Julio Daio Bløg

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Domingo, 27/5/2018
Julio Daio Bløg
Julio Daio Borges

 
Minha história com Philip Roth

Deve ter sido o Paulo Francis quem primeiro me chamou a atenção para o Philip Roth (1933-2018).

Em “Waaal” (1996), seu “Dicionário da Corte”, Francis nos diz que Roth era um “gigante” perto da literatura “liliputiana” dos nossos dias. E era mesmo.

Mas lembro de começar a ler o Philip Roth *mesmo* na época do Daniel Piza. Na época da sua coluna “Sinopse” na Gazeta Mercantil (1996-2000).

Depois de ler o registro de suas impressões sobre “O Teatro de Sabbath” (1997) - onde ele dizia que marcara vários trechos com caneta “marca texto” - era muito difícil ignorar Roth e seus escritos.

Em 1998, finalmente li “Pastoral Americana”. E o que me chamou atenção, na época, foi a desconstrução do sonho americano.

Philip Roth tinha a capacidade de fazer o leitor entrar na alma americana. De repente, eu me sentia parte da sociedade norte-americana, sem nunca ter sido...

Quando escrevi a respeito (está como “Philip Roth e a Pastoral Americana” no Google), acho que eu queria soar tão bombástico quanto o romance soou para mim. E caprichei na prosa poética - que hoje eu identifico como o estilo de alguém que está começando (e testando seus limites)...

Nos Estados Unidos, comprei “Complexo de Portnoy” (1969) e “Operação Shylock” (1993) em inglês - dois romances que mereceram elogios rasgados do Francis -, mas acabei não lendo.

Fui ler “A Marca Humana” em 2002, já na época do Digestivo. Perto da fatídica eleição presidencial de 2002, o que me ficou, do romance, foi o horror da correção política, que já dominava os Estados Unidos, e que estava se estabelecendo, com a ascensão da esquerda, no Brasil.

Roth previu toda a histeria a que estamos assistindo - sendo o último capítulo essas acusações infindáveis de assédio, quando vão conseguir proibir até o assobio, para uma mulher, na rua...

No livro, um personagem negro - sim, negro - é acusado de racismo. E é perseguido, como professor universitário, pelas patrulhas...

Numa entrevista de Roth, dessa época, ele assume uma postura quase “anti-intelectual”. Antiacadêmica. Tudo o que Jordan Peterson denunciou - aquele pensador canadense que está na moda -, Roth já havia antevisto na virada do milênio.

Meu texto - que está como “Philip Roth e a marca humana” no Google - foi considerado um exemplo de crítica literária, na época, pelos meus colegas de Digestivo. Lembro que até peguei um erro do Daniel Piza, numa resenha dele, apressada, para o Estadão (mas não incluí no meu texto).

Em 2006, li “O Animal Agonizante”, e, embora seja da fase final de Roth, de que eu gosto menos, tínhamos começado uma parceria com a Companhia das Letras, no Digestivo, e eu fiz questão de disponibilizar um exemplar para todos os Colunistas que quisessem ler...

Digo que “gosto menos” porque, na fase final de Roth - na idade em que muita gente já está aposentada no Brasil -, ele trata muito da decadência física, da proximidade da morte, e cada novo livro soa como se fosse o último, como uma despedida...

Os grandes painéis da vida americana, como “Pastoral Americana” e “A Marca Humana”, haviam ficado para trás. Roth assume um tom mais confessional, e, apesar de continuar brilhante, e um exemplo de escrita, não alça mais grandes voos.

Com exceção, talvez, de “Complô contra a América”, uma ficção histórica, de 2004, lançada aqui em 2005, que, em português, achei maçante, ainda que, no Digestivo, tenhamos publicado uma resenha do Sérgio Augusto.

O último grande livro de Roth que li... foi o primeiro. Sim, você leu certo. “Adeus, Columbus” (1959) foi seu primeiro livro de contos, quando ele tinha 26 anos, e que a Companhia de Bolso publicou, aqui, em 2006.

Li, encantado, em 2007. Roth, na sua estreia, já era genial. Procurei se escrevi a respeito, na época, mas não encontrei... De qualquer forma, como são contos, considero a “porta de entrada” para o universo de Roth. Pode-se ler sem medo. É maravilhoso.

Nos últimos anos, senti falta desse universo, comprei e tentei ler “Complexo de Portnoy” em português. Mas achei muita masturbação. Literalmente ;-)

Quando Roth estava vivo, era lugar-comum dizer que ele era um dos maiores escritores vivos, senão o maior deles. Agora, virou lugar-comum dizer que, apesar disso, ele não ganhou o Nobel.

Roth se inscreve na melhor tradição do romance americano e seguiu os passos de outros grandes como Saul Bellow e William Faulkner.

Tive a sorte de ser seu contemporâneo, de ler alguns de seus grandes livros, e de sofrer a sua influência. Assim como o Paulo Francis e o Daniel Piza foram meus heróis no jornalismo, Philip Roth foi - é e sempre será - um dos meus heróis literários.

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Postado por Julio Daio Borges
27/5/2018 às 20h17

 
Publicando no Observatório de Alberto Dines

Na minha época de colunista independente, antes do Digestivo, fui publicado, muitas vezes, pelo Observatório da Imprensa e, hoje, agradeço ao Alberto Dines.

Eu era um simples estudante recém-formado de Engenharia, que tentava emplacar meus textos (antes dos blogs e das redes sociais) - e o Observatório nunca quis saber se eu era jornalista ou se conhecia alguém na redação.

A única exigência era que o assunto fosse mídia. Como eu não tinha compromisso com ninguém (eu não era da área) e não fazia média, acabei me metendo em, pelo menos, duas polêmicas involuntárias.

Uma foi com o Jô Soares, à qual ele nunca me respondeu. Ele havia acabado de lançar seu segundo romance, ruim pra chuchu, mas, como toda a mídia dependia do programa dele, muito cotado naquela época, para fazer divulgação, ninguém tinha coragem para dizer que o rei estava nu.

Ao contrário da maioria dos resenhistas, que era só elogios, eu resolvi *ler* o romance, e era uma porcaria. Escrevi meu texto com trechos do livro, exemplificando. E minha tese era a de que todo mundo dependia do seu beneplácito, então ninguém tinha peito para lhe falar a verdade.

O texto foi parar na versão impressa do Observatório da Imprensa e mudaram o título para “O Gordo Intocável”. Eu nunca chamaria ele de “gordo”, mas tudo bem. Meu título era: “Quem tem medo do Jô Soares?” (está no Google).

O fato é que tempos depois, um jornalista inglês da BBC quis me entrevistar. E, mais tarde, eu descobri, por um amigo que foi trabalhar na mesma BBC, que, entre as “fontes” sobre Jô Soares, em todo o Brasil, eu era a única “contra”.

Meu amigo me deu essa informação aos risos. Anos depois, no auge do Digestivo, alguns Colunistas achavam que eu deveria “ir ao Jô Soares”, para falar do site. Achei que seria uma hipocrisia. E o programa acabou decaindo (para a minha sorte)...

A outra polêmica foi com o Ruy Castro. Mas essa não me impediu de conhecê-lo. E de ter um contato amigável com ele.

Foi uma vez em que o Ruy escreveu um artigo no Estadão criticando o rock’n’roll. E eu escrevi outro, em resposta ao dele: “Ruy Castro e a Mistificação do Rock” (tem no Google também).

Saiu no Observatório da Imprensa. Eu, obviamente, não conhecia o Ruy Castro. Só o admirava pelos livros.

Pois bem: o Observatório levou meu artigo a sério e ligou para o Ruy Castro - mas ele “não quis comentar”.

Hoje, conhecendo o humor dele, deve ter pensado: “Quem é esse desconhecido, que tem a cara de pau de me criticar, é publicado pelo Observatório, e ainda me pedem comentário?”.

Anos mais tarde, numa Bienal, em que fui encontrar o Sérgio Augusto, que já me lia, acabei sendo apresentado para o Ruy Castro e dei meu cartão a ele, que ficou olhando meu nome impresso, sem emitir nenhum som. Tentando quebrar o gelo, perguntei se a letra estava muito pequena - ao que ele me respondeu, com voz grave e séria: “Não, está, não. Eu enxergo muito bem!”.

Depois soube que ele indicava o Digestivo para amigos. Acabamos trocando e-mails. Conversando por telefone e pessoalmente. Já o entrevistei, mais de uma vez. E ele me manda seus livros - o que eu considero um privilégio.

Mas nunca comentamos sobre aquele meu texto no Observatório da Imprensa...

A ideia do Alberto de Dines, de fiscalizar a mídia, e principalmente os “jornalões”, rendeu uma certa notoriedade aos meus escritos, e algumas reações divertidas, como as de cima.

Além de toda a importância do Dines para a jornalismo do Brasil, ele tinha essa abertura para novas vozes - algo que não é o comum nesse meio, de indicações e de amigos de amigos.

Numa era de profusão das fake news, o slogan de “nunca mais ler jornal do mesmo jeito” soa quase ingênuo. Mas foi importante naquele momento. E, como outsider, consegui participar do O.I. e até me divertir. Descanse em paz, Alberto Dines.

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Postado por Julio Daio Borges
23/5/2018 às 14h15

 
Tom Wolfe

Tom Wolfe era um daqueles jornalistas “maior que o jornalismo”. *Ele* era o assunto - tanto quanto o assunto sobre o qual escrevia...

Embora a comparação não seja justa - e nenhum dos dois talvez concorde -, eu o aproximo do Paulo Francis. Ambos escrevendo num estilo “apimentado”; ambos personalidades transbordantes; ambos com grande presência cênica; e ambos se metendo em polêmicas e criando inimizades “para a vida inteira”...

Leio que Plauto, o comediógrafo romano, quando escrevia uma peça, tinha de competir com toda a sorte de “atrações”, inclusive gladiadores... E como chamar a atenção do público senão exagerando bastante?

Foi o que a New Yorker escreveu sobre Tom Wolfe. Como competir com os anos 60, a música, as revoluções, a televisão... Como - sem carregar nas tintas?

Repare que o mesmo vale para Paulo Francis, que “apareceu” criticando teatro, apanhando do marido da Tônia Carrero, depois criticando Carlos Lacerda na televisão, sendo preso pela Ditadura, se auto-exilando em Nova York, metendo o pau no Brasil, acabando processado, e talvez morto, pela Petrobras...

Nelson Rodrigues, outro “exagerado” - com estilo apimentado, presença cênica, polêmicas e inimizades também -, repetia que o que é dito apenas uma vez, permanece inédito. Era uma flor de obsessão. E tinha lá as suas razões...

A diferença entre Francis e Wolfe é que o último conseguiu nos deixar mais livros, diria Piza. Francis tinha um grande efeito imediato; mas dialogava mal com a posteridade.

A crítica de Wolfe deve ficar. Não é preciso nem ler os livros para saber do que se trata - os títulos falam por si (mesmo em nossa língua): “Da Bauhaus ao nosso caos”; “A Palavra Pintada”; “Fogueira das Vaidades”...

Ele tentou ficar sério com os romances. Ou ser levando a sério. Ou ambos. Mas já era tarde demais...

Norman Mailer - um desafeto - explicou que algumas características o romancista só adquiria na juventude. Wolfe começou tarde. O Wolfe romancista, portanto, não merecia atenção...

Seja como for, a descrição da recepção oferecida aos Panteras Negras, por Leonard Bernstein, em “Radical Chique”, nunca mais saiu da minha cabeça - a ponto de eu não conseguir mais encarar Bernstein sem pensar no “Lenny” de Wolfe...

Lendo “Ficar ou não ficar”, aprendi a repetir vogais, e pontos de exclamação e interrogação, sempre em número ímpar. Fora outros truques que me ajudaram, mas que, com o tempo, eu abandonei, procurando um estilo mais sóbrio...

Sempre penso que os autores da antiguidade - os que nos chegaram - não abusavam dos pontos de exclamação, dos itálicos, das maiúsculas, nem das onomatopéias...

Ao mesmo tempo, conheci tanta gente que foi “mexer” com jornalismo por causa do Paulo Francis. (Eu, inclusive.)

Às vezes, falta uma personalidade. (Olha a nossa política...)

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Postado por Julio Daio Borges
16/5/2018 às 09h57

 
Wild Wild Country

Conheci o Osho há pouco mais de 20 anos. Estava me formando na Poli, manifestava um interesse por Filosofia, e o tio de uma namorada, muito atencioso, me presenteou com um livro do Osho.

Meu interesse, na época, era por Filosofia Ocidental, e meu livro de cabeceira era “Uma História da Filosofia Ocidental”, do Bertrand Russell, que eu cotejava com as aulas de Filosofia Antiga, do professor Roberto Bolzani Filho, na USP.

Sem espaço para o Osho, portanto. Aquele livro, do tio da minha ex-namorada, eu só fui ler quase 20 anos depois, em outra situação. E o livro falou mais comigo pela lembrança e pelo carinho, do tio postiço, do que pela filosofia em si.

Fui assistir “Wild Wild Country” por curiosidade. Tinham falado muito, num dos grupos de WhatsApp de que participo. E havia lido um texto sobre a tal Sheela, em que a pessoa se dizia muito impressionada pela figura dela, apesar de todo o mal perpetrado etc.

O que me impressionou, nos primeiros capítulos, foi o sonho, recorrente, de fundar uma cidade, e de refundar a humanidade, no processo. Me ocorreram desde a República, de Platão, até a Utopia, de Thomas Morus, passando pela experiência de Robert Owen, que um professor de História nos contava na escola, até Brasília.

Como brasileiro conhecedor do experimento de Juscelino, eu sabia que Rajneeshpuram - literalmente a cidade do Osho (Rajneesh) -, fundada nos anos 80, no estado de Oregon, nos Estados Unidos, seria um fracasso desde o início.

Mas o Osho acreditou, e seus comandados - e levaram milhares de pessoas para lá.

A própria Filosofia nos ensina que, apesar da beleza - sublime - da sua “República”, Platão não foi bem-sucedido quando tentou implementar suas políticas em Siracusa.

E do pouco que conheço de filosofia política é infinitamente mais recomendável estudar as conclusões de Maquiavel, que simplesmente estudou a prática, do que embarcar num sistema “desenhado” (designed) sem base na realidade.

Se o projeto de Brasília pode soar discutível para alguns, eu convido os resistentes a examinar qualquer projeto de “utopia socialista”, sendo o mais próximo de nós, o do PT, sob cujas consequências estamos vivendo até hoje, 2018, final do mandato do Vice da Dilma.

Para qualquer brasileiro maior de idade, que tenha vivido no país, dos anos Lula pra cá, e que não tenha sua inteligência obliterada pela ideologia, considero autoevidente que qualquer tentativa de “refundar” a sociedade - à esquerda, à direita ou ao centro - seja um total disparate e que não merece a nossa consideração.

Mas Osho acreditou; e seus seguidores - e levaram milhares de pessoas pra lá...

Se eu me decepcionei com Osho? É claro que sim. Não basta ser um guru? Tornar-se sábio, ter seus livros publicados, ser consagrado até fora da Índia? Para que fundar uma cidade? Ainda mais nos Estados Unidos? E para que “refundar” o Homem? Que diabo que pretensão é essa? E que delírio?

Não; não consegui admirar a Sheela. Para mim, ela nunca passou de um leão-de-chácara do Osho. Aquele capanga, ou personagem meio mafioso, que todo idealista, ou líder benevolente, tem, para fazer o serviço sujo, enquanto se mantém puro, limpo ou quase isso.

No documentário, Sheela tem ideias próprias: acha que, além de administrar Rajneeshpuram, pode interferir até no destino do próprio Osho - até que dá tudo errado, ela foge com seus comandados; ele não a perdoa, rompe seu voto de silêncio, de anos - e o mundo assiste a uma troca de acusações nada edificante.

Para mim, é o pior momento do Osho: quando ele tem de dizer que não teve nada com ela, nenhum envolvimento homem-mulher, que ela está drogada, usou drogas pesadas etc. E Sheela devolve, chamando Osho de “manipulado” - sob efeito de um novo círculo, que não quer o seu bem, até deseja a sua morte etc.

O bate-boca é suficiente para o governo dos Estados Unidos interferir e terminam ambos presos, mais pessoas próximas do círculo de Sheela.

No caso de Osho, ele aceita um acordo, assume a culpa por crimes ligados a imigração ilegal, enquanto retorna à Índia. Já Sheela cumpre prisão, sem atenuantes, e termina liberada na Europa, onde vive até hoje.

Osho termina tão desiludido da vida que quer ser esquecido. Desiste do próprio nome, “Bhagwan”. Quer ser “ninguém”. Não quer ter nome. Até que alguém sugere, justamente, “Osho” - que, em japonês, quer dizer “mestre”.

Bhagwan morre em 1990, mas Osho vira uma marca. Até hoje.

O documentário, da Netflix, não se decide por uma conclusão positiva ou negativa, do Osho e até de Rajneeshpuram. Termina com a Sheela, que montou um asilo. Arrependida?

Gurus foram moda, sobretudo nos anos 60. E até os Beatles caíram...

Quando resolveram ir embora da Índia, John Lennon resolveu testar o guru - Maharishi - para ver se ele sabia (por que eles iam). Lógico que ele não sabia.

Lennon fez “Sexy Sadie” para ele: “What have you done? O que você fez? You made a fool of everyone. Você fez todo mundo de bobo...”

Fast-forward para 2018. E as pessoas, no Brasil, continuam seguindo gente como “A Monja”, Karnal, Pondé... como se fossem gurus...

“Sexy Sadie. You laid it down for all to see... Você pôs tudo abaixo - para que todo mundo visse...”

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Postado por Julio Daio Borges
2/5/2018 às 09h02

 
Carta do Brasil - 5/4/18

Dearest friend:

Ontem foi o julgamento do “HC” do Lula no “Supremo” e o Brasil parou pra assistir. Eu não podia parar, mas eu fiquei ouvindo pelo rádio. Alternando a CBN e a Jovem Pan 2 - porque, à tarde, tem uma locutora na CBN (eu ia escrever “uma louca”)... que eu vou te contar... a mulher até dançou no ar!

Resolveram chamar o João Marcelo Bôscoli para comentar umas músicas de 1900-e-guaraná-com-rolha - e ele ficou comentando um Roberto Carlos do passado recente, quando ninguém queria escutar aquilo, todo mundo só queria ouvir falar do tribunal...

A tal da Rosa Weber - a que seria o “voto de Minerva” (ou algo assim) - acabou se revelando uma heroína nacional - mas, na hora em que ela falava, ninguém entendia nada. Perguntei “essa mulher fala português?” - em dois grupos de WhatsApp -, mas ninguém respondeu nada.

Todo mundo entende de Direito agora, no Brasil, é o maior barato. Você precisava ver: as pessoas comentam as falas como se elas entendessem alguma coisa - mas, na verdade, acompanham como quem acompanha um jogo de futebol no escuro: se alguém grita “gol!”, todo mundo grita logo na sequência - para não ficar mal. E para não passar pelo burro que não entendeu a piada.

Afinal, no Brasil, nada é certo: nada é definitivo. É como naquela frase do Malan: tudo é incerto - até o passado. E depois da eleição do Aécio - que muitos comemoraram antecipadamente, depois “perderam” - ninguém quer comemorar mais nada. Todo mundo morre de medo. Até porque o Aécio se revelou aquela “coisa” que você sabe... De modo que não se sabe quem ganhou e quem perdeu, de fato. Até porque todo mundo perdeu. A Dilma tinha razão... Ou o Olavo tem razão... (Nem sei mais...)

Sei que o negócio acabou à uma hora da manhã. E, no intervalo da Hora do Brasil, tive de sintonizar a Jovem Pan no YouTube e consumiu todo o meu “pacote de dados”. Veio o aviso de 80%, veio o aviso de 100%, mas eu nem percebi. Quando percebi, já estava “na roça”, como dizem, com a internet à manivela, pior que a discada.

Soltaram fogos no meu bairro. Como eu moro no Morumbi, parecia que tinha sido gol de alguém, mas não era, não. Ou era, sim! Go-o-ol... *DU* BRAZIL!!! Claro que alguém repassou uma narração do Galvão Bueno. As pessoas repassam para serem as primeiras a repassar. Mas, depois que alguém repassou, ninguém se lembra de quem foi.

Só sei que fiquei tantas horas trabalhando e ouvindo, que, quando terminou, ou quando eu resolvi me levantar, estava petrificado. Na hora de deitar, eu estava como aquele bonequinho de Playmobil: quando ele sai da “posição sentado”, tem de empurrar as perninhas pra baixo, porque elas não vão sozinhas.

Uma hora me enchi e resolvi ler, mas não conseguia parar de ouvir as vozes dos ministros. E sintonizava de novo. E me enchia, novamente. E voltava a ler. Mas não aguentava esperar pelo resultado... Aí, sintonizava de novo! E me aborrecia... Um inferno!!! Até que alguém declarou que tinha “oficialmente” acabado. Acho que foi o Felipe Moura Brasil.

Acho que até sonhei com o negócio. O Brasil é um negócio que você não sabe se é pesadelo ou se é vigília mesmo. De manhã, estavam discutindo tudo de novo. Porque existem embargos não-sei-de-quê (sempre existem “embargos”). Poderia demorar mais um mês... E assim vai.

Hoje não consegui acompanhar mais nada. Não aguentava mais ouvir falar do negócio. Estou passando essas notícias, mas eu sei que estão “atrasadas” - só espero que não muito! Na realidade, eu espero que não tenha mudado nada... Porque, no Brasil, você sabe: nada é certo. Nem o passado ;-)

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Postado por Julio Daio Borges
5/4/2018 às 21h03

 
João, o Maestro (o filme)

Eu confesso que tinha uma certa antipatia pelo maestro João Carlos Martins

Antipatia estética. Achava ele muito populista, nesta fase de maestro. Tocar com Chitãozinho e Xororó, para mim, foi o "ó"

Me parecia uma tentativa, barata, de conquistar certo público, pouco afeito às salas de concerto. Desconfio sempre quando a alta cultura tenta "se rebaixar". Alta cultura rebaixada deixa, imediatamente, de sê-lo

Com esse espírito, fui assistir ao concerto de 40 anos da Cultura FM, na Sala São Paulo, em Julho deste ano

Concerto encerrado pelo maestro que - tocando Mozart ao piano, sob regência de outro maestro, Júlio Medaglia - me comoveu

O que aconteceu? Não sei. Não foi apenas a execução, impressionante para quem tem tantos problemas nas mãos...

Talvez tenha sido porque ele relembrou que, quando resolver ser maestro, foi procurar Júlio Medaglia, e este igualmente se comoveu...

Ou talvez porque tenha sido uma noite especialmente comovente, para a Cultura FM e para a sua audiência. E João Carlos Martins soube respeitar isso. Não quis ser "a estrela"

Me comoveu tanto que, na saída, em direção ao banheiro, dei de cara com ele - e não consegui deixar de cumprimentá-lo e de reforçar o clichê (que tanto critiquei): "Parabéns, maestro, o senhor é um exemplo de vida"

Pois é. Não resisti. O maestro me pegou de jeito...

Também disse a ele que assistiria seu filme, cujo trailer já havia visto. E ele foi simpático: "Olha, no filme, sou eu quem toca tudo... Com exceção de algumas partes... que quem toca... é esta moça aqui!"

Estava com uma moça, claro. Como, aliás, tantas vezes no filme...

Apesar de superado o preconceito inicial contra o maestro, entrei meio desconfiado na sala de cinema, porque o filme era Globo Filmes. Ainda mais com um "toque" de Luiz Carlos Barreto e Cacá Diegues... (Só faltavam a Conspiração e a Natasha Records...)

E, de fato, o filme começa com aquela "sujeira limpa", típica das novelas da Globo - onde até as roupas velhas têm cara de novas (e bem passadas) e onde até a pobreza merece um rico tratamento estético

Resistindo, ainda no começo, pensei que estavam tentando transformar o João Carlos Martins, pianista, no Glenn Gould brasileiro...

Mas, aos poucos, fui sendo vencido... Primeiro, pela música

É difícil ignorar Bach no cinema. E a ligação de João Carlos Martins com Bach não é uma coisa que passa despercebida

Bach não foi um golpe de marketing, que ele usou para se lançar ou se promover, foi uma relação de vida inteira

Uma obsessão, como acusa uma de suas mulheres. Uma comichão (sim, comichão é feminino)

A Bach, ele retornava, nos piores momentos. Quando sua mão falhava, quando não conseguia tocar, quando sofria um golpe...

É com Bach que ele passa, também, os melhores momentos. Seja estudando, seja executando, seja gravando. Seja tocando as Variações Goldberg, de memória, num restaurante em Nova York, a pedido de ninguém menos que Leonard Bernstein...

Além da música, e de sua relação com ela, fui sendo conquistado pela obsessão do artista. A mesma que afastou suas mulheres

Afinal, João Carlos Martins não sofre um único acidente, mas *dois* - e leva sua carreira de performer até o limite físico

Sente dores antes do primeiro acidente, e vai perdendo o crédito na mídia em função deste. No meio de um projeto para gravar a integral de Bach, para teclado, sofre o segundo acidente

Passa a tocar no limite da dor. Até que a dor é tamanha... que ele finalmente aceita a operação. A mesma que sepulta sua carreira de pianista

Nasce o maestro

Mas nem tudo são flores. Começa a carreira de "pedinte", tão bem conhecida por quem realiza iniciativas culturais no Brasil...

Ser artista solo era muito mais barato. Para ser maestro, precisava ter orquestra...

Mas o homem que flertou com o suicídio, e poderia ter desistido tantas outras vezes, acaba conseguindo. E quando a Fiesp, através do Sesi, decide patrocinar não apenas um músico, mas a orquestra inteira, o maestro tartamudeia... e, imaginando sua emoção depois de tudo, emudecemos igualmente

No fim, João Carlos Martins, em pessoa, dá um descanso a Alexandre Nero - que está muito bem no papel - e aparece, regendo, na Sala São Paulo

Aí, eu chorei

Pois é, num filme da Globo Filmes, com um ator de novelas, cujo subtítulo é, literalmente, "uma história de paixão e de amor pela vida" - chorei, vai entender

Mas o Maestro merece

E eu fiquei com vontade de cumprimentá-lo novamente ;-)

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Postado por Julio Daio Borges
12/9/2017 às 17h24

 
FHC embola o meio de campo

Como se não bastasse a hesitação do próprio PSDB, que se reúne desde o pós-Joesley, para decidir se sai ou não do governo (e acaba sempre ficando), agora FHC resolveu dar sua contribuição para o samba do tucanato doido

Primeiro disse que eleição direta, neste momento, era "golpe", mas, agora, apareceu para declarar que o presidente deveria "ter a grandeza" de "antecipar as eleições de 2018" para este ano

Primeiro disse que era preciso "cautela" antes de sair acusando o presidente, por causa daquela gravação do Joesley, mas, agora, diz que vivemos uma "anomia" e que falta "legitimidade"

Primeiro disse que o governo tinha de atravessar um "pinguela", mas, agora, disse que é melhor atravessar o rio "a nado" e "devolver a soberania ao povo"

Se você leu e releu a nota que FHC - para ver se era isso mesmo -, e ficou sem entender direito alguns trechos, não se preocupe: *ninguém* entendeu. Nem o PSDB

Em outras palavras: se o PSDB tinha em FHC um guia ou "farol", o partido acaba de perdê-lo - e os caciques, pós-FHC, tendem a se disputar pelo controle do espólio

Se o PSDB já soava esquizofrênico permanecendo no governo pós-TSE - mas recorrendo ao Supremo contra a decisão do mesmo TSE -, FHC conseguiu soar, mais que esquizofrênico, alucinado e alucinante

Se o PSDB havia passado relativamente incólume ao turbilhão da Lava Jato, agora vai sendo tragado, no mesmo redemoinho que engole PT e PMDB - e não só pelos desvios éticos, que começam a aparecer, mas porque sua bússola quebrou...

Silêncio, FHC

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Postado por Julio Daio Borges
16/6/2017 às 11h18

 
E o Doria virou político...

Por que São Paulo elegeu João Doria? Vale recapitular:

Porque ele não tinha papas na língua. Falava o que pensava e se posicionava

Porque ele não era um político. Ou, ao menos, não era um político tradicional

João Doria era alguém "de fora". Alguém que tinha tido sucesso. Alguém com um "novo olhar". Alguém fora do esquema (ou "dos esquemas")...

OK, João Doria era contra o PT. Alguém com coragem para atacar Lula de frente. Um antipetista convicto

Mas o que aconteceu com João Doria, de uns tempos pra cá?

Não, não estou falando do marketing - que ele continuou fazendo até dominar as redes sociais

Nem estou falando do seu governo, que tem feito boas parcerias com a iniciativa privada - numa prefeitura falida -, apesar de uma ou outra ação mais controvertida (não quero discutir a Cracolândia ou os grafites...)

Estou falando desse "novo" João Doria, que surgiu de umas semanas pra cá. O "PSDBista". Querendo oferecer seu "lastro" a um partido que insiste em apoiar um governo morto-vivo...

Recordemos. O presidente prevaricou. O presidente mudou o ministro da Justiça, como Dilma, para controlar a PF (em vão). O presidente voou no jatinho do "falastrão" (primeiro disse que não voou; depois fingiu que não sabia de quem era o jatinho...)

Pior: o presidente acha que tem razão. E insiste em ficar. Em "não renunciar". Afronta o Ministério Público (acha que não tem de dar satisfação). Comemora sua "absolvição" pelo TSE (como se fosse inocente). Suspeita-se de que o presidente espione ministros do Supremo enquanto se prepara para ser julgado por ele...

Contra o presidente, pairam acusações de obstrução da Justiça, formação de quadrilha, corrupção passiva...

Mas este era um texto sobre João Doria, não é mesmo?

E o que Doria tem feito?

Primeiramente, Doria encampa o discurso de PSDBistas - e diz que se deve preservar a "estabilidade"...

Que estabilidade, cara pálida? O Brasil pós-Joesley perdeu toda a estabilidade. Com malas de dinheiro, prisões, delações... Diariamente... E de gente cada vez mais próxima ao presidente...

Que estabilidade um governo "balança-mais-não-cai" pode oferecer???

Em nome das "reformas"? Um presidente contra quem pesam acusações graves, e que precisa - diuturna e "noturnamente" - se defender, tem condições de "aprovar" o quê? E com que moral???

Mas o pior de tudo, João Doria, foi você dizer: "Nós temos de lembrar que somos contra o PT". Ou "o nosso inimigo é o PT"

Pois bem, João Doria, e nós temos de *te* lembrar que - aqui fora - nós somos contra a corrupção. A nossa inimiga é a corrupção (mais que o PT)

Porque não adianta nada ser "contra o PT" e fazer vista grossa para a corrupção do PMDB "et caterva" (você sabe de quem estou falando...)

João Doria: não vire um político agora - não "do pior jeito" e não "no pior momento"...

Nós *não precisamos* de mais um político que tampe o sol com a peneira; que finja que nada está acontecendo; que resista em desembarcar de um navio que afunda "diuturna e noturnamente"...

Eu lamento pelo seu partido e lamento pelo (ex?) presidente do seu partido. Mas lamento mais por você

Não faça como ele. Não traia o voto dos paulistanos que confiaram em você. Não faça como ele fez com o voto dos brasileiros...

Não jogue fora seu capital político. E se não ficou claro ainda: não seja conivente com quem conspira contra a Lava Jato

Seja *menos* político. Não seja mais um tucano - para dizer o óbvio - em cima do muro

São Paulo precisa de você. O *Brasil* precisa de você

E não de mais um "cacique". E não de *mais um* político...

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Postado por Julio Daio Borges
13/6/2017 às 10h05

 
As crises e 'a' crise

(Para você que não sabe mais quem apoiar)

Das grandes crises, de que eu me lembro, talvez a primeira seja a dos anos Sarney - do meio para o fim da década de 80 -, com hiperinflação, uma sucessão de planos econômicos e uma crise de abastecimento depois do plano Cruzado

Na sequência, a crise do Collor, no início dos anos 90, com confisco da poupança, escândalo de corrupção e impeachment

Em meados da década de 90, o Real, com Itamar, foi uma revolução - mas a desvalorização, no final da mesma década, foi um choque (quem apostou numa economia "dolarizada", praticamente quebrou)

Os desastres da era Lula, na década de 2000, começaram a aparecer em 2005, com o escândalo do Mensalão

O Brasil, ainda assim, se deixou levar - e elegeu Dilma, duas vezes seguidas, até que o Petrolão revelasse um escândalo muito maior que o anterior (por meio da Lava Jato, a partir de 2014)

Mesmo tendo vivido uma ou duas crises a cada década, desde os anos 1980 até os anos 2010, não me lembro de uma crise como a de agora...

Nos anos 80, o Sarney já era tão ruim quanto agora, ou pior, mas acho que havia a esperança da redemocratização - e os debates presidenciais de 1989 continuam disponíveis no YouTube, para demonstrar que o nível só vem caindo de lá pra cá...

Nos anos 90, o Collor foi um anticlímax, mas, pelo menos, acabou com a reserva de mercado, e a indústria brasileira foi obrigada a sair do tempo das diligências...

Ainda nos anos 90, mesmo com a desvalorização do Real em 99, nós tínhamos uma moeda, começávamos a ter uma economia e havia algum alento com a chegada do novo milênio...

O desânimo, para mim, começa com a vitória de Lula, em 2002 - que eu já pressentia como um desastre -, mas com Palocci (e Meirelles?) conseguiram enganar o mercado, e a economia, a ponto de reeleger Lula e - pasmem - Dilma, um pesadelo indisfarçável

Mas, mesmo com Dilma, nós havíamos perdido a eleição com o Aécio em 2014... E o bom trabalho que o PSDB havia feito com o Real - em 1994 (e depois) - indicava que uma volta dos "tucanos" ao poder *poderia* colocar o Brasil (ou, ao menos, a economia) nos eixos novamente...

Foi o que Temer tentou fazer, desde o impeachment de Dilma: ser um novo Itamar, reorganizando a economia, com o mesmo Meirelles, fiador dos governos Lula, num suposto governo de "união nacional"...

Só que Temer não contava que o "fio da meada" puxado pela Lava Jato atingiria, igualmente, seu governo, seu partido, seus aliados, seus assessores... e a ele próprio

Então Temer não se revelou muito diferente de Dilma, para se manter no poder: tergiversando, contando meias-verdades e até mentindo de maneira deslavada...

E o PSDB, emprestando seus "economistas" ao PMDB, na travessia da "pinguela", também foi atingido nas delações, a ponto de ter a imagem de seu presidente destruída... Aquele mesmo Aécio, que ia nos "salvar" da Dilma (e do PT), conspirava, nos bastidores, contra a Lava Jato e recebia, igualmente, propina...

O que estamos assistindo agora - e que culminou com esse julgamento farsesco do TSE - nada mais é que a tentativa, canhestra, do establishment político de "frear" a Lava Jato - porque se ela continuar, não vai sobrar nada nem ninguém...

A crise de agora não se compara com as anteriores que eu vivi porque não é um presidente, ou um partido, que está caindo, ou ruindo - é todo um sistema, governo & oposição, que se alternam no poder, mas que se revelaram irmanados nos mesmos "esquemas"...

O "suposto" governo e a "suposta" oposição se juntam - como nunca antes... - para combater o inimigo comum: a Lava Jato, que os está desnudando...

Para não cometer o mesmo "erro" de apoiar um novo "Aécio", o que temos de fazer - agora - é continuar apoiando a Lava Jato

Com todos os "erros" da operação - "açodamentos", "arbitrariedades", "abusos" (expressões que os detratores adoram utilizar) -, a Lava Jato é o que temos "pra hoje"

Entre a Lava Jato, Dilma, Lula, Temer e Aécio, com quem você prefere ficar? Entre a Lava Jato, o PT, o PMDB e o PSDB-abraçado-ao-PMDB, com quem você prefere ficar? Entre a Lava Jato e o Gilmar Mendes, com quem você prefere ficar?

Acho que não preciso responder. E acho que isso responde à nossa dúvida existencial - pós-TSE - sobre quem devemos apoiar...

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Postado por Julio Daio Borges
10/6/2017 às 18h28

 
Chris Cornell

Chris Cornell era a maior voz de Seattle

Evito usar o termo "grunge" porque acho reducionista. Ainda mais no caso de Cornell, que sempre cantou mais que a média dos roqueiros (eu disse roqueiros e, não, "metaleiros")

Kurt Cobain, do Nirvana, era o letrista. Eddie Vedder, do Pearl Jam, talvez seja o maior astro pop. Jerry Cantrell, do Alice in Chains, é o maior guitarrista. E Cornell, do Soundgarden, o melhor cantor

Além da sua morte precoce, é impressionante que em quase todas essas bandas tenha morrido alguém de forma trágica. Cobain se suicidou com uma arma. Tinha 27 anos. Layne Staley foi encontrado já em estado de putrefação (depois de uma overdose). Tinha 34 anos. E Cornell se enforcou num banheiro de hotel, na última quarta, depois de um show. Tinha 52 anos

O Nirvana estourou. O Pearl Jam de Eddie Vedder teve sucesso a médio/longo prazo. Talvez mais que qualquer outra banda de Seattle - porque caiu no "gosto médio" (Vedder sempre fez sucesso entre as menininhas...)

O Alice in Chains alcançou, em francês, o que se chama de "succès d'estime" (sucesso entre iniciados). Já o Soundgarden foi o que teve menos sucesso - e talvez fosse, musicalmente, o grupo mais sofisticado. Basta ouvir "Badmotorfinger", de 1991

Maior que essa injustiça toda é o fato de que, talvez, Chris Cornell foi o maior músico da geração Seattle

Ele teve a voz de um bluesman e o próprio Soundgarden soava como uma mera banda "de apoio" para seus vocais. Afinal, o Soundgarden nunca passou de uma versão "anos 90" para o primeiro Black Sabbath. Com a diferença de que Cornell cantava muito mais que Ozzy Osbourne. E, muito provavelmente, se ombreava com Ronnie James Dio - embora, musicalmente, fosse mais versátil

Quando Michael Jackson morreu, a melhor versão de "Billie Jean", na praça, era uma acústica de Chris Cornell. E eu poderia falar de sua versão para "Nothing compares 2 U", de Prince - mas prefiro lembrar de Brad Mehldau, um pianista de jazz, tocando "Black Hole Sun" (do último disco do Soundgarden que vale a pena, "Superunknown", de 1994)

No início dos anos 90, quando o grunge estourava, já se falava na "carreira solo" de Chris Cornell. Mas, embora conseguisse bom espaço na imprensa, para suas turnês solo, sua carreira solo nunca decolou de fato

O mais perto que esteve do mainstream, depois do grunge e do clipe de "Jesus Christ Pose", foi com "You know my name", da trilha sonora de "Cassino Royale", o "remake" de 2006

Uma das maiores fatalidades é um grande talento não encontrar o sucesso de fato...

Primeiro, Cobain com aquele fiapo de voz rouca. Depois, Staley, que, praticamente, só gritava. Na sequência, a consagração "pop" de Vedder. E, por último, Dave Grohl, com o Foo Fighters - que, como baterista do Nirvana, até enganava; mas, como cantor, é, convenhamos, "o sub do sub"...

Se somar todos, não dá um Chris Cornell. Que sua morte precoce, ao menos, sirva para redimensionar sua importância

O grunge, como modismo, era uma bobagem. Mas a geração de Seattle, de fato, foi a última do rock

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Postado por Julio Daio Borges
29/5/2017 às 14h24

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