentar-se como alguém “superior e livre de ideias pré-concebidas”. Em síntese, ao invés da projeção de dúvidas, projetam-se “preconceitos”: “A popularidade do método cartesiano não decorre do desejo de remover as dúvidas metafísicas e encontrar a certeza, mas o que ocorre é precisamente o oposto: jogar dúvida em todas as coisas e, portanto, aumentar o escopo de licenciosidade pessoal ao destruir, de antemão, quaisquer bases filosóficas para a limitação dos próprios apetites” (p. 21)

No entanto, a conduta “anti-preconceito” se apoia numa crítica aos valores tradicionais como forma de justificar filosoficamente comportamentos pessoais licenciosos, assim como alargar (se não, abolir) os limites em torno “dos próprios apetites”. Entenda-se “comportamentos pessoais licenciosos” como sendo os interesses de ordem pessoal, que normalmente são restringidos por alguma “autoridade moral”, por “valores tradicionais” ou algo do gênero.

“Então, subitamente, todos os recursos da filosofia lhes são disponibilizados, e serão imediatamente usados para desqualificar a autoridade moral dos costumes, da lei e da sabedoria milenar” (p. 22)

A História torna-se o centro de contestação, visto que foi através dela – ao longo do desenvolvimento do tempo – que determinados “preconceitos” se formaram e se perpetuaram. Contudo, reconstituir o passado requer uma postura seletiva em relação ao modo e ao que será narrado. Nesse ínterim, um estudioso pode projetar anseios predeterminados ou ideológicos, estabelecendo-os como critério científico de seleção; desse modo, reconfiguram-se outras possibilidades de narrativa histórica, mas que apenas devolve o seu interesse; diz o que se quer ser ouvido.

Um “liberal sem preconceitos”, quando pretende deslegitimar a “autoridade imposta” ao longo da história, estabelece o seu interesse ideológico como critério. Esse gesto demonstra a consequência imediata do combate ao preconceito, cujo resultado não é a sua abolição, mas, no máximo, a substituição por outro preconceito.

“Derrubar determinado preconceito não significa destruir o preconceito enquanto tal. Na verdade, implica inculcar outro preconceito” (p. 39)

Nesse sentido, a família, a educação, a história, as artes, a religião, tornam-se alvo de críticas, em que os “caçadores de preconceito” pretendem desmontar a “autoridade repressiva” detrás esses valores. Mas qual o resultado? O que é proposto no lugar? As respostas são várias e estão apresentadas ao longo dos 29 capítulos do livro. Exemplifico com apenas um: as consequências no campo da educação.

“Se alguém se vê moralmente obrigado a limpar a sua mente dos detritos do passado para que possa se tornar um agente moral completamente autônomo, isso implica o dever de não jogar na mente dos mais jovens, os detritos produzidos por nós. Não causa surpresa, portanto, constatar que, de forma crescente, investimos as crianças de autoridade para que administrem as suas próprias vidas, e isso é feito com crianças cada vez menores. Quem somos nós para dizer a elas o que fazer?” (p. 31)

Em termos práticos, isso leva a uma perda de autoridade dos pais diante dos filhos. Na verdade, não se trata precisamente de uma “perda”, mas de uma delegação – consciente ou não – às crianças da responsabilidade de decidirem o que querem comer, assistir, falar, fazer; quando querer dormir, acordar, ir à escola, sem qualquer critério (isto é: valores) pré-estabelecidos. Se isso é visivelmente um gesto de imprudência, que tipo de pais poderiam confiar tamanha responsabilidade aos seus filhos, ainda imaturos?

“Pais preguiçosos e sentimentais, sem dúvida” (p. 33)

As consequências disso podem ser vistas desde em um supermercado, quando uma criança ordena, aos berros, para que lhe compre um pacote de bolachas recheadas para o jantar, ao que a mãe lhe obedece e responde, meio sem graça, às pessoas ao redor: “Ele é assim mesmo”; até a desordem que predomina nas escolas, em que professores são agredidos direta ou indiretamente, física e verbalmente, sem qualquer respeito à sua (antiga, tradicional) autoridade. Em síntese: um mundo predominado de gente mimada e sem o senso de responsabilidade e respeito, que são outros valores tradicionais.

Como o bem disse Dalrymple, numa síntese magistral: “(...) o sábio questiona apenas aquelas coisas que merecem questionamento” (p. 63)

Ora, se por um lado foram os intelectuais quem iniciaram os questionamentos (às vezes convenientes, o que não justifica uma regra) a respeito da “autoridade”, isso não foi mediante uma postura sábia, mas inconsequente, vaidosa e egoísta:

“Em outras palavras, para essa classe, trata-se do mero exercício retórico e de exibicionismo intelectual, no sentido de conferir ao sujeito uma aura de ousadia, generosidade, sagacidade, sugerindo a presença de uma mente independente aos olhos de seus pares, em vez de ser uma real questão de conduta prática” (p. 39)

Combater as “ideias pré-estabelecidas” nem sempre é uma questão de conduta prática, mas é uma atitude típica e artificialmente blasé, de alguém que se pretende colocar num lugar incomum, não-convencional, e que apenas repete o convencionalismo de (tentar) não ser convencional.

Há preconceitos que foram deletérios, claro, o que não justifica a sua generalização ou o constante reexame de toda e qualquer ideia pré-estabelecida. Elas existiram, existem e existirão.

“Temos que ter, ao mesmo tempo, confiança e discernimento para pensarmos logicamente a respeito de nossas crenças herdadas, e a humildade para reconhecermos que o mundo não começou conosco, e tampouco terminará conosco, e que a sabedoria acumulada da humanidade é muito maior do que qualquer coisa que podemos alcançar de forma independente” (p. 137)

Por fim, a sabedoria não está apenas na correção do que deve ser questionado, mas no modo como os valores preconcebidos – os preconceitos – são incorporados na vida prática. “Não se apresenta como uma das grandes glórias de nossa civilização que um homem com habilidades moderadas possa – e talvez deva – saber mais que os grandes cientistas e sábios do passado? Ele vê mais longe por estar sobre os ombros de gigantes, e não porque ele impertinentemente questionou tudo o que alcançou” (p. 129)

O livro de Dalrymple é uma oposição à mentalidade imprudente, pois situa a importância de hábitos e valores importantes em vias de extinção.

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Postado por Ricardo Gessner
9/9/2018 às 17h43

 
BRASIL, UM CORPO SEM ALMA E ACÉFALO

É com angustia e desolação profunda que escrevo este artigo. A destruição do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Um acervo de valor inestimável, para o Brasil e para o mundo.

O Museu Nacional, além de preservar a História, a Cultura Nacional, era um centro de excelência acadêmica, para brasileiros interessados, diga-se de passagem poucos, em conhecer as vertentes naturais, da cultura, da política nacional e da ciência universal.

Há muitos anos este tesouro brasileiro estava esquecido e abandonado por todos. Do ponto de vista nacional, os governos Federal, Estadual e Municipal, ‘desconheciam’ os problemas pelos quais passava. Acredite quem quiser.

O descaso, a incompetência e o despreparo dessa gente política, que se intitulam gestores é com certeza a causa do abandono e destruição da alma da nação brasileira. A Cultura, a Arte, a Escrita e a História parecem alérgica a esses crápulas.

Hoje, dia três de setembro, semana da pátria, ouve-se desses mesmos loucos pelo poder, frases como: Vamos reconstruir o prédio do Museu Nacional, Governo Municipal do Rio de Janeiro, como se o prédio fosse o próprio acervo destruído e irrecuperável. Não mediremos esforços para recuperar o Museu Nacional, ministro da cultura; perda ‘incalculável’, diz o presidente da república do Brasil.

Esses, são homens que nem sabem porque estão em seus cargos. O governo do Rio de Janeiro, Municipal e Estadual, chegam a beirarem a mediocridade se comparados a outros governos.

Parte da população brasileira, incluindo parte de uma juventude despreparada e desconhecedora da Cultura, da Arte e da História nacional, ficam discutindo e venerando políticos desonestos, corruptos e incultos, quanto as suas condenações por tribunais competentes. Esses sanguessugas do nosso patrimônio e das nossas riquezas, devem ser exemplarmente punidos, para servir de exemple aos jovens de hoje, geração adulta do amanhã.

A destruição do Museu Nacional, passa por tudo isso, para chegar onde chegou; a lugar nenhum. Hoje, tão somente um monte de cinzas. Um acervo de milhares de anos de História e 200 duzentos anos de existência, de conhecimentos e aprendizagem. Uma catástrofe, que acaba de nos deixar mais pobres e envergonhados perante o mundo, dadas as condições em que se encontra, político, social e economicamente o nosso Brasil.

Preciso dizer a essas pessoas incompetentes: se não falastes ontem, hoje, “porque não te calas?”.

Rio 3/09/2018

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Postado por Blog Feitosa dos Santos - Prosas & Poemas
3/9/2018 às 13h52

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